Economia

Médio Piracicaba avança para criar primeiro polo de bioeconomia de Minas Gerais

Iniciativa, articulada pelo Agir, deve ser sancionada em aproximadamente 30 dias; Mercado tem potencial de superar 1/4 do PIB do Estado até 2050
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Médio Piracicaba avança para criar primeiro polo de bioeconomia de Minas Gerais
Itabira é uma das cidades que integrará primeiro polo deste tipo no Estado; oficialização está prevista para ser nos próximos 30 dias | Foto: Marcelo Metzker / ALMG

A microrregião do Médio Piracicaba deve oficializar nos próximos 30 dias a criação do primeiro polo de bioeconomia de Minas Gerais. A iniciativa, articulada pela Agência de Inovação e Desenvolvimento Regional Sustentável do Médio Piracicaba (Agir), busca substituir gradativamente a mineração por atividades econômicas sustentáveis.

O polo contemplará nove cidades que integram o Médio Piracicaba: Alvinópolis, Bela Vista de Minas, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Rio Piracicaba, Santa Bárbara, São Domingos do Prata e São Gonçalo do Rio Abaixo. A bioeconomia é uma das maiores apostas para o futuro da economia e o mercado tem potencial de superar 1/4 do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado até 2050.

As informações foram detalhadas pelo presidente da Agir e diretor do Plano Regional de Desenvolvimento do Médio Piracicaba, Eugenio Müller. Segundo ele, com o reconhecimento formal pelo Legislativo e Executivo Estadual nos próximos 30 dias, haverá a formalização oficial do Polo. “Os trabalhos já começaram, mas a sanção deste Projeto de Lei é fundamental para termos a chancela devidamente reconhecida”, explica.

O diretor relembra que os trabalhos avançaram significativamente desde a criação da agência, há dois anos. Nesse período, foram firmadas parcerias com o poder público para trabalhar temas como contas públicas, competitividade do território, desenvolvimento regional, além de parcerias com universidades para discutir o melhor tratamento para rejeitos de mineração.

“O rejeito da mineração é tão volumoso que exigirá mais de uma centena de frentes de aproveitamento e escoamento. Apenas em Itabira, a previsão é de cerca de 10 milhões de toneladas anuais de rejeito arenoso transformado em areia para uso industrial e na construção civil. Esse volume equivale a aproximadamente 13% da produção formal de areia do Brasil”, detalha Müller.

É nesse potencial que está ancorada a idealização do Polo de Bioeconomia do Médio Piracicaba. A partir dessa perspectiva, a região a trabalhar na construção de um arranjo territorial voltado ao desenvolvimento de alternativas sustentáveis para o aproveitamento desses recursos, transformando passivos ambientais em oportunidades econômicas.

Mais do que um projeto setorial, o diretor argumenta que o polo representa uma estratégia de desenvolvimento territorial capaz de integrar inovação, sustentabilidade, diversificação econômica e geração de oportunidades para os municípios do Médio Piracicaba. “Buscamos referências em experiências internacionais, especialmente em polos de bioeconomia consolidados na Alemanha, para estruturar um modelo adaptado à realidade regional”, afirma.

Embora ainda não esteja oficializado, o Polo de Bioeconomia já possui entre 20 a 30 empresas no Médio Piracicaba, como indústrias de tintas e demais itens produzidos a partir de rejeitos da mineração. “Os resultados ainda estão muito aquém do potencial que a região possui. É um começo, uma forma de sair da inércia e mostrar que existem alternativas concretas para o desenvolvimento sustentável. Mas entendemos que estamos diante de algo extremamente promissor, com capacidade de gerar novos negócios, atrair investimentos e criar oportunidades para toda a região”, avalia o diretor.

Bioeconomia ganha força nas projeções globais

O potencial também é confirmado nas projeções globais. A bioeconomia é um dos setores que mais cresce no mundo e tem assumido papel estratégico nas agendas de desenvolvimento sustentável.

Segundo Müller, o segmento movimentava cerca de 2 trilhões de euros globalmente em 2023, com projeções de expansão expressiva nas próximas décadas. Até 2050 é esperado que o mercado movimente 30 trilhões de euros, sendo R$ 2,7 trilhões no Brasil, equilavendo a 1/4 do PIB, com participação ainda maior no Estado.

“Hoje, a região responde por quase metade da produção da Vale em Minas Gerais. Mas temos a convicção de que a verdadeira virada de chave para o futuro do território está na bioeconomia. Esse processo não acontecerá de forma isolada; ele depende de um somatório muito intenso de esforços, envolvendo empresas, universidades, poder público e sociedade”, finaliza o diretor.

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