Mutari troca fabricação de cosméticos por álcool 70%

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Mutari troca fabricação de cosméticos por álcool 70%
A Mutari deixou de produzir cosméticos devido ao coronavírus | Crédito: Filó Alves Fabrica Mutari 27/10/2010

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) afetou diretamente a Mutari, fabricante de cosméticos (linha profissional e home care), sediada em Belo Horizonte, que teve redução de cerca de 90% nos negócios no último mês.

Como forma de se reinventar e tentar amenizar as perdas em função das medidas de distanciamento social e a paralisação de atividades consumidoras dos produtos da marca, a empresa começou a fabricar álcool 70%.

De acordo com o presidente da Mutari, Olindo Batistelli, a própria estrutura da fábrica está sendo utilizada para a produção do bactericida, que será comercializado e também doado pela empresa nos formatos gel e líquido.

“Começamos fazendo para uso próprio e de familiares e, aos poucos, as demandas foram chegando. No último mês, produzimos cerca de 4 mil litros diariamente”, comentou.

Embora o volume não seja suficiente para suprir as perdas dos pedidos de cosméticos e produtos capilares, conforme o empresário, dará para amenizar os impactos referentes à crise instaurada pelo coronavírus no País.

Na avaliação de Batistelli, o ano não está totalmente perdido sob o ponto de vista econômico, no entanto, os impactos serão fortes e inevitáveis. Ele não arriscou projeções de crescimento ou decréscimo para os negócios da empresa no encerramento de 2020, mas disse que o segundo semestre será desafiador.

“Começamos o ano muito bem. Tivemos os melhores janeiro e fevereiro da história da empresa. Mas a chegada da pandemia interrompeu a curva de crescimento. É difícil dizer se conseguiremos recuperar nos próximos meses, porque o cenário é bastante incerto”, avaliou.

No início de 2020, o presidente da empresa apostava em um incremento de 2,5% no faturamento da Mutari neste exercício, no pior dos cenários. Em 2019, a empresa já tinha registrado avanço de 2% sobre o ano anterior.

“Diante das melhores condições econômicas e dos esforços internos, se crescermos o previsto na pior das hipóteses, já teremos um faturamento 2,5% maior. No cenário mediano esperamos um crescimento de 5% e no otimista de 10% sempre sobre o ano anterior”, disse, em janeiro último.

Sobre o quadro de funcionários, que hoje soma 110 pessoas, o empresário disse que está mantido, com metade trabalhando em home office, com carga horária reduzida, e a outra metade atuando normalmente.

Além da venda para empresas e distribuidoras, a Mutari também está fazendo doações de álcool 70%. Em uma parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG), por exemplo, foram produzidos 4 mil litros de álcool 70% líquido para serem distribuídos entre os hospitais da rede Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Para o processo, a Mutari entrou com a produção e a responsabilidade técnica. Já o IFMG com os insumos necessários para a produção e com a distribuição do material, em galões de 5 litros. De acordo com uma das responsáveis pelo projeto, Flávia Siqueira, o álcool líquido tem a mesma função do álcool em gel, no que diz respeito à proteção ao Covid-19.

A empresa também doou meia tonelada de álcool em gel para a Casa da Acolhida Padre Eustáquio (Cape), em uma parceria com a dupla sertaneja César Menotti e Fabiano, que realizou um show ao vivo na internet, na noite de quinta-feira (16).

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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