Maioria dos alimentos das festas juninas registra queda de preço em BH, mas feijão é ‘vilão’, aponta Ipead
O preço médio da maioria dos alimentos típicos das festas juninas apresentou queda em Belo Horizonte neste ano na comparação com 2025. Os destaques são o pé-de-moleque, com baixa de 31,22% no valor, e a canjica branca (diminuição de 28,62%). Por outro lado, o feijão carioca subiu 30,17% no mesmo período.
Os dados estão na pesquisa sobre a movimentação e preferências dos consumidores de BH para as festas de junho de 2026, feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e divulgada nessa quinta-feira (25). Veja todos os alimentos pesquisados:
| Produtos | Preço Médio (R$) | Variação (%) – 2026 /2025 | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | 2026 | ||
| Amendoim, cru, vermelho, pacote 500 gramas | 14,65 | 15,08 | 13,78 | 15,70 | 12,64 | -19,49 |
| Amendoim, torrado, moído, pacote 500 gramas | 9,56 | 8,88 | 9,43 | 9,23 | 9,18 | -0,54 |
| Canjica, branca, tipo 1, pacote 500 gramas | 3,91 | 5,79 | 6,24 | 5,66 | 4,04 | -28,62 |
| Doce de leite, pastoso, embalagem 400 gramas | 12,37 | 17,32 | 18,51 | 16,66 | 15,82 | -5,04 |
| Feijão carioca, tipo 1 quilo | 9,22 | 10,78 | 7,98 | 7,06 | 9,19 | 30,17 |
| Leite condensado, caixa 395 gramas | 5,18 | 6,05 | 5,76 | 5,96 | 6,52 | 9,40 |
| Leite condensado, lata 395 gramas | 6,56 | 8,01 | 8,25 | 8,40 | 8,25 | -1,79 |
| Milho para pipoca, tipo 1, pacote 500 gramas | 3,85 | 3,94 | 4,03 | 3,62 | 3,41 | -5,80 |
| Pão doce, tipo hot dog, embalagem 1 quilo | 8,74 | 10,21 | 9,96 | 10,62 | 11,16 | 5,08 |
| Pé de moleque, em tabletes, embalagem 1 quilo | 18,30 | 19,23 | 25,48 | 27,93 | 19,21 | -31,22 |
| Salsicha, tipo hot dog, embalagem 1 quilo | 10,89 | 10,63 | 10,83 | 11,75 | 11,40 | -2,98 |
| Mandioca, 1 quilo | 5,74 | 4,70 | 4,24 | 3,78 | 4,07 | 7,67 |
“Apesar desses produtos estarem no período do consumo em massa, dada a época, tipo o pé de moleque, a canjica e o amendoim, eles estão com uma safra muito boa, uma produção muito grande e os preços estão bem mais acessíveis do que em relação ao ano passado. Então, o mercado, nesse momento, está ditando que esse preço seja mais baixo”, analisa o gerente de pesquisa da Fundação Ipead, Eduardo Antunes.

Em contrapartida, alta em alimentos como feijão e pão doce
Conforme o levantamento, dos 12 itens pesquisados, os preços de quatro deles apresentaram alta: o quilo do feijão carioca, que subiu 30,17%, e passou de R$ 7,06 em 2025 para R$ 9,19 neste ano; a caixa de 395 gramas do leite condensado (alta de 9,40%, com valor que passou de R$ 5,96 para R$ 6,52); o quilo da mandioca (alta de 7,67%, com valor que passou de R$ 3,78 para R$ 4,07); e o pão doce tipo cachorro quente, na embalagem de um quilo (alta de 5,08%, com valor que passou de R$ 10,62 para R$ 11,16).
Segundo Antunes, o “vilão” dos preços médios foi o feijão e o motivo também é a disponibilidade do grão no mercado. “Tivemos um problema grande de safra, e o preço subiu bastante. Então, ele ainda persiste com um aumento muito grande de preço por causa disso e, com certeza, isso se reverte para o produto, que é muito utilizado nessa época para fazer os caldos diversos que são consumidos nesse período”, diz.
Para tentar economizar na hora da compra dos produtos que subiram de preço, o especialista sugere que o consumidor leve em conta a procedência do item. “Como são produtos de época, a procura dele é bem elevada e as pessoas têm que procurar produtos confiáveis, que estão dentro da validade, produtos de origem confirmada e tudo mais para que o consumo seja não só econômico, se for possível, mas de uma maneira mais saudável, que não possa prejudicar a saúde das pessoas”, completa.
Estudo também traz dados sobre hábitos dos consumidores
A pesquisa da Fundação Ipead também levanta outras informações sobre o período. Entre elas, são abordados os entrevistados sobre seus hábitos no período. Do total, 34,05% afirmaram que sempre participam das festas juninas e 28,02% disseram participar às vezes. Ao todo, 62,07% declararam frequentar esses eventos sempre ou ocasionalmente, percentual praticamente estável em relação aos 62,22% registrados em 2025.

Outra questão levantada é sobre os alimentos que os entrevistados de BH mais consomem nas festas juninas. Os caldos, com 73,61%, são os mais procurados, juntamente com a canjica (56,25%). Veja os resultados:
| Alimento/Bebida | Percentual de consumidores |
|---|---|
| Caldos | 73,61% |
| Canjica | 56,25% |
| Churrasquinho | 49,31% |
| Cachorro-quente | 48,61% |
| Milho cozido | 41,67% |
| Doces | 28,47% |
| Pipoca | 27,78% |
| Pamonha | 26,39% |
| Mingau de milho verde | 22,22% |
| Quentão | 18,06% |
| Outras bebidas típicas (batidas/chocolate quente) | 11,81% |
| Outros | 6,94% |
| Não sabe / Não respondeu | 2,08% |
A Fundação Ipead lembra que a soma dos percentuais não totaliza 100% pois cada entrevistado poderia dar mais de uma opção como resposta.

Pesquisa busca apoiar empresariado
A pesquisa de movimentação de pessoas para as festas juninas é feita pela Fundação Ipead, de forma presencial e virtual, uma vez por ano, em junho, com os 232 consumidores que respondem ao Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de Belo Horizonte, também realizado pela instituição, seguindo o mesmo dimensionamento amostral e recortes por sexo e renda familiar.
De acordo com a fundação, o objetivo do levantamento é avaliar as expectativas de participação e compra dos consumidores para esse período comemorativo e, dessa forma, apoiar o empresário do comércio varejista mineiro na avaliação das “expectativas dos consumidores em tempo real com o objetivo de planejar melhor o seu negócio em termos de estoques, contratações, investimentos, dentre outros”.
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