Economia

Privatização: grupo ligado à Aegea mira fatia de 30% da Copasa

Trio que forma o grupo Livorno manifesta interesse em se tornar investidor de referência na privatização da companhia mineira de saneamento
Privatização: grupo ligado à Aegea mira fatia de 30% da Copasa
Grupo formado por Itaúsa, GIC e Equipav manifestou interesse em adquirir participação estratégica na privatização da Copasa. | Foto: Divulgação/ Copasa

Uma fatia de 30% da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) pode ser vendida, em breve, ao Livorno, grupo de investidores composto pela Itaúsa, pelo fundo soberano de Singapura (GIC) e pela Equipav. O interesse foi manifestado em fato relevante divulgado pela Itaúsa nesta segunda-feira (25).

“A participação da Itaúsa no processo de aquisição faz parte da sua estratégia de alocação eficiente de capital, reforçando seu compromisso contínuo com a criação de valor para acionistas, investidas e sociedade”, afirma a empresa, em documento assinado pelo diretor de Relações com Investidores da Itaúsa, Alfredo Egydio Setubal.

A proposta é que cada um dos três envolvidos detenha cerca de 33% do Livorno. Eles também são sócios da Aegea, empresa de saneamento com atuação em diversas cidades brasileiras, incluindo Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, única cidade mineira onde opera. No negócio da Copasa, a Aegea pretende entrar no Livorno com participação de 1%. O valor da possível operação não foi informado.

Na disputa pelo negócio, foi ventilado extraoficialmente no mercado o suposto interesse da Equatorial, empresa de distribuição de energia, pela Copasa. O Diário do Comércio procurou as empresas citadas.

Em nota, a assessoria da Copasa declara que “em conformidade com a Resolução 160 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Governo do Estado de Minas Gerais encontra-se em período de silêncio devido ao processo de oferta pública de valores mobiliários. Esta norma regulatória estabelece padrões rigorosos de conduta que restringem a divulgação de informações e a concessão de entrevistas, com o objetivo de garantir a equidade de acesso aos dados, a transparência e a proteção de todos os investidores”.

Já o Grupo Equatorial diz, também em nota, que “está sempre atento às oportunidades em suas áreas de atuação, mas não comenta sobre possibilidades de negócios ou aquisições”.

Investidor de referência da Copasa

No mesmo documento, a Itaúsa lembra que a Copasa deve divulgar o nome do investidor de referência finalista, “se houver”, nesta quarta-feira (27). Esse investidor ficará com até 30% do capital social da companhia, enquanto outros acionistas poderão adquirir participações de até 15%. O Estado terá 5% das ações após a privatização. Na ausência de investidor de referência, a Copasa poderá se tornar uma empresa sem um controlador único e sem controle estatal.

Conforme o Manual de Participação na Fase Preliminar do Processo de Seleção do Investidor de Referência, para se tornar o principal controlador da companhia, o investidor de referência precisará cumprir exigências como a apresentação de carta de fiança de, no mínimo, R$ 7 bilhões (instrumento que garante capacidade de cumprimento das obrigações financeiras) e a assinatura de compromisso com a universalização do saneamento, tarifas reduzidas e manutenção dos contratos de trabalho dos empregados por 18 meses após a privatização.

Operação está estimada em R$ 9 bilhões

A privatização da Copasa envolve a venda inicial de 171,1 milhões de ações da companhia em posse do Estado. A operação está estimada em cerca de R$ 9 bilhões, mas pode ultrapassar esse valor.

Com sede em Belo Horizonte e mais de 60 anos de história, a Copasa e suas subsidiárias somam 636 concessões para prestação de serviços de abastecimento de água, atendendo 11,9 milhões de pessoas por meio de 5,8 milhões de unidades consumidoras.

Em relação aos serviços de esgotamento sanitário, o número de concessões era de 309 na mesma data, com atendimento a 8,8 milhões de pessoas por meio de 4,3 milhões de economias.

A privatização da Copasa foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e sancionada pelo então governador Romeu Zema (Novo) em dezembro de 2025.

Um mês antes, 48 deputados aprovaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/23, que retirou a obrigatoriedade de realização de referendo popular para a venda da empresa.

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