Indústria de móveis de Minas reduz vendas em 29% e vê importação chinesa disparar

Queda registrada entre janeiro e julho deste ano é atribuída, principalmente, à concorrência de produtos importados da China
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Indústria de móveis de Minas reduz vendas em 29% e vê importação chinesa disparar
Foto: Reprodução Adobe Stock

O volume de vendas da indústria mineira de móveis e colchões recuou 29,1% nos primeiros sete meses do ano em relação ao mesmo período de 2025. Quando considerado o faturamento, a queda foi de 26,9%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). A alta de importação de produtos chineses é considerada o principal motivo das quedas.

Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), os preços regionais de mobiliário, no varejo, variaram 3,96% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado, índice acima da inflação geral, que foi de 3,43% no período. A inflação mobiliária regional é maior que a média nacional, que registrou alta de 2,59% no período analisado.

Os dados fazem parte da “Conjuntura de Móveis”, um estudo mensal desenvolvido pelo Iemi – Inteligência de Mercado, com exclusividade para a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel).

Na análise do professor do Ibmec BH, Pedro Hudson Cordeiro, apesar do desempenho positivo, ainda que moderado, da construção civil, setor ao qual o setor moveleiro está diretamente ligado, a indústria mineira de móveis atravessa um cenário de pressão.

Segundo ele, a combinação de concorrência dos móveis importados, especialmente da China, juros elevados e aumento dos custos de produção tem reduzido a competitividade das empresas mineiras. “O custo de produção, a dificuldade de financiamento, tudo isso complica o cenário da indústria moveleira mineira”, afirma.

Entre os principais insumos, Cordeiro destaca o MDF, que acumula fortes altas e pressiona principalmente as pequenas empresas. “É praticamente impossível que marceneiros e a indústria moveleira como um todo absorvam isso sem passar para o cliente. Isso acaba estimulando a alta dos preços, a procura por produtos importados e afetando as vendas e a geração de empregos”, diz.

De fato, os números apresentados pela Abimóvel no cenário internacional são desfavoráveis. De janeiro a julho de 2026, as exportações de Minas Gerais caíram 0,61% em dólar, em relação ao mesmo período de 2025.

Os principais destinos dos produtos mineiros foram os Estados Unidos (18,8%), seguido por Argentina (13,5%) e Chile (7,9%). Nesse período, o setor exportou 104 mil peças, enquanto que no ano passado a soma havia atingido 126 mil peças, queda de 17,4%.

Já as importações, entre janeiro e julho de 2026, aumentaram em 40% em relação ao mesmo período do ano passado. Passando de US$ 14,939 milhões para US$ 20,913 milhões. As principais origens dos produtos foram a China, com 90,9% de participação, seguido por Israel (1,8%) e Itália (1,4%).

Nesse caso, 587 mil peças a mais desembarcaram no Estado neste ano. De janeiro a julho do ano passado, Minas Gerais havia importado 470 mil peças. Neste ano o volume passou para mais de 1 milhão, alta de 124%.

Cândida Cervieri
Cândida Cervieri alerta para o aumento de 40% nas importações de móveis em Minas Gerais | Foto: Divulgação Abimóvel

Segundo a diretora-executiva da Abimóvel, Cândida Cervieri, o cenário do comércio exterior do setor moveleiro merece atenção. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de móveis e colchões recuaram 6,5%, passando de US$ 374,2 milhões para US$ 349,7 milhões. Ao mesmo tempo, as importações cresceram 41,7%, com forte concentração de produtos chineses.

“Esse movimento é especialmente preocupante porque ocorre simultaneamente à perda de espaço das exportações. No mercado norte-americano, um dos principais destinos do móvel brasileiro, as vendas recuaram 42% no semestre, representando uma redução de aproximadamente US$ 44 milhões”, detalha.

Dessa forma, o que chama a atenção é que há uma combinação que pressiona duplamente a indústria nacional: de um lado, menor inserção do produto brasileiro no exterior; de outro, avanço significativo dos produtos importados no mercado interno. “Isso reduz o saldo comercial do segmento e aumenta a pressão sobre a competitividade das empresas brasileiras”, avalia.

No caso de Minas Gerais, ela acrescenta que o crescimento de 40% nas importações reforça essa tendência e mostra como esse fenômeno precisa ser acompanhado também sob a ótica regional. “O ponto central é entender não apenas o aumento das importações, mas seus efeitos sobre produção, competitividade, investimentos e empregos na indústria nacional”, diz.

Ela explica que é justamente diante desse cenário que a Abimóvel intensificou as missões comerciais e as ações de promoção internacional, buscando ampliar e diversificar mercados, aproximar as empresas brasileiras de novos compradores e gerar oportunidades concretas de negócios. “A estratégia é fortalecer a presença internacional do móvel brasileiro e reduzir a dependência de mercados específicos, ao mesmo tempo em que continuamos trabalhando pela competitividade da indústria nacional”, afirma.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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