Pequenos negócios garantem saldo positivo de empregos em Minas no mês de julho
As micro e pequenas empresas (MPEs) foram responsáveis pelo saldo positivo de empregos formais em Minas Gerais em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os pequenos negócios criaram 7.936 vagas, enquanto as médias e grandes empresas fecharam 2.718 postos de trabalho no período. De acordo com o Sebrae Minas, o resultado das MPEs representa retração de 75,06% em relação a junho, mas avanço de 51,27% na comparação com julho de 2025.
“A transição para o último trimestre de 2026 ocorre em um cenário de moderação gradual da atividade econômica. O resultado do PIB brasileiro no segundo trimestre confirmou a trajetória de desaceleração da economia, captando principalmente os efeitos da política monetária doméstica apertada e efeitos adversos do contexto global, em parte suavizados pelas medidas de suporte à demanda anunciadas pelo governo”, explica a analista do Sebrae Minas Bárbara Castro.
Serviços lideram contratações
Entre as MPEs, o setor de serviços se destacou, com 4.716 novas vagas, seguido pela construção civil, com 2.154. O comércio, que teve saldo negativo de 627 postos no resultado geral do Estado, apresentou desempenho positivo entre os pequenos negócios, com 376 contratações líquidas.
Entre as empresas de médio e grande porte, os principais setores geradores de postos de trabalho foram a construção civil, com 3.441 novas vagas, a agropecuária, com 1.392, e a indústria de transformação, com 697.
Mudança sazonal
A retração de alguns setores de médio e grande porte pode ser atribuída à alteração no padrão sazonal do emprego mineiro, como ocorreu na agropecuária. Em junho, a colheita do café havia impulsionado o setor, que se tornou o principal gerador de vagas.
Com o fim dessa fase, parte dos trabalhadores temporários rurais deixou suas atividades. O cultivo de café registrou, sozinho, saldo negativo de 2.088 vagas entre as MPEs em julho. Ainda assim, o segmento permanece como o maior gerador de empregos do ano entre os pequenos negócios, com 14.799 postos criados de janeiro a julho.
Bárbara Castro avalia que o efeito das perdas de empregos no campo deve ser amenizado pela abertura de vagas em outros setores da economia. Segundo a analista, a desmobilização dos trabalhadores rurais durante a entressafra de culturas como o café tende a perder força nos próximos meses.
Nesse período, a geração de vagas deve se deslocar progressivamente para a indústria, que começa a formar estoques, e para o comércio varejista, que estrutura as equipes para os eventos promocionais do último trimestre, como a Black Friday e as festividades de fim de ano.
Mulheres e jovens se destacam
Entre as MPEs, mulheres e jovens tiveram participação expressiva nas contratações. O saldo de vagas ocupadas por mulheres, de 5.242, foi quase o dobro do registrado entre os homens, de 2.694.
Os trabalhadores de 18 a 24 anos responderam por 4.919 postos. Entre as pessoas com ensino médio completo, o saldo foi de 7.273 vagas.
O salário médio de admissão nas pequenas empresas ficou em R$ 2.183,28, acima da remuneração média de R$ 2.148,91 recebida pelos trabalhadores desligados.
Varejo pode sustentar resultado
Bárbara Castro avalia que as pequenas empresas do varejo, por apresentarem menor volatilidade, devem continuar contribuindo para os saldos positivos de emprego até o fim do ano. A perspectiva, no entanto, depende da ausência de novos choques inflacionários, aumentos adicionais do custo do crédito ou agravamento do endividamento das famílias.
“As pequenas empresas dos segmentos de varejo, que apresentam menor volatilidade neste cenário, caso não ocorram novos choques inflacionários, aumento adicional do custo do crédito ou agravamento do endividamento das famílias, devem manter papel relevante na sustentação dos saldos positivos do emprego na reta final do ano”, conclui a analista.
Municípios que mais contrataram
Belo Horizonte foi o município que mais gerou empregos entre as MPEs, com 3.698 vagas, seguido por São Gotardo, com 688, e Rio Paranaíba, com 561.
No ranking geral do Estado, que considera empresas de todos os portes, Rio Paranaíba liderou, com 1.201 postos, à frente de Betim, com 1.097, e São Gotardo, com 1.019.
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