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Mercado vê ajuste e reformas em 2º plano em campanhas

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Brasília – As propostas econômicas dos candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) devem atrair questionamentos, a partir de agora, na disputa presidencial, mas, dificilmente, na visão de agentes do mercado, vão embalar as campanhas nesta rodada final.

Bolsonaro, com 46% dos votos, e Haddad, com 29%, passaram para o segundo turno das eleições presidenciais em votação no domingo (7), depois de uma campanha em primeiro turno que relegou ao segundo plano o debate econômico.

“Eu acho que o detalhamento está fora do radar”, afirmou o economista-chefe do Fator, José Francisco de Lima. “Bolsonaro não precisa disso para avançar e para o Haddad seria muito custoso detalhar alguma coisa nessa linha (do ajuste fiscal)”, completou ele, em referência à chance de o petista afastar um eleitorado cativo, de esquerda, se optar por fazer muitos acenos ao mercado.

“No curto prazo, a situação também é boa para o Bolsonaro. Porque se o dólar cai e a bolsa sobe, e isso for visto como persistente, vai entrar na campanha um argumento importante que é o da confiança e o da estabilidade”, acrescentou ele.

Valorização – Os ativos brasileiros subiram com força na segunda-feira (8), repercutindo o resultado eleitoral do primeiro turno, inclusive a nova composição do Congresso, com o principal índice da bolsa paulista, o Ibovespa, fechando em alta de 4,6% e o dólar recuando 2,35% ante o real.

Na retomada da campanha após a votação de domingo, os presidenciáveis já deram mostras do caminho que pretendem trilhar daqui para frente. Bolsonaro fez fortes críticas ao fato de Haddad se aconselhar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão, reforçando a artilharia contra o establishment e contra a corrupção.

Embora Haddad tenha dito que o que guiará o segundo turno é o debate econômico, criticando o “projeto neoliberal” de seu opositor, ele está centrando esforços para emplacar sua candidatura como de defesa da democracia, tentando marcar uma contraposição ao estilo autoritário associado ao candidato do PSL. O petista também vem reforçando seus laços familiares.

“O tema dessa eleição todinha foi um tema moral, e em cima disso vai continuar sendo no segundo turno. Não acho que tem motivo para, de repente, começar a olhar o lado fiscal, crescimento, coisa que foi pouquíssimo mencionada nesse primeiro turno”, avaliou o economista-chefe do Grupo Confidence, Robério Costa.

Para ele, o fato de um grande número de parlamentares terem sido eleitos na onda de Bolsonaro tende a amainar temores de que, se eleito, ele não teria força para emplacar reformas importantes que o mercado espera, como a da Previdência.

“Agora, mais à frente, em um prazo mais longo, essa expectativa precisa se materializar”, destacou Costa. “O fato de ele ter esse meio de campo mais aberto para atuar não significa dizer que vai conseguir encontrar consenso lá dentro para votar reformas”.

Em condição de anonimato, uma fonte do alto escalão da equipe econômica do governo lembrou que, passada a primeira etapa da disputa ao Palácio do Planalto, também perduram dúvidas sobre o programa de cada um dos candidatos e se as propostas originais seguirão de pé.

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Direções opostas – Apesar de os programas terem direções claras, com o petista priorizando maior participação do Estado na economia e o candidato do PSL se alinhando à cartilha do livre mercado, ambos não detalharam ainda como pretendem implementar as reformas importantes. Ao mesmo tempo, os dois lados vêm flexibilizando posições em busca de menor controvérsia.

“As propostas de Paulo Guedes (assessor econômico de Bolsonaro) são boas. Difícil é implementar”, afirmou a fonte, acrescentando ainda que a expectativa também é de que Haddad caminhe de maneira clara para o centro.

Apesar de o programa do PT defender que é possível equilibrar as contas da Previdência com a retomada dos empregos, formalização de atividades econômicas e maior arrecadação, Haddad já vem publicamente reconhecendo a necessidade de mexer nas regras de acesso à aposentadoria.

Bolsonaro, por sua vez, afirmou, na segunda-feira (8), que, “desde o início”, quer isenção de Imposto de Renda para os que ganham até R$ 5 mil, embora a proposta não conste formalmente em seu programa, mas esteja no do PT.

Ambos, contudo, não esclarecem com números como abrirão mão dessa receita em meio à grave situação fiscal do País, que caminha para seu quinto ano seguido de déficit primário. (Reuters)

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