Sem desoneração da folha, a indústria calçadista deve ter demissão em massa | Crédito: Divulgação

Pelo menos 2 mil empregos perdidos. Esse pode ser o resultado no Polo de Calçados de Nova Serrana, do fim, em dezembro deste ano, da desoneração da folha ao segmento de calçados.

A estimativa é do presidente do Sindicato da Indústrias do Calçado de Nova Serrana (Sindinova), Ronaldo Lacerda. Em todo o País, as perspectivas são de uma perda de 15 mil postos de trabalho, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

O veto do presidente Jair Bolsonaro ao artigo 33 da medida provisória (MP) 936 que desonerava a folha de pagamento de 17 setores econômicos, até o fim do ano que vem, tem gerado diversas discussões. Embora existam expectativas de que o Congresso Nacional derrube o veto, a área de calçados tem mostrado muita preocupação em relação aos aumentos dos custos que poderá ter se o “não” prevalecer.

Essa preocupação, aliás, se mostra ainda mais forte por causa do momento vivenciado atualmente com a pandemia do Covid-19. Ronaldo Lacerda diz que a disseminação da doença já foi responsável por 4.900 demissões no Polo de Calçados de Nova Serrana. Por lá, aliás, há uma operação hoje em torno de 60% do que se operava antes da crise na saúde que refletiu na economia.

“Poderemos ter um aumento muito grande em relação aos custos da folha de pagamento. Nós já tivemos 4.900 demissões no polo com a pandemia. Vai ser uma dificuldade recuperar esses postos de trabalho”, diz ele, destacando que seria necessário que a desoneração permanecesse até o fim de 2021 para que o setor pudesse, ao menos, se ajustar.

Competitividade – O presidente do Sindicato da Indústria de Calçados do Estado de Minas Gerais (Sindicalçados-MG), Luiz Barcelos, porém, vai além: para ele, a desoneração da folha deve ser algo permanente.

Isso porque, diz, a indústria brasileira de calçados já não é competitiva se comparada com mercados internacionais, sobretudo os asiáticos. De acordo com ele, se esse novo cenário de não desoneração da folha permanecer irá aumentar os empregos – em outros países.

“Vamos perder ainda mais competitividade. Em médio e em longo prazo, algumas indústrias podem desaparecer, dando espaço para o crescimento das importações”, avalia.

Além disso, embora não tenha números precisos, Barcelos também destaca que o fim da desoneração da folha vai gerar uma série de demissões em Minas, nos mesmos percentuais da indústria nacional. Ele lembra ainda que o segmento emprega bastante e necessita do trabalho manual.

“Temos um cenário de perspectiva de queda no faturamento das indústrias com o aumento do custo da folha de pagamento. É algo terrível para a indústria mineira e do Brasil”, afirma ele.

O presidente do Sindicalçados-MG também ressalta o momento vivido atualmente com a pandemia do Covid-19. Embora acredite que o pior já tenha passado, ele diz que isso não quer dizer, contudo, que o setor esteja bem.

“Estamos começando com uma retomada tímida, com pedidos feitos por alguns varejistas. Porém, nada se comparado ao que estava melhorando no ano passado e início do primeiro trimestre”, salienta ele.