Muito por esclarecer

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Muito por esclarecer
Foto: Reuters

O aumento da temperatura no Oriente Médio, por conta de conflitos continuados e que, a rigor, nunca tiveram fim e foram escalando – nos tempos atuais – a partir de 1976, mais uma vez faz lembrar que a economia moderna guarda relações umbilicais com o petróleo. E, inclusive, sem que se possa saber especificamente qual seria o peso do próprio “ouro negro”nas guerras que não têm fim. Se o mundo não tem como escapar à realidade, pelo menos não enquanto interesses muito particulares continuarem sendo colocados numa espécie de conta coletiva pela qual todos, de uma forma ou de outra, acabam responsáveis, o Brasil em tese estaria na mesma condição.

E não faltam os que, também por razões um tanto singulares, atuam para fazer crer que sim. Por exemplo, ao defenderem, no entendimento de que se trata do correto, que os preços do petróleo devam permanecer atrelados às cotações internacionais. Mesmo que todos saibamos que o Brasil, precisamente para se livrar da dependência que nos anos 70 do século passado de tornou crítica, foi capaz de, com autonomia, esforços e inteligência, alcançar a autossuficiência. Mais, de identificar reservas cuja produção, hoje, garantem pleno atendimento às necessidades do consumo interno, além de gerar considerável volume de excedentes que são exportados.

Seria, deveria ser, o melhor dos mundos, a realização do sonho que em plena guerra do petróleo, meados da década de 70 no século passado, parecia loucura se não uma aventura patrocinada sob o signo da irresponsabilidade. Porque prevaleceram forças misteriosas, nunca postas às claras, que fazem prevalecer a paridade internacional, mesmo sabendo-se que a produção de um barril de petróleo custa à Petrobras, consideradas todas as margens, menos de US$ 10, enquanto as cotações internacionais multiplicam este valor 10 vezes ou mais. Enquanto isso, o governo local prossegue fazendo malabarismos na tentativa de conter os preços dos combustíveis líquidos nas bombas de abastecimento.

Trata-se de evitar a contaminação dos preços em toda a economia, com repercussões indesejadas no comportamento da inflação e antes, claro, nas condições de vida de toda a população. É absolutamente escandaloso que tudo prossiga nesta toada, sem questionamentos de fôlego, sem explicações minimamente satisfatórias.

Nesse campo, caberia incluir também a ideia bastante difundida, mas igualmente equivocada, falsa e enviesada, de que é necessário defender os interesses dos acionistas da Petrobras assim como de investidores. Como se fosse difícil entender que a estatal deve, sim, estar atenta às condições de mercado, o que pode fazer sem se afastar de suas responsabilidades estratégicas diante das quais não cabe qualquer comparação que mereça ser considerada.

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