Grupo italiano vence leilão do Rodoanel Metropolitano

Projeto foi arrematado com um deságio de 12,14%
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Grupo italiano vence leilão do Rodoanel Metropolitano
Projeto vem para aliviar trânsito no Anel Rodoviário de BH | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

Depois de 49 processos judiciais, 112 dias de consulta pública, nove audiências públicas, 75 reuniões e um projeto disponível por 263 dias, o Rodoanel Metropolitano, projeto do governo de Minas que promete dar vazão ao trânsito do Anel Rodoviário, enfim foi entregue à iniciativa privada. O grupo italiano INC S.P.A venceu o leilão realizado na B3, em São Paulo, ao ofertar uma contraprestação no valor de R$ 91,144 milhões. Isso representa um deságio de 12,14% sobre o valor de referência que estava estipulado em R$ 103,7 milhões.

A licitação recebeu duas propostas. O outro concorrente, o Consórcio Novos Caminhos BH, ofereceu desconto de 10,20%, o equivalente a R$ 93,156 milhões. A previsão é que o contrato seja assinado dentro de um mês e meio. O licenciamento ambiental deverá levar cerca de um ano e meio, período que será destinado também para a elaboração dos projetos executivos. As obras em si deverão ter início em 2024. As alças Oeste e Norte – as primeiras a serem construídas, deverão ficar prontas em 2027.

As informações são do secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato, que citou alguns pontos inéditos do projeto, entre eles, os prazos entre a publicação do edital e a realização do leilão, o imbróglio do processo devido às dezenas de ações judiciais e até mesmo os trâmites realizados em vistas de sanar dúvidas e questionamentos.

“É o primeiro projeto cujo licenciamento ambiental vai ser feito em conjunto com a iniciativa privada, o único do Brasil estruturado desde a sua concepção com pedágio free flow, com cláusulas expressas de ESG, entre outros compromissos que visam garantir que seja um projeto de legado e não de transtorno para a população mineira”, destacou.

Investimentos estão estimados em R$ 5 bilhões, dos quais R$ 3,07 bilhões serão do governo estadual | Crédito: Divulgação

O secretário também reforçou que uma mesma empresa vai construir todo o Rodoanel, além de operar os 100 quilômetros da via por 30 anos. Os investimentos estão estimados agora em mais de R$ 5 bilhões, dos quais R$ 3,07 bilhões serão provenientes do acordo entre o governo mineiro e a Vale para reparação dos danos causados pelo rompimento da Barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (RMBH), ocorrido em 2019. Como se trata de um projeto de parceria público-privada (PPP), além dos investimentos do Estado, a empresa vencedora vai aplicar em torno de R$ 2,9 bilhões.

“Está apenas começando. É um projeto que vai salvar vidas, aumentar a competitividade mineira, e transformar nossa infraestrutura. Minas está entregue. Mãos a obra”, disse em seu discurso ao final do leilão.

Rodoanel enfrenta imbróglio com prefeituras

O edital do Rodoanel foi lançado pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) em janeiro deste ano. Inicialmente, o leilão foi marcado para o fim de abril, mas nas semanas seguintes já começou a enfrentar batalhas na Justiça. Os principais questionamentos vieram das prefeituras de Betim e Contagem, ambas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), e se arrastaram até dias atrás.

Os prefeitos das cidades questionaram insistentemente o traçado previsto do projeto e alertaram para impactos urbanísticos, sociais e ambientais de bilhões de reais e até crise hídrica caso o projeto permanecesse na versão original. Após algumas audiências de conciliação com a Prefeitura de Contagem, chegou-se a um acordo sobre a possibilidade de ajuste em função de interferências ou questões ambientais após o leilão. No caso de Betim, não houve consenso.

Após a realização do certame e o Rodoanel, enfim, ser entregue à iniciativa privada, ao ser questionado sobre novos processos que possam vir a paralisar o andamento da concessão, Marcato falou que um projeto a ser realizado ao longo de 30 anos estará sempre em risco de sofrer contestações. Mas que o Estado está confiante de que isso não irá acontecer, dada a criteriosa elaboração do contrato.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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