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PBH reduz as restrições para bares e restaurantes

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PBH reduz as restrições para bares e restaurantes
Crédito: Manoel Evandro

Após monitorar por 14 dias os impactos da última reabertura nas atividades econômicas na cidade e identificar estabilidade nos indicadores epidemiológicos, o Comitê de Enfrentamento à Pandemia de Covid-19 da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) permitiu novos avanços no processo de flexibilização.

A partir de amanhã, poderão reabrir os clubes recreativos e as feiras livres. O horário de funcionamento de bares e restaurantes também foi ampliado, mas não agradou totalmente a categoria, que pleiteava a liberação completa, inclusive, no domingo do Dia das Mães. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG) não descarta recorrer à Justiça para atingir o objetivo.

supermercados, sacolões, açougues, lojas de materiais de construção e demais atividades consideradas essenciais voltam a ter permissão de funcionar aos domingos. Ao anunciar o avanço, em entrevista coletiva, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) ressaltou que bares e restaurantes seguem sem poder funcionar fisicamente neste dia.

“Estamos ampliando o horário de funcionamento destes estabelecimentos para compensar. Brevemente, se os números continuarem caindo, vamos ampliar mais e mais. Como também poderemos estar aqui fechando e lacrando a cidade toda (caso a situação volte a se agravar)”, disse.

Com isso, os estabelecimentos que só tinham autorização para funcionar de 11h às 16h, poderão funcionar até as 19h, de segunda a sábado. Ainda segundo o prefeito, as feiras serão retomadas e os clubes serão reabertos. Mas Kalil ressaltou a necessidade de serem mantidos os protocolos sanitários para evitar a contaminação pelo coronavírus.

“A todos os comerciantes, associação de bares, restaurantes, lojas e feiras, vocês vão ditar se a cidade vai continuar abrindo ou se vamos fechar. Nós estamos com a fiscalização atenta”, avisou.

Foi a baixa nos índices epidemiológicos da cidade que permitiu o novo avanço na flexibilização das atividades na cidade. O RT, que mede a velocidade de transmissão do vírus, chegou a 0,93 ontem. O infectologista e integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da PBH, Carlos Starling, ressaltou que os números apresentam tendência de queda. A taxa de incidência do coronavírus na Capital está em 420 casos por 100 mil habitantes – no pico da pandemia nos últimos meses, chegou a 520.

“Isso é muito elevado. O risco ainda é muito alto, mas com tendência de queda. A discussão para flexibilização é constante. Por isso contamos com a compreensão de todo setor comercial para atender este momento. Cada pessoa é responsável por fiscalizar a si mesmo, e os empresários por fiscalizar seu próprio negócio, para que essas idas e vindas no processo de funcionamento do comércio de Belo Horizonte sejam cada vez mais raras”, explicou.

Da mesma forma, o secretário de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado, afirmou que a vontade de todos seria de abrir tudo sem restrição, mas que é preciso ter responsabilidade para evitar novo colapso. “A transmissão é altíssima ainda. Queríamos abrir 24 horas. Isso não é possível nesse momento. É uma questão de responsabilidade, ir flexibilizando devagar para não corrermos o risco de termos de fechar de novo daqui a 10 dias”, completou.

Flexibilização em Belo Horizonte não contempla pleitos

As entidades que representam o setor de bares e restaurantes não ficaram plenamente satisfeitas, pois pleiteavam a liberação completa, inclusive, no Dia das Mães, neste domingo (9). O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), Matheus Daniel, falou até em recorrer à Justiça.

“Infelizmente não adianta nada essa ampliação. Quem vai a bar e restaurante de 16h às 19h? Os próprios infectologistas já falaram que aglomerações em casa são um problema. Nos restaurantes temos regras e distanciamento. Ampliar o horário é fundamental para podermos dividir o fluxo das pessoas. Bares e restaurantes não são responsáveis pela contaminação. Vamos continuar seguindo as regras, embora não concordemos com elas. Vamos discutir com a PBH, com a Justiça ou com quem tiver que ser”, afirmou.

Já o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Sindbares), Paulo César Pedrosa, disse que o anúncio decepcionou, uma vez que o pleito era de um funcionamento, pelo menos, até as 21h e também no Dia das Mães – que é a principal data de vendas para o setor. “Agora temos que cumprir os protocolos e a lei, pois a fiscalização está rigorosa e temos centenas de bares e restaurantes que já foram multados e interditados. A notícia boa ficou por conta dos clubes, que poderão funcionar sem restrições“, declarou.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio) avaliou a medida como positiva, por permitir a reabertura de mais segmentos econômicos e estender o horário de funcionamento de outros. A entidade também destacou que é preciso continuar com os esforços sociais e econômicos para que milhares de negócios na capital mineira possam se restabelecer no menor tempo possível e, assim, contribuir com a retomada econômica local.

Impacto nas finanças da PBH

Durante a entrevista coletiva para anúncio de novos avanços na flexibilização das atividades comerciais da capital mineira, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), revelou que o Senado Federal já solicitou documentos sobre os gastos do Executivo municipal com a pandemia – como parte do processo de investigações da CPI da Covid. Conforme Kalil, o pedido foi realizado para todas as prefeituras do País.

O prefeito garantiu que não há nenhuma irregularidade na Capital, nem despesas exorbitantes, já que não foi necessário construir nenhum hospital de campanha e os respiradores adquiridos chegaram, em sua maioria, através de doações. “BH só vai enviar as notas fiscais e documentos”, disse.

O prefeito também pontuou que não foi firmado nenhum contrato emergencial, que garante a contratação de serviços sem concorrência. E comentou as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre as pretensões para criar um decreto que não permitiria a adoção de medidas restritivas pelas prefeituras e governos estaduais. “Meu sonho de consumo é alguém sentar aqui no meu lugar. Eu quero cesta básica, dinheiro, cheque, leito de UTI. Quem trata de papel (o possível decreto) é o STF, eu trato de vida, de compreensão, equilibrar a farinha com o fubá”, afirmou.

Kalil detalhou que desde o início da pandemia, a PBH já distribuiu 3,2 milhões cestas básicas, ao custo de R$ 275 milhões; 900 mil toneladas de alimentos nos restaurantes populares; além de 6,7 milhões de refeições na assistência alimentar oferecida em abrigos da prefeitura. “Também foram entregues à população 600 mil kits de higiene. Isso é combater a pandemia”, frisou.

Neste sentido, o secretário da Fazenda, João Antônio Fleury, afirmou que todos os meses saem do caixa municipal R$ 43 milhões destinados aos gastos com leitos Covid na cidade e R$ 27 milhões em cestas básicas.

“Nada disso estava no nosso planejamento orçamentário de 2021. No ano passado, o governo federal repassou recursos significativos para estados e municípios para que fossem utilizados contra a Covid. Mas, a partir de dezembro, parou de enviá-los ou envia valores pequenos. Por isso, estamos administrando o caixa e o orçamento, adotando uma série de medidas, de forma a evitar que cheguemos ao final do ano sem recursos para pagar as despesas”, afirmou.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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