Motoristas de app lucram até 70% mais com carros elétricos, aponta estudo
Motoristas de aplicativo que utilizam carros elétricos conseguem obter até 70% mais lucro em comparação aos profissionais que conduzem veículos movidos a gasolina ou a etanol. A conclusão é de um estudo feito pela GigU, plataforma especializada na análise de desempenho desses trabalhadores, e que aponta vantagens da adoção do automóvel eletrificado.
O levantamento da GigU foi feito com base em dados operacionais de 56 mil motoristas em 22 estados brasileiros, incluindo Minas Gerais, e divulgado em abril. Conforme a pesquisa, enquanto a margem média dos condutores de veículos à combustão é de 36,8%, a relação para quem atua com o elétrico chega a 57%. O motivo, segundo a empresa, está no custo do quilômetro rodado, que diminui o impacto da volatilidade dos preços dos combustíveis sobre a renda dos trabalhadores.
“O carro elétrico muda completamente a lógica de custo do motorista. A energia passa a ser o principal insumo da atividade, e hoje já existem alternativas que permitem reduzir esse gasto sem investimento inicial, o que impacta diretamente a renda de quem depende do veículo para trabalhar”, afirma o diretor da Coesa Energia, Luís Fernando Roquette.

A Coesa é uma empresa de Belo Horizonte que oferta energia solar por assinatura. Conforme Roquette, nesse modelo, consumidores utilizam créditos de energia gerados em usinas solares remotas e obtêm descontos na conta de luz sem necessidade de instalação de painéis solares nos imóveis. Segundo ele, a alternativa, utilizada por consumidores residenciais e pequenos negócios, começa a ser adotada entre os usuários de veículos elétricos.
Prós e contras do carro elétrico
O vice-presidente da Sociedade Mineira de Engenharia (SME) e CEO da Clam Sustentabilidade, José Cláudio Nogueira, aponta diversos benefícios da adoção do carro eletrificado. Segundo ele, é um veículo mais confortável para dirigir, pois tem ruído menor e rodagem mais “macia”, o que reduz o cansaço e o estresse dos condutores no trânsito. Outra vantagem é a manutenção mais barata já que o motor elétrico tem menos partes móveis na comparação com um motor à combustão. “A manutenção é mais longa e mais barata. Você não precisa trocar óleo da direção hidráulica, você não tem correia, você não tem uma série de outros fluidos de arrefecimento, não tem filtros de óleo, de combustível, de tomada de ar do motor”, diz.
Como pontos negativos, Nogueira declara que ainda existe uma limitação de locais de recarga e de tempo de duração da própria bateria, situações que estão sendo contornadas aos poucos, com a multiplicação de estações de recarga e com a melhoria da autonomia das baterias, que estão acumulando mais energia. “Então você consegue rodar praticamente o dia inteiro e reabastecer seu carro em casa com energia do seu carregador ou, eventualmente, de um sistema fotovoltaico que você possa ter em casa para abastecer seu carro”, pontua.

Outra desvantagem, ainda conforme o especialista, é o preço de revenda dos elétricos. “Ainda não é motivador. O carro elétrico deprecia muito rapidamente e, dessa forma, quando você vai vendê-lo, ele tem um preço não conveniente e esse deve ser um ponto de atenção para os motoristas que pensam em adquirir um carro elétrico para serviço de aplicativo”.
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Carregar em casa é possível, desde que a rede seja segura
José Cláudio Nogueira também traz orientações para a recarga de veículo elétrico em casa. De acordo com o especialista, é possível carregar o automóvel lentamente durante a noite e madrugada na residência. “O sistema normal que você tem de energia na sua casa consegue fazer essa carga. Mas é preciso seguir as normas técnicas adequadas porque, obviamente, se o seu sistema for uma gambiarra, você pode ter problema”, alerta.
Uma dica que o engenheiro dá é a instalação de um sistema de produção de energia através de células fotovoltaicas. “É muito interessante isso porque ele pode então produzir a energia que ele vai usar na casa dele e no carro dele através de um sistema desse tipo de geração de energia fotovoltaica. Hoje, esses sistemas já são implantados por empresas terceirizadas que fazem tudo de acordo com as normas técnicas. Então, o motorista consegue, praticamente, pagar esse sistema com a economia do sistema implantado em cerca de 30 meses”, completa.
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