Queda da Taxa Selic para 13,75% divide avaliação entre indústria e comércio em Minas Gerais

Fiemg considera taxa ainda elevada para estimular investimentos, enquanto CDL/BH aposta em melhora da confiança do consumidor no último trimestre
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Queda da Taxa Selic para 13,75% divide avaliação entre indústria e comércio em Minas Gerais
Foto: Reprodução Adobe Stock

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Taxa Selic, os juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16). A decisão era esperada pelo mercado financeiro. De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros em abril, em um cenário de queda da inflação. A nova taxa dividiu opiniões entre a indústria e o comércio de Minas Gerais.

Em comunicado, o Copom informou que, apesar da queda, o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirma o Comitê.

Para indústria mineira, taxa ainda é restritiva

Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a redução dos juros básicos da economia para 13,75% ao ano é um passo necessário, mas ainda insuficiente para aliviar os efeitos dos juros elevados sobre a economia brasileira.

“A taxa permanece em nível restritivo, encarece o crédito, adia investimentos e limita a capacidade de expansão da indústria, com reflexos diretos sobre a produção, o emprego e a competitividade do País”, disse a entidade em nota.

A Federação ressalta, no entanto, que a redução sustentável dos juros não depende apenas da atuação do Banco Central. O desequilíbrio das contas públicas e a adoção de estímulos fiscais e de créditos que pressionem a demanda reduzem a eficácia da política monetária e tornam o combate à inflação mais caro para empresas e trabalhadores.

Nesse sentido, o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, defende maior coordenação entre as políticas fiscal e monetária. “Não é sustentável exigir que os juros carreguem praticamente sozinhos o peso do controle inflacionário, enquanto medidas expansionistas atuam na direção contrária”, ressalta.

Comércio projeta ambiente mais favorável no último trimestre

Diferentemente da Fiemg, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) analisa a queda da Selic sob um viés mais otimista e afirma que a redução da taxa contribui para um ambiente econômico mais favorável ao setor de comércio e serviços.

Para o presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva, a perspectiva de juros em trajetória de queda pode ajudar a sustentar a confiança do consumidor no período que antecede datas importantes para o varejo, como o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal. “O novo corte mantém o canal de expectativas positivas justamente na entrada do último trimestre do ano”, afirma.

Silva espera que a queda dos juros marque mais uma etapa no processo de ajuste da política monetária, de forma gradual e responsável. “Um ambiente de maior previsibilidade é fundamental para que as empresas possam planejar investimentos, ampliar contratações e manter sua contribuição para o crescimento econômico do País”, avalia.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto, o índice ficou negativo em 0,32%, o menor nível em quatro anos, beneficiado pelo bônus de Itaipu nas contas de luz. No acumulado de 12 meses, o índice recuou para 4,22%, contra 4,44% em julho.

*Com informações da Agência Brasil

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026

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