Crédito: Amira Hissa - PBH

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) deverá anunciar hoje como vai funcionar a reabertura do comércio na cidade. A expectativa é que a flexibilização das medidas de distanciamento social em combate ao coronavírus ocorra nos próximos dias e, diferentemente da primeira vez, permita a retomada conjunta de todas as atividades – ou pelo menos, a maioria delas.

Embora o prefeito Alexandre Kalil (PSD) insista em dizer que não há previsão de data, o presidente do Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), Nadim Donato, disse ter esperança de que as atividades sejam retomadas no dia 4 de agosto, antes do Dia dos Pais. Ontem, o líder do Executivo municipal se reuniu por cerca de duas horas com representantes de diversos setores comerciais da cidade.

Kalil afirmou que está mais animado em relação aos indicadores do Covid-19 na capital mineira, apesar do alto índice de ocupação dos leitos. “A partir desta semana começamos com números mais animadores. Estamos começando a ver uma luz no fim do túnel, mas volto a pedir a colaboração da população porque tem muito funcionário e empresário sofrendo”, afirmou ao término da reunião.

De acordo com o último boletim epidemiológico, Belo Horizonte tem, até o momento, 498 óbitos pela doença e 20.276 casos confirmados. Em termos de leitos, 90,7% das UTIs para Covid-19 estão ocupadas e 67,9% das enfermarias voltadas para a doença também.

O prefeito disse que outras informações serão detalhadas à imprensa pelos secretários municipais de Saúde, Jackson Machado Pinto; de Planejamento, Orçamento e Gestão, André Reis; de Fazenda, João Fleury Teixeira; de Desenvolvimento Econômico, Cláudio Beato; e de Política Urbana, Maria Caldas.

O presidente do Sindilojas-BH,  por sua vez, revelou que a expectativa é que haja algum anúncio por parte do Comitê de Reabertura e que o encontro de ontem teve o intuito de pedir ao prefeito que abra o comércio “urgentemente”.

“Não aguentamos mais. O comércio não tem dinheiro para pagar funcionário. Alguns lojistas já mandaram embora mais de 50% do quadro de funcionários e quando retornarem, se retornarem, voltarão com 30% ou 40% da mão de obra. Precisamos começar a abrir o mais rápido possível”, reiterou.

Conforme Nadim, as boas notícias da reunião ficaram por conta dos números em declínio e da possibilidade de uma reabertura geral das atividades. “Os números estão abaixando, e por isso, existe uma pequena possibilidade de abrirmos na semana que vem. Além disso, quando perguntei (ao prefeito) se todo o comércio abriria junto, ele disse que sim. Parece que vai haver algum fatiamento, mas nada igual àquele modelo anterior, com várias fases”, apostou.

A intenção dos lojistas é aproveitar a proximidade do Dia dos Pais para reabrir o comércio e tentar amenizar as perdas registradas até aqui. Desde o fim de junho, somente as atividades essenciais estão autorizadas a funcionar na Capital; outros setores chegaram a ser liberados por algumas semanas, mas bares, restaurantes e lojas de vestuários, por exemplo, seguem fechados há mais de quatro meses.

A proposta do Sindilojas-BH e de outras entidades é do funcionamento com quatro dias de portas abertas e três fechadas. Shoppings funcionariam de quarta-feira a sábado, enquanto os demais estabelecimentos funcionariam de terça a sexta-feira.

Críticas – A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), por meio de nota, voltou a criticar a postura de Kalil e disse que, mais uma vez, não foi convidada para a reunião e questionou quando o comércio será reaberto.

“A gente não lamenta a intransigência e o autoritarismo do prefeito, que não aceita dialogar com quem tem divergências e opiniões contrárias às dele. O que a gente lamenta mesmo é que mais uma vez ficamos sem resposta para a pergunta de milhares de pessoas em nossa cidade – principalmente empreendedores que estão já no limite de suas forças para manter os seus negócios e trabalhadores que já perderam seus empregos ou estão prestes a perder”.

Empresariado está menos pessimista em Minas

Juliana Siqueira

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de Belo Horizonte atingiu 57 pontos em julho. O número representa um aumento de 2,7 pontos percentuais (p.p.) em relação a junho (54,3). Os dados foram elaborados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG) com as informações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A economista da Fecomércio MG, Bárbara Guimarães, destaca que, apesar do avanço, o número permanece abaixo da fronteira do otimismo, que é de 100 pontos. No entanto, diz ela, já é o início de uma recuperação da confiança dos empresários que, ao longo do tempo, pode se consolidar.

“Os dados também mostram que houve um aumento do índice de expectativas dos empresários, que estão mais otimistas em relação ao futuro. As aparições de vacinas para o Covid-19 têm mostrado uma luz no fim do túnel”, frisa ela. “Mesmo assim, há muita cautela, muito receio. O momento é de incertezas para o setor. A pandemia ainda está impactando negativamente”, avalia.

Conforme ressaltado pela economista, o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec) registrou expansão, em julho na comparação com junho, de 19,1 pontos, passando de 60,6 pontos para 79,7 pontos.

Além disso, em julho, 39,9% dos empresários afirmaram que acreditam na expansão do segmento, o que representa um crescimento de 10,3 p.p. na comparação com junho. Desse total, 10,8% mostraram confiança de que o cenário irá melhorar muito para o comércio. Já 29,1% acreditam em uma evolução menos intensa.

Apesar do avanço do Ieec, os outros dois subindicadores apresentaram queda. O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iiec) registrou 58,7 pontos em julho, uma redução de 5,9 pontos em relação a junho (64,6 pontos).

Os números revelam, inclusive, que 89,3% dos empresários pretendem reduzir o número de funcionários. Além disso, 49,6% dos entrevistados afirmam que o índice de investimentos da empresa está muito menor.

“Essa questão afeta a sociedade como um todo. Esses investimentos seriam novas contratações, novas gerações de empregos. Esses empregos retornariam a renda para as famílias, para saírem da inadimplência e voltarem a consumir, reaquecendo a economia”, frisa Bárbara.

Condições atuais – O outro subindicador que apresentou recuo foi o Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec) que, em julho, registrou 32,5 pontos. A queda foi de 5,3 pontos em relação a junho (37,8 pontos).

Os dados da Fecomércio MG mostram que 91,6% dos empresários avaliam que a condição atual da economia piorou. Além disso, 84,2% afirmam que houve uma piora nas condições atuais para o segmento e 84,4% destacam piora nas condições atuais da empresa.

Diante de todo esse cenário, Bárbara conclui que os impactos da pandemia ainda são negativos, tendo um alto número de desempregados e afetando grande parte da população. “No entanto, os empresários acreditam que em médio prazo as condições vão começar a ficar favoráveis”, diz.