Economia

Programa de inovação Compete Minas terá R$ 50 milhões em investimentos, ‘bolsa-empreendedor’ e foco no interior

As inscrições começam em 15 de junho e vão até 30 de julho
Programa de inovação Compete Minas terá R$ 50 milhões em investimentos, ‘bolsa-empreendedor’ e foco no interior
Foto: Diário

O Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), investirá R$ 50 milhões para o desenvolvimento de produtos, serviços e tecnologias inovadoras propostas por empresas, startups ou cooperativas sediadas em Minas Gerais.

O lançamento da nova e quinta convocação do programa Compete Minas aconteceu nesta quarta-feira (10) na sede da Fapemig. As inscrições começam em 15 de junho e vão até 30 de julho.

Criado em 2022, o programa incentiva propostas que podem abranger desde setores tradicionais e produtores de commodities até empresas de base tecnológica, fomentando projetos que agreguem valor e contribuam para o fortalecimento da economia mineira, sobretudo das pequenas empresas.

De acordo com o subsecretário de Ciência e Tecnologia, Lucas Mendes, o objetivo principal do projeto é aumentar a competitividade das empresas do Estado no mercado e resolver um gargalo do setor produtivo.

“O Compete é uma iniciativa para garantir não só que as empresas inovem, mas também para que elas interajam com a academia, com os nossos institutos de ciências e tecnologia, para transferência de tecnologia e geração de novos produtos, novos negócios, metodologias, serviços, dentre muitas outras inovações”, afirmou.

O subsecretário ressaltou ainda que a ideia é descentralizar os recursos e atender a todo o Estado. “Quando a gente observa as ações do governo antes de 2019, por exemplo, a gente vê uma concentração de beneficiados das políticas de inovação em Belo Horizonte e região metropolitana. Agora, a gente atua muito mais com a descentralização. Boa parte dos projetos do Compete das edições passadas beneficiou mais as empresas, pesquisadores e empreendedores do interior”, afirmou.

De acordo com o subsecretário, 700 projetos foram apresentados na última edição. A expectativa é que o número de propostas seja ainda maior neste ano.

Durante o lançamento, o presidente da Fapemig, Carlos Arruda, mencionou os fatores que inovam o edital neste ano. A primeira delas é a valorização da continuidade. O professor explica que dentro do edital estão sendo valorizados projetos que já passaram em alguma fase das edições anteriores ou em outros editais de outras agências. “Nós queremos valorizar esses projetos dando continuidade a eles”, afirma.

Outro fator que ele elenca como relevante é o avanço na cadeia de valor. “A gente vê que há muito valor agregado em algumas cadeias das quais Minas Gerais participa de maneira significativa como o café, por exemplo, e vamos valorizá-los .

Outro elemento que o professor entende ser fundamental e que faz a diferença na capacidade de inovar é o uso da inteligência dos outros como vantagem, a chamada inovação aberta.

“Nós entendemos que um fator diferencial na inovação das empresas mineiras é a capacidade de usar a inteligência de outros, ou seja, a gente incentiva propostas que venham com parcerias com outras instituições. Então, a gente convida e valoriza aqueles projetos que têm parceiros no seu desenvolvimento porque a gente entende que sozinho a gente vai mais rápido, mas talvez juntos a gente vá mais longe”, diz.

O edital deste ano integra o Pacote de Inovação, anunciado pelo Governo de Minas em maio, que prevê R$ 203 milhões em investimentos no ecossistema mineiro de ciência e inovação no ano de 2026.

Sebrae fornecerá verba adicional

Tradicional parceiro da iniciativa, nesta edição o Sebrae Minas amplia seu papel ao deixar de atuar apenas na orientação técnica e passar a investir diretamente recursos financeiros nos projetos selecionados.

De acordo com a gerente de Inovação e Mercado do Sebrae Minas, Lina Volpini, a instituição já contribuía em edições anteriores com a divulgação do programa e com a oferta de consultorias para elaboração de projetos, subsidiando até 70% desse processo. Agora, o avanço se dá com a entrada direta de capital no edital.

A novidade é a criação da chamada “bolsa sócio-empreendedor”, que prevê um aporte total de R$ 2 milhões. Os recursos serão distribuídos por meio de bolsas mensais de R$ 6,5 mil, durante seis meses, beneficiando cerca de 50 pequenos negócios. “Esse é o formato da participação do Sebrae este ano, com aporte financeiro direto para apoiar o desenvolvimento das empresas”, explica a gerente do Sebrae.

A iniciativa busca fortalecer a capacidade de inovação dos pequenos negócios, considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico. Segundo a gerente, o incentivo financeiro pode ser determinante para que ideias inovadoras saiam do papel e se transformem em produtos ou serviços competitivos no mercado.

“Essa verba para os pequenos negócios acelera a competitividade. Eles precisam inovar, e a base da inovação é a tecnologia”, afirma. Ainda na avaliação da gerente, o novo modelo representa não apenas um reforço financeiro, mas também um estímulo à transformação dos pequenos negócios. “Estamos, na prática, alavancando um processo de inovação, colocando tecnologia na veia dessas empresas”, conclui.

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