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Mercado de cerveja sente efeito Backer

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Crédito: Pixhere

Apesar de Minas Gerais contar com um amplo mercado de cervejarias, a contaminação na fábrica da Backer, que rendeu um saldo de nove mortes investigadas por contaminação por dietilenoglicol, impactou o mercado consumidor.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (Sindbebidas/MG), Marco Falcone, embora os clientes antigos continuem a comprar cervejas artesanais, os novos entrantes, aquele público que estava começando a aprender sobre o setor, diminuiu. “Muitos acham que toda cervejaria é a Backer”, afirma. Além disso, o setor agora enfrenta outro desafio: a alta significativa do dólar impacta os custos dos fabricantes.

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Não é possível prever ainda, em números, segundo Marco Falcone, de quanto deverá ser o impacto dessa redução de um novo público consumidor de cervejas artesanais, que crescia cerca de 20% ao ano. No entanto, mesmo tendo em vista essa nova realidade, o mercado não deve parar, ainda de acordo com o vice-presidente do Sindbebidas/MG, e novas marcas deverão surgir este ano no Estado.

De acordo com os dados do Anuário da Cerveja 2019, publicado na última quinta-feira (12) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Minas Gerais já tem 163 cervejarias, terceiro maior número no Brasil, atrás apenas de São Paulo (241) e Rio Grande do Sul (236).

“Minas Gerais é considerado o terceiro maior Estado em produção, mas, no que diz respeito ao mérito técnico, é o mais relevante do País. Temos cervejarias mais criativas, que fazem ótimos produtos. Minas é conhecida como a Bélgica brasileira” ressalta.

Talvez por isso, nem mesmo os diversos desafios devem parar a proliferação das cervejarias em Minas Gerais. Além da queda no número de consumidores, que, segundo Marco Falcone, deve se reverter após a elucidação de todo o caso Backer “que foi uma falha pontual”, diz ele, o segmento encontra também outros gargalos para sobreviver no Estado.

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O vice-presidente do Sindbebidas/MG afirma que, além dos altos impostos, a alta do dólar também atinge em cheio o setor. Para se ter uma ideia, a moeda-norte-americana fechou a sexta-feira (13) com um aumento de 0,51%, chegando a R$ 4,8127. E, como boa parte da matéria-prima das cervejarias é importada, como o lúpulo, isso faz bastante diferença para os negócios. “Estamos tentando ao máximo evitar aumento de preços, mas chega uma hora que não é possível”, diz ele, que lembra, ainda, que existe mais um desafio no segmento: a concorrência desleal com as grandes cervejarias.

Mais números – Em todo o Brasil, o mercado de cervejarias cresceu 36% em 2019, atingindo um total de 1209 estabelecimentos. No ano passado, foram abertas 320 fábricas no País. Nos últimos 20 anos, a média de crescimento do segmento foi de 19,6% e, nos últimos cinco anos, de 36,4%. A cerveja é a bebida mais registrada no Brasil e conta com um total de 27.329 rótulos.

“O nosso setor é sério e é importante reforçar que o público confie no segmento. As cervejas artesanais são produzidas com cuidado, com um controle de qualidade até maior do que o de outras cervejarias. Além disso, somos severamente fiscalizados pelo Ministério da Agricultura”, afirma Marco Falcone. “Vamos conseguir retomar a confiança desse público novo”, salienta.

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