Economia

PLS testa tecnologia inédita de refino de lítio e avalia implantação em Minas Gerais

A companhia inaugurou, neste mês, na Austrália, a planta de demonstração que utiliza calcinação elétrica para converter concentrado de espodumênio em fosfato de lítio
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PLS testa tecnologia inédita de refino de lítio e avalia implantação em Minas Gerais
Planta de demonstração de refino intermediário de lítio inaugurada pela PLS na Austrália | Foto: Reprodução site PLS

Já está em testes na Austrália a tecnologia inédita de refino intermediário de lítio que a PLS poderá implementar no Projeto Colina, em Salinas, no Norte de Minas Gerais, a depender de uma série de condicionantes. A aplicação utiliza calcinação elétrica para converter concentrado de espodumênio em fosfato de lítio, produto usado na produção de baterias de íon-lítio, e passa por validação em uma planta de demonstração inaugurada neste mês.

Há pouco mais de um ano, o Diário do Comércio informou sobre a construção da unidade demonstrativa e a possibilidade de a empresa trazer, futuramente, a tecnologia para o Brasil em escala industrial. À época, o vice-presidente da mineradora australiana no País, Leandro Gobbo, revelou a existência de discussões internas com esse propósito.

Em entrevista à reportagem durante o Brazil Lithium & Critical Minerals Summit 2026, evento promovido pela The Net-Zero Circle by IN-VR em Belo Horizonte na última semana, a diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS, Marisa Cesar, reiterou a hipótese, embora tenha ressaltado que, neste momento, não há garantias de que isso vá acontecer. O investimento está atrelado a avaliações de resultados da unidade demonstrativa e de perspectivas financeiras, além de outros tópicos em debate.

De acordo com ela, a companhia já recebeu o aceno positivo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para financiamento nacional caso decida construir a planta de calcificação elétrica no País. Mas também tem oportunidades de financiamento internacional.

Outro ponto destacado por Marisa Cesar é que o projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) permitirá à PLS fazer uma análise mais detalhada a respeito da implementação da tecnologia no projeto em Salinas. Conforme a diretora, a proposta, em tramitação no Senado Federal, prevê, por exemplo, benefícios escalonados para empresas que instalarem unidades de refino no Brasil.

Aumento do valor agregado e redução das emissões de carbono

A tecnologia de refino intermediário em teste pela PLS tem capacidade de contribuir para o aumento do valor agregado do produto da mina e para a redução das emissões de carbono associadas ao processo. Refletindo esse potencial, a construção da planta de demonstração recebeu apoio financeiro dos governos australiano e da Austrália Ocidental.

Segundo Marisa Cesar, a calcinação elétrica consegue escalonar cerca de oito vezes o teor de lítio do concentrado de espodumênio. Na unidade demonstrativa, a mineradora processa o produto da operação de Pilgangoora, que tem pouco mais de 5% de óxido de lítio.

Quando alimentada por eletricidade renovável, esse método também elimina os combustíveis fósseis da etapa tradicional de calcinação no processamento de lítio em rocha dura, ajudando a reduzir a intensidade das emissões relacionadas à energia. A diretora pontuou que o Brasil traz vantagens por ter uma matriz elétrica majoritariamente limpa.

Uma foto de Marisa Cesar, Diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS, posando em um evento corporativo. Ela está em pé, com os braços cruzados, sorrindo para a câmera. Atrás dela, há um banner de fundo que diz "3rd BRAZIL LITHIUM & CRITICAL MINERALS SUMMIT 2026" com logos de empresas parceiras. A foto é cortada acima da cintura.
Diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS, Marisa Cesar | Foto: Diário do Comércio/Thyago Henrique

Conclusão do Estudo de Viabilidade do Projeto Colina está prevista para 2027

A PLS prevê concluir o estudo de viabilidade do projeto de lítio no Norte de Minas no último trimestre de 2027. Conforme informado anteriormente, o escopo do Colina está em revisão desde que a empresa adquiriu-o da Latin Resources no início de 2025. A estimativa da companhia é de iniciar as obras de implantação do empreendimento em 2028.

“Estamos finalizando os estudos porque decidimos ampliar o quantitativo de recursos minerários. Então, estamos fazendo um grande investimento na exploração de novos alvos”, afirmou Marisa Cesar. Ela pontuou que isso mudará a configuração do projeto, considerando volumes maiores na perspectiva do desenvolvimento não somente da planta, mas também da capacidade de processar concentrado e de realizar processos químicos que estão em estudo, caso a empresa decida fazê-los no País.

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