Um ano após início de obra na Cristiano Machado, custo de deslocamento para Confins sobe até 19,4%
Passado pouco mais de um ano desde o início das obras da trincheira da Avenida Cristiano Machado, um dos principais corredores de acesso entre a capital mineira e o Aeroporto Internacional de Confins (BH Airport), na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o custo de quem se desloca até o terminal por aplicativo ou táxi subiu de forma expressiva. É o que mostra levantamento da VOLL, agência digital de viagens corporativas, obtido com exclusividade pelo Diário do Comércio.
O estudo comparou mais de 1.300 corridas solicitadas pelo aplicativo da empresa em agosto de 2025, antes do início das intervenções, e em agosto de 2026. Do total analisado, 83% das viagens foram feitas por aplicativos de mobilidade e 17% por táxi, considerando trajetos de ida e volta entre a capital mineira e Confins.
O preço médio de uma corrida entre BH e Confins passou de R$ 129,01 para R$ 144,95, alta nominal de 12,4%. Os valores, no entanto, não foram corrigidos pela inflação. Segundo a VOLL, descontado o efeito inflacionário do período, o aumento real do custo de deslocamento foi de 6,2%.
O impacto foi mais forte nos horários de maior movimento. Entre 6h e 10h, faixa que antes das obras era a mais barata para chegar ou sair do aeroporto, o valor médio saltou 19,4%, de R$ 121,30 para R$ 144,84, praticamente empatando com o custo do restante do dia. No pico da tarde, entre 16h e 20h, o avanço foi de 15,2% (de R$ 129,33 para R$ 148,98). Fora dos horários de pico, a alta foi de 8,6% (de R$ 131,96 para R$ 143,34).
Segundo o cofundador e Chief Business Officer da VOLL, Luiz Moura, o aumento nesses horários está diretamente ligado à dinâmica de precificação dos aplicativos, que reage à concentração de demanda por trajeto, horário e sentido, efeito que se intensifica justamente nos dois picos.
O que explica o aumento
A distância média das corridas teve variação pequena, de 42,3 km para 43,3 km (+2,2%). O fator que mais pesou no bolso, segundo a VOLL, foi o tempo de deslocamento: o trajeto entre BH e Confins passou a levar, em média, 15 minutos a mais, tanto na ida quanto na volta, em comparação com agosto de 2025. Esse tempo adicional é cobrado tanto em corridas de aplicativo quanto de táxi, e se soma à tarifa dinâmica no caso dos aplicativos.
Moura pondera, porém, que o levantamento não permite atribuir todo o aumento exclusivamente às obras: outros fatores, como o preço dos combustíveis e a própria precificação dinâmica das plataformas, também entram na conta. “O levantamento mostra uma associação temporal entre o período das obras e o aumento dos custos, mas não permite atribuir todo o aumento exclusivamente às intervenções”, afirma.
Também cresceu a fatia de deslocamentos de maior valor. Em agosto de 2025, 4,4% das corridas custavam mais de R$ 200; um ano depois, essa proporção chegou a 9,7%, mais que o dobro. Já as corridas acima de R$ 250 saltaram de 0,6% para 2,1% de participação, um avanço de 3,5 vezes. A VOLL não divulga os números absolutos de corridas nessas faixas de preço.
Para o executivo, o efeito recai com força sobre o orçamento de viagens corporativas. “Estamos falando de um custo de quase R$ 400 só com transporte terrestre quando consideramos ida e volta em corridas próximas de R$ 200. Para uma viagem de um ou dois dias, é uma fatia muito relevante do custo total da viagem”, diz Moura, destacando a necessidade de rigor com eficiência e economia nesse tipo de deslocamento.
A VOLL afirma não ter identificado, no levantamento, mudanças de comportamento como redução no uso de aplicativos ou alteração nos horários de viagem em razão do aumento dos custos.
Alternativas enquanto as obras seguem
Enquanto as obras da trincheira estão em andamento, a empresa recomenda a viajantes corporativos avaliar alternativas ao deslocamento individual de carro, como ônibus de conexão que circulam por vias exclusivas e o compartilhamento de veículos entre passageiros com horários de voo próximos. A VOLL também sugere ampliar a antecedência de saída para o aeroporto, já que o aumento do tempo de deslocamento eleva não só o custo do transporte terrestre, mas também o risco de perda de voo e de gastos extras com remarcação ou compra de nova passagem.
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