Em Minas, a maior queda em maio foi na fabricação de veículos automotores (-74,5%) | Crédito: REUTERS/Washington Alves

Após amargar quedas nos meses de março e abril, a produção industrial em Minas Gerais avançou 6,3% em maio.

O dado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento, porém, não retrata uma recuperação econômica, conforme destaca a supervisora de pesquisa econômica da entidade, Cláudia Pinelli.

“Esse aumento só está nesse patamar porque abril foi muito ruim”, afirma ela. Claudia Pinelli lembra que os meses de março e abril foram mais impactados pelas medidas de distanciamento social adotadas como forma de combater a propagação do Covid-19. Já em maio teve início o retorno a algumas atividades.

“Haverá todo um caminho para que os indicadores mostrem recuperação da economia. O que houve, realmente, foi uma melhora em maio em relação ao mês anterior”, salienta Claudia Pinelli.

Os dados do IBGE, inclusive, comprovam que o nível de produção ainda está baixo. De acordo com os números divulgados, quando se compara o mês de maio deste ano com o mesmo período de 2019, a produção industrial retraiu 15,1% no Estado. Nessa base de comparação, além dos efeitos da pandemia, existe também o fato de que o quinto mês deste ano teve dois dias úteis a menos do que igual período do ano passado.

O acumulado do ano também foi de queda na produção industrial no Estado. De janeiro a maio, o recuo chegou a 12,1% quando comparado ao mesmo período de 2019. No acumulado dos últimos 12 meses, a redução da produção industrial em Minas Gerais foi de 9,1%.

Por setores – Os dados do IBGE também mostram que apenas quatro atividades das 13 divulgadas mostraram crescimento em maio em relação ao mesmo período do ano passado.

Os incrementos foram verificados nas atividades de indústrias de extração (0,6%), fabricação de produtos alimentícios (10,8%), fabricação de produtos do fumo (8,3%) e fabricação de outros produtos químicos (93,9%).

“Os produtos alimentícios são essenciais. A fabricação de outros produtos químicos já vem se mantendo bem ao longo do tempo e está relacionada ao agronegócio, como adubos e fertilizantes, por exemplo. A fabricação de produtos de fumo também tem apresentado boa evolução e indica que as medidas de isolamento social não afetaram esse setor de forma tão intensa. Já os números da indústria extrativa devem ser analisados com cuidado, pois a base é baixa pelo o que ocorreu no ano passado, o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho”, diz Claudia Pinelli.

Por outro lado, as retrações mais relevantes foram verificadas na fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (-74,5%), fabricação de máquinas e equipamentos (-47,3%), fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-41,1%) e fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (-29,9%).

Perspectivas – Acerca do que se pode esperar do que vem pela frente, Claudia Pinelli ressalta que existem muitas incertezas. De acordo com ela, além de o Estado ainda estar em um movimento de “fecha e abre”, já houve muitos impactos diretos no mercado de trabalho e na renda das famílias devido à pandemia, o que interfere na indústria.