Mercado imobiliário de BH e Nova Lima movimenta R$ 3,5 bilhões no primeiro semestre de 2026
As vendas de imóveis em Belo Horizonte e Nova Lima somaram R$ 3,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, o que corresponde a uma alta de 27% em relação ao mesmo período de 2025. É o que mostra um levantamento da GeoBrain, com dados apresentados pela Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc).

Embora haja alta no Valor Geral de Vendas (VGV), o avanço foi em ritmo inferior quando comparado ao número de unidades comercializadas – que chegou a 51%, com 3,7 mil imóveis vendidos. Esse cenário também converge com o aumento dos lançamentos, que chegou a cerca de 4 mil unidades colocadas no mercado, um avanço de 57% na comparação anual. O VGV dos lançamentos atingiu cerca de R$ 3,4 bilhões, crescimento de 34% em relação aos seis primeiros meses de 2025.
A diferença entre o crescimento do volume de imóveis e o valor total negociado indica redução do valor médio por unidade comercializada. O movimento, porém, não permite concluir que os preços dos imóveis caíram, uma vez que o resultado também é influenciado pela composição dos segmentos que concentram as vendas.
“O desempenho de Belo Horizonte e Nova Lima mostra a importância de olhar tanto para a participação de cada segmento quanto para seu ritmo de crescimento. O Médio e Alto Padrão teve o maior peso na expansão das vendas, ao lado do avanço dos compactos e do padrão econômico”, explica o presidente da Abrainc, Luiz França.
Médio e alto padrão lideram vendas em volume
Os imóveis classificados como de Médio e Alto Padrão (MAP), com valores entre o teto do segmento econômico e R$ 5 milhões, responderam pela maior parte das vendas. Foram 2,4 mil unidades comercializadas no primeiro semestre, alta de 42% ante o mesmo intervalo de 2025. O VGV da categoria chegou a R$ 2,43 bilhões, crescimento de 31%.
Os imóveis compactos, classificados como studios, registraram 767 unidades vendidas, aumento de 41%. O VGV desse segmento avançou 71%, para R$ 583 milhões, crescimento superior ao observado no volume de vendas.
Já a categoria econômica, que inclui imóveis com preços até o teto do Minha Casa Minha Vida (MCMV), apresentou a maior expansão percentual entre os segmentos. As vendas passaram de 148 para 468 unidades, alta de 216%. O VGV cresceu 199%, para R$ 141 milhões. Apesar do avanço expressivo, o resultado parte de uma base reduzida no primeiro semestre de 2025.
Na faixa de luxo, formada por imóveis acima de R$ 5 milhões, as vendas subiram de 48 para 56 unidades, crescimento de 17%. Apesar do aumento no volume, o VGV caiu 30% na comparação anual. O dado indica que o valor total negociado nessa categoria recuou, mesmo com a comercialização de mais imóveis.
Lançamentos crescem 57%, com avanço do segmento econômico
A expansão dos lançamentos foi puxada pelo Médio e Alto Padrão e pelo segmento econômico. O MAP registrou 2,8 mil unidades lançadas, alta de 55% em relação ao primeiro semestre de 2025. O VGV da categoria chegou a R$ 2,56 bilhões, crescimento de 22%.
No segmento econômico, os lançamentos saltaram de 107 para 622 unidades, avanço de 481%. O VGV lançado atingiu R$ 209 milhões, alta de 458%. Assim como nas vendas, os percentuais elevados refletem, em parte, a base menor de comparação.
O mercado de luxo também ampliou a oferta, de 19 para 58 unidades, crescimento de 205%. O VGV lançado avançou 247%, para R$ 352 milhões.
Na direção contrária, os lançamentos de compactos caíram 20%, de 580 para 463 unidades. O VGV recuou 4%, para R$ 272 milhões. O comportamento contrasta com as vendas do segmento, que cresceram 41% no semestre.
Estoque chega a 4,7 mil imóveis
O estoque disponível em Belo Horizonte e Nova Lima somava 4,7 mil unidades em junho de 2026, aumento de 6% em relação a dezembro do ano passado. O VGV correspondente alcançou R$ 9,2 bilhões.
O crescimento da oferta se concentrou no Médio e Alto Padrão, cujo estoque aumentou 15%, para 3,6 mil unidades, com VGV de R$ 7,4 bilhões. No segmento econômico, o número de imóveis disponíveis praticamente dobrou, com alta de 99%, para 253 unidades.
Em contrapartida, os compactos tiveram redução de 31% no estoque, para 667 unidades. Na categoria de luxo, a queda foi de 29%, para 132 imóveis.
A Venda Sobre Oferta (VSO), indicador que mede a proporção da oferta absorvida pelas vendas em determinado período, ficou em 27% no trimestre encerrado em junho. O resultado foi inferior aos 29% registrados em março e aos 34% de dezembro de 2025, mas superou os 20% de junho do ano passado.
Segundo a Abrainc, o aumento do estoque, mesmo diante do crescimento das vendas, está relacionado ao volume de lançamentos que ainda não foi totalmente absorvido pelo mercado.
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