Crédito: Amira Hissa

O poder público deve tomar medidas para ajudar a conter os impactos negativos, no âmbito econômico, do fechamento de estabelecimentos para evitar a proliferação do coronavírus (Covid-19).

A afirmação foi feita nessa terça-feira (17) pelo prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSB), ao anunciar, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, que parques públicos, eventos em ruas fechadas, como o “Savassi é da Gente”, feiras, clubes de lazer, teatros, entre outros, estão com o funcionamento suspenso.

Além disso, o prefeito também sinalizou a informação que recebeu de que o governo estadual pretende fechar bares e shoppings da região metropolitana.

“Sabemos do impacto econômico disso. Vai ser muito duro para muita gente. Agora não quer dizer também que simplesmente o governador vai soltar uma nota e nós vamos deixar os comerciantes ‘ao léu’. É obrigação do poder público ir atrás de um tipo de financiamento, de um prolongamento do IPTU, de alguma coisa, porque esse é o movimento da cidade. Uma cidade que foi tão castigada pela chuva, que deu uma resposta tão bonita no Carnaval”, destacou ele.

Alexandre Kalil frisou que “ninguém vai deixar ninguém. Eu prometo que eu mesmo vou lutar, junto com quem for, para a gente acabar com essa tragédia”, disse ele, que destacou, ainda, que suspendeu qualquer tipo de alvará, público ou privado.

Na manhã de ontem, o prefeito também assinou um decreto que cria o Comitê de Enfretamento à Epidemia do Covid-19. Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) afirmou que “o comitê orientará todas as medidas a serem tomadas com relação ao vírus e sua propagação na cidade de Belo Horizonte”.

Além do secretário municipal de Saúde e coordenador do grupo, Jackson Machado Pinto, também compõem o comitê o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano Silva, o infectologista membro da Sociedade Mineira e Brasileira de Infectologia, Carlos Starling, e o professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutor em doenças infecciosas e parasitárias, Unaí Tupinambás.

Mais medidas – Entre as outras medidas anunciadas pelo prefeito Alexandre Kalil está o fechamento das escolas municipais a partir de hoje. Além disso, os profissionais da área de saúde do município não terão férias por enquanto. Os que gozam atualmente do período de descanso, por sua vez, terão que voltar às suas atividades.

O atendimento no BH resolve, nas regionais da prefeitura e nas secretarias será em escala mínima. A maior parte do funcionalismo terá de trabalhar de casa. “Determinei o esvaziamento de todos os prédios da prefeitura de BH”, disse Alexandre Kalil. “A cidade não vai parar, não é ponto facultativo, é esvaziamento de contato”.

O prefeito também afirmou que recebeu a informação da BH Airport, administradora do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, de que os voos internacionais estarão suspensos a partir do mês que vem.

Os restaurantes populares, por sua vez, funcionarão normalmente, mas Alexandre Kalil alertou que as pessoas não ficarão por muito tempo no local. Já velórios e cemitérios vão acertar o tempo com a Secretaria de Saúde.

Transporte público e coleta de lixo vão continuar com seu funcionamento normal. As obras da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) de reconstrução de pontos afetados pelo período chuvoso permanecerão nas ruas.

Por fim, o prefeito destacou que não se deve achar que tudo é uma “bobaginha”, ressaltou a transitoriedade da questão e afirmou que “essa tragédia acaba em pouco tempo se a gente respeitar a guerra”.