Diversificação da economia impulsiona expectativa de empregos em Minas Gerais
Minas Gerais é um estado em que o trabalhador pode ter grandes chances de encontrar uma vaga no mercado. É o que revela a Pesquisa de Expectativa de Emprego Q3 2026, estudo desenvolvido trimestralmente pelo ManpowerGroup, empresa global em soluções de força de trabalho.
De acordo com o levantamento, no terceiro trimestre de 2026, 52% das empresas brasileiras pretendem contratar mais profissionais. O estudo indicou que 34% das organizações de Minas Gerais planejam contratar. O Estado aparece entre as regiões com maior expectativa de contratação, atrás do Paraná (38%), da cidade de São Paulo (37%) e do estado de São Paulo (36%), e à frente do Rio de Janeiro (31%).
“Mesmo com um ritmo econômico mais moderado, o Brasil mantém uma das taxas de contratação mais expressivas do mundo, e isso diz muito sobre a confiança das empresas no médio prazo. O que vemos hoje não é só uma corrida por volume de contratações, mas uma busca seletiva: as organizações querem profissionais certos para os desafios certos, sobretudo aqueles ligados à tecnologia e às novas formas de trabalhar”, comenta o Country Manager do ManpowerGroup Brasil, Nilson Pereira.
Para o economista e professor dos cursos de gestão do Uni-BH, Fernando Sette Júnior, o fator humano segue sendo determinante para as empresas, mesmo em tempos de valorização da inteligência artificial. Esse ponto merece destaque, pois a ideia de que a IA encerraria a maioria dos postos de trabalho não está se concretizando, após uma narrativa considerada apocalíptica.
“A inteligência artificial não eliminou os gargalos produtivos, mas alterou profundamente a natureza deles. O que se observa é que a IA funciona como uma ferramenta complementar, e não como um substituto integral do trabalho humano. As empresas perceberam que a adoção dessas tecnologias exige novos conhecimentos, profissionais capacitados e processos adaptados”, observa.
Ele acrescenta que em vez de uma redução generalizada dos empregos, verifica-se uma transformação das ocupações. “As empresas estão sendo obrigadas a contratar profissionais capazes de desenvolver, supervisionar e integrar essas tecnologias aos seus modelos de negócio. Ou seja, a IA não está eliminando a necessidade de trabalhadores, mas redefinindo quais trabalhadores serão mais demandados”, explica.
Diversificação pode ajudar
O bom desempenho de Minas Gerais para o trabalhador que deseja ingressar ou voltar ao mercado corporativo tem um componente importante a destacar: a variedade de segmentos que o Estado possui.
A economia mineira não depende de apenas um setor, mesmo com a predominância de alguns tipos de negócios que se apresentam com grande força econômica, como o agronegócio e a indústria extrativa. Esse perfil versátil foi bem avaliado na Pesquisa de Expectativa de Emprego Q3 2026 do ManpowerGroup.
“O desempenho positivo de Minas Gerais na pesquisa pode ser explicado, em primeiro lugar, pela grande diversificação da economia estadual. O Estado possui uma combinação relativamente equilibrada entre mineração, agronegócio, indústria de transformação, construção civil, energia, comércio e serviços. Essa diversidade torna Minas menos dependente de um único setor econômico e aumenta sua capacidade de gerar empregos mesmo em momentos de desaceleração em determinados segmentos”, comenta o economista e professor do Uni-BH, Fernando Sette Júnior.
“Outro fator importante é a crescente modernização da economia mineira. Belo Horizonte consolidou-se como um dos principais polos de tecnologia e inovação do País, enquanto regiões do interior se beneficiam do dinamismo do agronegócio, da mineração e da expansão da infraestrutura”, destaca.
Para ele, a combinação entre atividades tradicionais e novos setores de maior intensidade tecnológica permite que Minas Gerais apresente um mercado de trabalho relativamente mais resiliente e competitivo. “O desafio daqui para frente será garantir a formação de mão de obra qualificada para atender às novas demandas das empresas e transformar esse potencial em crescimento sustentável e empregos de maior qualidade”, completa.
Querer nem sempre é poder
O head de renda Fixa da Suno, economista e colunista do Diário do Comércio, Guilherme Almeida, indica que a cautela também é necessária para avaliar o cenário de possíveis contratações, já que a intenção de abrir novas vagas não significa que elas serão concretizadas.
“Existe uma intenção de contratação superior por parte dos empregadores nas diversas regiões, inclusive em Minas Gerais, em comparação a demissões ou a uma redução das contratações. Isso pode estar relacionado aos planos de expansão das empresas e, principalmente, à adequação a essa nova realidade de avanço da IA. No entanto, uma coisa é a intenção, outra é sua efetiva concretização. Tenho minhas dúvidas, principalmente porque existem diversos obstáculos à frente, tanto econômicos quanto não econômicos”, analisa.
Almeida destaca outro ponto de atenção quanto à abertura de novas vagas: o cenário econômico. O economista indica que, no campo econômico, ainda há uma política monetária bastante restritiva, com taxas de juros elevadas. “Mesmo com a redução de 0,25 ponto percentual na Selic, trazendo a taxa básica para 14,25% ao ano, ainda estaremos com juros bastante restritivos, muito acima da taxa neutra, o que encarece o crédito e acaba impedindo um crescimento maior do investimento produtivo”, diz.
Ouça a rádio de Minas