Itaminas prevê investimentos de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões em 2026
Os investimentos em expansão da Itaminas neste ano devem somar entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões, revelou ao Diário do Comércio, nesta quinta-feira (18), o CEO Thiago Toscano. Em 2025, a mineradora de Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), já havia investido cerca de R$ 300 milhões para ampliar as operações.
Os aportes fazem parte do pacote de R$ 1,5 bilhão, programado para o período de 2024 a 2033 e anunciado anteriormente pela empresa. O plano visa, sobretudo, aumentar o volume de produção e o teor de ferro do minério produzido para atender à demanda do setor siderúrgico por produtos de maior qualidade e com baixa emissão de carbono.
“Temos investido muito na rota de processo, principalmente naquilo que chamamos de cominuição para que o minério fique mais fino e mais aderente às concentrações magnéticas. Estamos investindo na moagem, na base das espirais e estudando qual é a melhor rota da sequência: se é concentração magnética, se é flotação…”, afirmou o executivo em entrevista à reportagem durante o Brazil Lithium & Critical Minerals Summit 2026, evento promovido em Belo Horizonte pela The Net-Zero Circle by IN-VR.
Para fazer frente aos investimentos traçados, a Itaminas, que tem como proprietários Argeu Géo, do Grupo Agéo, e Rodrigo Gontijo, do Grupo AVG, cada um com 50% de participação, está prestes a concluir uma captação de recursos, segundo Toscano. Por força de acordo de confidencialidade, ele não informou o valor envolvido na negociação.
Mineradora vê impactos na receita, mas diz estar preparada para manter os aportes
O aumento nos preços do frete marítimo em decorrência da guerra no Oriente Médio e a acentuada desvalorização do dólar frente ao real trazem desafios para a Itaminas neste ano. No entanto, a mineradora mantém o pé no acelerador na execução dos aportes.
Segundo Toscano, o orçamento da empresa para 2026 contemplava o dólar a mais ou menos R$ 5,60, mas a moeda norte-americana tem ficado a cerca de R$ 5,10, o que gera aproximadamente 10% de perda de receita. Conforme o CEO, a elevação do frete também provoca queda na receita, já que os clientes descontam o valor no pagamento do minério.
Apesar deste cenário, o executivo afirmou que a Itaminas segue entregando custo abaixo do que havia orçado e próximo do resultado considerando a redução na receita. Ele também disse que a mineradora está preparada para não paralisar os investimentos com ‘soluços’ de curto prazo e que seu plano de longo prazo leva em conta os momentos de alta e baixa.
Outro ponto ressaltado pelo CEO é que os preços dos fretes marítimos já começaram a cair com o acordo de paz na guerra do Oriente Médio e que a empresa espera que a trajetória de queda continue. O documento que põe fim aos conflitos iniciados em fevereiro deste ano foi assinado nesta semana pelos Estados Unidos e pelo Irã.
Crescimento no faturamento e no volume de produção
Em razão dos impactos na receita, a Itaminas projeta crescimento no faturamento anual em ritmo mais moderado. Toscano disse que a empresa deve faturar mais do que em 2025, mas sem repetir o salto de cerca de 30% registrado em relação a 2024.
Conforme o CEO, o maior foco da mineradora neste momento está no ganho de volume de produção. A expectativa é atingir em torno de 8,5 milhões de toneladas de minério de ferro neste ano, superando os oito milhões de toneladas alcançados no ano passado, segundo ele.
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