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ONU faz alerta sobre aceleração de êxodo de venezuelanos

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Crédito: Denis Balibouse / Reuters

Genebra – O êxodo de venezuelanos para países vizinhos se acelera. O alerta é da nova alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, Michelle Bachelet. Em seu primeiro discurso diante do Conselho de Direitos Humanos da entidade ontem, a ex-presidente do Chile apontou que se é necessário ajudar os países fronteiriços a acolher essa massa de pessoas e são as violações sofridas por essa população na Venezuela que devem ser sanadas para que o fluxo seja interrompido.

Na avaliação de Bachelet, assim como na Nicarágua, a Venezuela registra “sérias violações de direitos humanos”. “Cerca de 2,3 milhões de pessoas deixaram o país até o dia 1º de julho, o que representa 7% do total da população, diante de falta de alimentos ou acesso a remédios e saúde, insegurança e perse

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guição política”, disse a chilena. “Esse movimento está se acelerando”, alertou.
“Na primeira semana de agosto, mais de 4 mil venezuelanos por dia entraram no Equador, 50 mil venezuelanos chegaram à Colômbia em um período de três semanas em julho, e 800 venezuelanos por dia estão agora entrando no Brasil”, afirmou Bachelet.

“O movimento dessa magnitude é sem precedentes na história recente das Américas e a vulnerabilidade deles que deixam o país também aumenta”, destacou, chamando a atenção para a situação difícil de idosos, mulheres grávidas e crianças.

De acordo com ela, desde que a ONU publicou seu último informe, a entidade continuou a receber informação sobre violações de direitos sociais e econômicos, tais como casos de mortes relacionadas a má nutrição, assim como violações de direitos políticos, incluindo detenções arbitrárias e restrição de liberdade de expressão. “O governo não mostrou abertura para medidas genuínas de responsabilidade”, criticou.

Nicarágua – Outro alerta feito por Bachelet se refere à situação da Nicarágua. “O número de pessoas deixando o país está aumentando de forma exponencial como resultado da atual crise no país, incluindo a deterioração de direitos humanos”, disse. Seu escritório já denunciou o uso desproporcional da força pela polícia, assassinatos extrajudiciais, desaparecimentos e outros crimes.

“Cerca de 400 pessoas foram mortas e pelo menos 2 mil foram feridos”, disse. “Lamentamos a decisão do governo de expulsar nossa equipe e apelo ao Conselho para fortalecer o monitoramento sobre o país”, pediu Bachelet aos governos na ONU.

Ela, porém, fez questão de alertar aos países que recebem refugiados a não fechar suas fronteiras e criticou grupos políticos que têm usado o medo como instrumento para ganhar apoio popular. Sua avaliação é de que muros, políticas que promovem o medo, separação de famílias e outras medidas dessa natureza não representam “soluções de longo prazo para ninguém” e “apenas ampliam a miséria e sofrimento”. Bachelet pediu que políticas sejam estabelecidas com base “na realidade, e não em pânico”.

Refugiados – A ex-presidente do Chile também criticou as barreiras impostas por países ricos ao fluxo de refugiados e imigrantes. Ela atacou a lei aprovada na Hungria que permite que a polícia prenda e denuncie como crime a presença de advogados e voluntários em locais de fronteira. Bachelet também acusa o governo de não distribuir alimentos que estão em armazéns aos refugiados detidos nas fronteiras.

Outro ataque foi dirigido aos Estados Unidos, acusados pela chilena de não terem lidado ainda com os 500 menores que foram retirados de seus pais em locais de fronteira. Ela ainda se diz preocupada diante da decisão do governo americano de manter a detenção de migrantes por mais de 20 dias.

Bachelet ainda criticou as políticas europeias para migração, alertando que o bloco precisa garantir que a proteção aos direitos humanos seja mantida. “O governo da Itália tem negado a entrada de barcos de resgate de ONGs”, disse. “Esse tipo de postura política tem consequências devastadoras para muitas pessoas já vulneráveis”, alertou.

Ela lembra que, apesar de o número de migrantes ter caído pelo Mediterrâneo, a taxa de fatalidade é a maior já registrada. A chilena ainda concluiu seu informe com um alerta sobre o fortalecimento de discursos de ódio e atos racistas pela Europa. (AE)

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