Economia

Vendas de loteamentos crescem 40,9% em Minas, mesmo com queda nos lançamentos

Valor Geral de Lançamentos (VGL) apresentou retração, que chegou a 63% neste ano, passando de R$ 1,2 bilhão para R$ 457 milhões
Vendas de loteamentos crescem 40,9% em Minas, mesmo com queda nos lançamentos
Foto: Reprodução Adobe Stock

O mercado de loteamentos em Minas Gerais registrou crescimento de 40,9% no primeiro trimestre de 2026, com a venda de 2.958 unidades de lotes. O avanço foi impulsionado pelo segmento de loteamentos abertos, que saltaram de 596 para 1.538 unidades comercializadas, uma alta expressiva de 170,3%.

Por outro lado, os loteamentos fechados recuaram 7,3%, passando de 1.531 para 1.420 unidades. Os dados constam no Estudo de Mercado de Loteamento de Minas Gerais produzido pela Brain Inteligência Estratégica a pedido de entidades do setor, como a Associação das Empresas de Loteamento de Minas Gerais (Aelo-MG).

Com o recuo nos lotes fechados, o setor apresentou uma queda considerável no Valor Geral de Vendas (VGV). Entre janeiro e março deste ano, o setor totalizou R$ 664 milhões em comercializações, enquanto no ano passado o valor superava R$ 1 bilhão.

O Valor Geral de Lançamentos (VGL) também apresentou retração, que chegou a 63% neste ano, passando de R$ 1,2 bilhão para R$ 457 milhões. O desempenho foi impactado sobretudo pela redução de 80,4% no VGL de loteamentos fechados, enquanto os abertos avançaram 234,4% no período.

O presidente da Aelo-MG e diretor de loteamentos do Sinduscon-MG, Gustavo Amorim, pontua que, apesar da queda no número de lançamentos, o mercado cresceu nas vendas. Segundo ele, além da compra para moradia, a aquisição de lotes, especialmente abertos, surgem como investimento em segurança em um momento de incertezas políticas e econômicas. “Pessoas buscam segurança, e o lote acaba sendo essa segurança. É um produto que se mantém bem nesses momentos de crise, tanto de forma aberta quanto fechada”, destaca.

Para Amorim, Minas Gerais segue em linha com o desempenho observado no País, com destaque para cidades-polo, além do eixo metropolitano. “A Grande BH, o Triângulo Mineiro e o Sul de Minas, além de Montes Claros, são polos dos vetores de crescimento de Minas Gerais. Montes Claros, por exemplo, tem uma dinâmica comercial muito forte, recebe muitos investimentos, o que gera grandes oportunidades para empreendimentos”, detalha.

O baixo estoque, no entanto, segue como o maior desafio, especialmente para Belo Horizonte e cidades no entorno. O dirigente destaca que a região possui estoque de 10 meses, ou seja, se não houver lançamentos nesse período, acaba-se a oferta, e consequentemente, aumenta-se o custo.

Para os próximos meses, a expectativa é otimista, com previsão de aumento no número de lançamentos. “Historicamente, o segundo semestre concentra mais aprovações e lançamentos. Como as vendas seguem resilientes, estamos otimistas com os próximos lançamentos, mesmo diante das incertezas no cenário político e econômico, nacional e internacional”, comenta Amorim.

A categoria também trabalha para reduzir pela metade o prazo de aprovação dos projetos junto a Copasa, à Secretaria de Meio Ambiente e à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. Com a redução, de 4 anos para 2 anos em média, a expectativa é aumentar a oferta de lotes, especialmente durante o lançamento.

Demanda segue aquecida, mesmo com juros elevados

Ao analisar o mercado, o economista e conselheiro de política econômica Stefan D’Amato, comenta que o desempenho das vendas mostra que, mesmo em um ambiente de juros elevados, existe uma demanda estrutural por expansão urbana em Minas Gerais, alinhada ao atual momento econômico brasileiro. “Em períodos de maior incerteza e crédito mais seletivo, o lote passa a funcionar como uma forma de proteção patrimonial e reserva de valor, sustentando parte dessa demanda”, avalia.

Por outro lado, D’Amato chama atenção para o elevado patamar de juros, que encarece o financiamento, reduze a capacidade de parcelamento das famílias e aumenta o custo financeiro dos novos empreendimentos. Segundo ele, esse cenário pode ajudar a explicar a desaceleração dos lançamentos, ou seja, o mercado continua aquecido do lado da demanda, mas enfrenta limitações crescentes do lado da oferta.

Na ótica do investidor, o movimento também faz sentido no atual contexto econômico. Para o economista, o loteamento, especialmente em cidades médias e regiões de expansão urbana, acaba funcionando como um ativo com potencial de valorização no médio prazo, além de exigir um desembolso inicial menor do que imóveis prontos. “Isso ajuda a explicar parte do avanço das vendas, mesmo com a desaceleração dos lançamentos”, argumenta D’Amato.

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