Setores têxtil e de confecções buscam fortalecer ambiente de negócios

Inovação e tecnologia ainda são gargalos para os setores

4 de dezembro de 2023 às 12h40

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Levantamento aponta que setores ainda precisam de investimentos em capacitação e inovação para concorrer com produtos importados | Crédito: Freepik

Respondendo por 13% do total de empregos da indústria e 8,2% da remuneração média mensal, os setores têxtil e de confecções buscam estratégias para aumentar a competitividade, ampliar a capacidade produtiva, o emprego e a geração de renda em um contexto de concorrência com a produção chinesa e asiática. As informações foram divulgadas pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e fazem parte do Estudo de Competitividade dos Setores Têxtil e de Confecção em sua área de atuação, que mostra ainda a alta empregabilidade de mulheres, o número de municípios envolvidos na cadeia produtiva e a participação no Produto Interno Bruto (PIB).

O levantamento, que aponta desafios e potencialidades dos setores, foi apresentado durante o 1º Encontro Regional dos Setores Têxtil e de Confecção e apontou que, entre os participantes, os fatores de sucesso para as empresas nos próximos anos são o ambiente de negócio favorável (79%), seguido de colaboradores capacitados (64,7%), acesso a financiamento e incentivos (62,7%), utilização de tecnologias e inovação (58,1%), boas práticas ambientais (51,8%), logística mais eficiente (49,9%), produtos diferenciados (45,9%), certificações técnicas (42,4%), plataformas de e-commerce (36,7%) e preços competitivos (36,7%).

A força de trabalho nos setores têxtil e de confecções, segundo a pesquisa, é predominantemente feminina (52,7%). No entanto, os dados mostram que a variação média da remuneração das mulheres é inferior à dos homens (-17,9%). 

Com participação de 6% do valor gerado pela indústria brasileira em 2021, a pesquisa destaca ainda que os setores têxtil e de confecções não são exportadores e que a produção brasileira se volta ao mercado interno, concorrendo com a produção chinesa e asiática. A liberação do comércio e a formação da Cadeia Global de Vestuário em 2005 fez com que o Brasil, juntamente com a América Latina, reduzissem a competitividade da indústria têxtil e de confecções. 

Ambiente de negócios favorável, colaboradores capacitados e acesso a financiamento e incentivos são os principais fatores citados por empreendedores para o sucesso das empresas dos setores | Crédito: Freepik

Desafios da indústria têxtil e de confecções

De forma geral, os principais desafios enfrentados pelos setores, segundo o estudo, são o aumento da concorrência com produtos importados, limitações de governança econômica, cooperação reduzida e integração entre as empresas. Além disso, foram apontados o crédito com custo elevado, investimentos reduzidos, a concorrência de uma parcela significativa do setor com padrão de competição de preço em posição desvantajosa, somados aos custos e burocracia para vendas fora do mercado regional.

O elevado grau de protecionismo quando comparado à média mundial, além da estrutura setorial pouco integrada à cadeia global de produção e poucos acordos comerciais com o restante do mundo são alguns dos desafios listados pelo estudo da Sudene. De acordo com a pesquisa, há oferta de crédito subsidiado e direcionado, mas o custo é muito elevado, principalmente para pequenos empreendimentos. 

Outra informação é que existe financiamento próprio das empresas que atrela investimento à disponibilidade de recursos da empresa e anula o papel de alavancagem do crescimento em conjunturas desfavoráveis. Quanto às fintechs, elas se apresentam como tendência para agilizar e reduzir os custos de transação do crédito.

Nas áreas de inovação e evolução tecnológica dos setores, ficou evidenciada uma reduzida cooperação entre elos da cadeia e área de conhecimento, além de um baixo acesso a políticas públicas de apoio e incentivo à inovação entre 2015 a 2017, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um ponto levantado é que a inovação tecnológica é essencialmente incremental, com atualização regular do parque de máquinas e tendo como referência a tecnologia usada no mercado nacional. 

O financiamento da inovação é feito, em sua maioria, com recursos das próprias empresas (têxtil 98,9% e confecções 92,9%, maior que o da indústria da transformação). As microempresas têm maior dificuldade para acompanhar a evolução tecnológica, mesmo sendo uma tecnologia incremental, especialmente devido ao custo e ritmo acelerado da inovação.

Uma possibilidade de acesso a mercados e pequenos produtores são as feiras realizadas pelos setores que, conforme o estudo, criaram uma referência regional que atrai compradores (pequeno varejo e atacado), diminuindo o custo de distribuição. Por outro lado, o desafio para os setores é melhorar a infraestrutura e articular o comércio digital com o presencial, vencendo a reduzida capacitação dos produtores para participação no comércio eletrônico.

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