Minas perde aportes com novela de voos na Pampulha

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Minas perde aportes com novela de voos na Pampulha
A possível volta das operações de grande porte na Pampulha pode reduzir em 2 milhões de passageiros/ano o movimento em Confins | Foto: Divulgação

Zurich Airport já ameaça deixar consórcio do Aeroporto de Confins

Com 12,75% de participação no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, localizado em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a Zurich Airport não descarta a possibilidade de deixar o negócio, caso o Aeroporto da Pampulha volte a operar voos com aeronaves de grande porte. Em conjunto com o Grupo CCR, a operadora aeroportuária, que administra o Aeroporto Internacional de Zurique, na Suíça, constitui a BH Airport, concessionária responsável pela gestão do principal terminal de Minas Gerais.

De acordo com o CEO da Zurich Airport Latin America, Stefan Conrad, a retomada dos voos de grande porte no terminal localizado na capital mineira vai prejudicar as operações em Confins, absorvendo pelo menos 2 milhões de passageiros/ano. E, diante da indecisão do governo federal quanto à proibição definitiva do retorno das atividades com aeronaves comerciais de longa distância, investimentos milionários já estão deixando de ser feitos no Estado.

“Seguimos negociando e mostrando para todas as autoridades competentes as perdas incalculáveis que a reativação do Aeroporto da Pampulha poderá trazer. Uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu a volta de voos, mas não sabemos quanto tempo irá durar. Enquanto isso, aportes necessários à melhoria das operações em Confins estão suspensos e a Zurich, enquanto investidor financeiro, acabará tendo que deixar o negócio, diante de uma possível inviabilidade”, alertou.

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Soluções – Por outro lado, Conrad pondera que esta não é a primeira opção e que, em conjunto com a sócia CCR, tem buscado soluções para o impasse. A BH Airport, formada pelas duas empresas, tem 51% de participação no Aeroporto Internacional – sendo 25% da Zurich e 75% da CCR – e a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) tem os outros 49%. Juntas, as empresas já investiram R$ 870 milhões na modernização e ampliação do aeroporto, desde que assumiram o empreendimento, em 2014.

“Não quero nem pensar na hipótese da saída do negócio, mas infelizmente ela existe. A Zurich, enquanto administradora e, mais do que isso, operadora e empreendedora, deseja trazer toda sua expertise para a América Latina e para o Brasil. Mas, isso só será possível com o apoio do governo e da população. Toda infraestrutura e redes de serviços que criamos em um aeroporto, visa, antes de tudo, o bem-estar do passageiro. Se não tivermos o passageiro, não há porquê fazer investimentos e manter as operações”, explicou.

Neste sentido, o executivo lembrou que em 2016, a concessionária inaugurou o novo terminal de passageiros do aeroporto internacional. O investimento proporcionou praticamente a duplicação da capacidade aeroporto, que saltou de 10 milhões de passageiros/ano para aproximadamente 20 milhões. “Temos um fluxo anual de cerca de 10 milhões de passageiros, se perdermos 2 milhões para a Pampulha, o negócio será inviabilizado”, reiterou.

Cargas – De toda maneira, as apostas para o empreendimento seguem nos negócios não tarifários do aeroporto. A começar pelas operações do aeroporto-indústria, projeto que se arrasta por anos no Estado, e que poderá, ao sair do papel, elevar a participação do transporte de cargas nas receitas da concessionária dos atuais 10% para algo em torno de 40%.

Em entrevista recente, o diretor-presidente da BH Airport, Marcos Brandão, informou que o início das operações do aeroporto-indústria poderá atrair investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão por meio da atração de empresas de alto valor agregado para a área alfandegária do aeroporto. Quatro empresas já estariam interessadas em se instalarem na área com regime tributário especial.

Atualmente, as receitas da BH Airport são 60% tarifárias e 40% comerciais, divididas entre cargas e serviços. Além da participação das cargas que poderá ser ampliada com o aeroporto-indústria, a companhia negocia outros empreendimentos junto ao aeroporto, constituindo o modelo de Aerotropolis (cidade-aeroporto), visando aumentar a conectividade do terminal.

Para isso, já está em desenvolvimento um projeto de implantação de um shopping center na área do estacionamento do aeroporto. Neste caso, a perspectiva é não apenas apoiar o passageiro, mas o desenvolvimento das regiões conectadas ao terminal. Além disso, uma universidade também negocia a instalação de um campus no local.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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