Economia

Pedágio no novo projeto da BR-381 é contestado

ANTT realizou ontem audiência pública sobre o projeto
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Pedágio no novo projeto da BR-381 é contestado
Crédito: DNIT

O novo projeto de concessão da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, prevê que R$ 4 bilhões dos R$ 5,5 bilhões a serem investidos pela concessionária que arrematar o leilão sejam aportados nos primeiros oito anos de execução do contrato. Intervenções consideradas emergenciais e de recuperação como recomposição estrutural, da malha, de sinalização e de obras de arte serão as primeiras a ser realizadas. O objetivo é que a rodovia seja colocada em condições ideais de tráfego para somente depois iniciar a cobrança do pedágio.

As informações foram detalhadas durante audiência pública realizada ontem pela Agência Nacional de TransportesTerrestres (ANTT), quando técnicos do órgão e do Ministério da Infraestrutura responderam a questionamentos e receberam sugestões de lideranças políticas mineiras, entidades ligadas ao setor rodoviário e alguns cidadãos engajados com a causa.

Um dos pontos bastante questionados durante a audiência foi o início da cobrança do pedágio. O modelo proposto prevê cinco praças de pedágio na BR-381, que deverão ser instaladas em Caeté, João Monlevade, Jaguaraçu, Belo Oriente e Governador Valadares. As tarifas estimadas variam de R$ 10,79 a R$ 13,80, mas os valores poderão ter desconto de até 26% no leilão, a partir das propostas a serem apresentadas. Com isso, a previsão do governo federal é que os valores fiquem entre R$ 9 e R$ 10.

A reivindicação dos participantes é para que não haja cobrança antes da realização efetiva dos trabalhos. Como a rodovia ficou nacionalmente conhecida como “Rodovia da Morte”, pelo alto número de acidentes com vítimas fatais, a população que trafega pela estrada já fala em “pagar para morrer”.

O superintendente de Concessão da Infraestrutura da ANTT, Renan Brandão, lamentou por todas as vidas ceifadas na BR-381 e ressaltou que a palavra de ordem na agência para o projeto agora é: urgência. “Tudo o que pudermos fazer para viabilizar esse projeto será feito. Esperamos resolver as questões de segurança o mais breve possível, por meio de um projeto adequado e que responda aos anseios da população”, afirmou.

Sobre a cobrança do pedágio, Brandão garantiu que só será iniciada quando os trabalhos que garantam a segurança do usuário estiverem prontos. Por isso, segundo ele, há um grande volume de obras e recursos nos primeiros anos da concessão. “Todas essas intervenções deverão ser realizadas nos primeiros anos da concessão para que o usuário disponha de um mínimo de segurança para trafegar. Obras emergenciais também estão previstas para o início do ciclo de investimentos, também com este intuito”, ressaltou.

Crédito: Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)
Crédito: Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

Projeto que unia BR-381 e BR-262 não atraiu investidores

O projeto foi relançado pelo governo federal após duas tentativas fracassadas de entregar à iniciativa privada a versão original, que incluía um trecho da BR-262 até o Espírito Santo. A opção então foi desmembrar as concessões e reservar recursos do Acordo de Mariana para a BR-262. A ANTT informou que as mudanças se justificam pela necessidade de tornar o projeto mais atrativo e atual.

Assim, a extensão a ser concedida pelo Ministério da Infraestrutura caiu pela metade, passando de 686 quilômetros para 304 km. Já o prazo de concessão foi mantido em 30 anos. A publicação do novo edital e o leilão devem ocorrer ainda este ano, enquanto a assinatura do contrato vai ficar para 2023. Há informações de que já existem concessionárias interessadas no modelo proposto.

A empresa ou consórcio vencedor deverá fazer a recuperação, operação, manutenção e implantação de melhorias, entre elas, obras de duplicação.

Marcelo Fonseca, que também é da Superintendência de Concessão da Infraestrutura da ANTT, reforçou sobre a concentração dos aportes nos primeiros oito anos da concessão e disse que, paralelamente, serão realizados investimentos na ampliação e melhorias de todo o sistema rodoviário. “A distribuição dos R$ 5,5 bilhões contempla duplicações, faixas adicionais, vias marginais, correções de traçado, interconexões e equipamentos e sistemas”, citou.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas