Regime especial de tributação para data centers pode atrair investimentos para Minas Gerais

O Estado reúne uma série de condições consideradas importantes para receber esse tipo de empreendimento
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Regime especial de tributação para data centers pode atrair investimentos para Minas Gerais
Foto: Reprodução Adobe Stock

Instituído nesta semana pelo governo federal, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), que cria incentivos fiscais para empresas que instalem ou ampliem data centers no Brasil, pode atrair investimentos para Minas Gerais. O Estado apresenta condições consideradas necessárias para abrigar esses empreendimentos.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), Luis Tossi, afirma que Minas Gerais reúne características importantes para receber projetos, como disponibilidade de energia renovável, localização estratégica, infraestrutura e um ecossistema econômico e tecnológico diversificado, além de proximidade com um dos maiores mercados consumidores de serviços de cloud do País.

Já o presidente do Instituto Brasileiro de Telecomunicações e Soluções Digitais (IBTD), André Martins, além desses aspectos, diz que o Estado tem uma oferta de profissionais qualificados e programas de atração de investimentos.

O Sindicato da Indústria de Software e da Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Sindinfor) acrescenta que Minas Gerais dispõe de universidades e centros de pesquisa de excelência, um amplo conjunto de empresas de tecnologia e uma economia diversificada, capaz de aplicar inteligência artificial em diferentes setores, por exemplo, mineração, indústria, agronegócio, saúde e administração pública.

Tossi avalia que a sanção do Redata abre uma nova perspectiva para o Estado na atração de investimentos em infraestrutura digital. Segundo o vice-presidente da ABDC, ao reduzir uma das principais desvantagens tributárias do Brasil, o regime especial permite que os diferenciais locais tenham mais peso na decisão dos investidores.

“Para Minas, isso pode significar não apenas novos data centers, mas investimentos em energia, construção, telecomunicações, tecnologia, pesquisa e em toda a cadeia de fornecedores que se desenvolve ao redor desses empreendimentos”, destaca.

Martins analisa que o Redata melhora a competitividade do País ao reduzir o custo de implantação e expansão dos data centers, sobretudo com a desoneração de equipamentos. Conforme o presidente do IBTD, Minas Gerais pode se beneficiar de forma relevante disso e tem condições concretas para receber novos data centers.

Ele pontua que o incentivo federal pode ajudar a transformar as vantagens locais em novos projetos. No entanto, observa que o regime especial de tributação, sozinho, não define onde os investimentos serão feitos, e pondera que, para data centers de grande escala, pesam também disponibilidade e prazo de conexão à rede elétrica, capacidade de transmissão, redundância de fibra, licenciamento e segurança regulatória.

“Minas já vem avançando nesse diagnóstico, inclusive com estudos para identificar regiões com infraestrutura adequada para empreendimentos de maior porte”, ressalta.

O presidente do IBTD lembra que Minas Gerais possui projetos de data centers anunciados ou em implantação em diferentes regiões. Para ele, isso demonstra que o potencial do Estado não está concentrado em único polo.

De acordo com Martins, o Sul de Minas já recebeu investimento no setor, em Varginha, assim como a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em Contagem, a Zona da Mata foi sinalizada para abrigar um parque de data centers, em Leopoldina, e o Triângulo Mineiro, especialmente Uberlândia, merece atenção pela presença de infraestrutura de telecomunicações e pelos projetos que vêm sendo discutidos na região.

Dois homens de terno posam para retratos; o homem à esquerda está em um jardim e o homem à direita aparece diante de um painel azul do IBTD.
À esq., o vice-presidente da ABDC, Luis Tossi; à dir., o presidente da IBTD, André Martins | Fotos: Divulgação ABDC e Divulgação IBTD

Negociações podem avançar com a criação do Redata

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Uberlândia, Fabiano Alves, a criação do Redata era um requisito primordial para atração de investimentos em data centers não apenas para Uberlândia, mas para o Brasil. Ele ressalta que várias empresas aguardavam o regime especial de tributação para tratar o País como oportunidade.

Segundo Alves, algumas empresas já demonstram interesse em Uberlândia, sendo que uma, a RT-One, chegou a anunciar, no ano passado, a construção de um data center no município, com aporte de R$ 6 bilhões. O projeto segue no papel, embora a prefeitura não tenha recebido informação oficial de desistência. Conforme o secretário, a empresa teve problemas societários e está revendo investimentos e a localização do empreendimento.

A cidade de Uberlândia, de acordo com ele, é atrativa para a instalação de data centers por uma série de fatores. Ele destaca, por exemplo, que o município concede incentivos fiscais, tem um excelente nível de incidência solar, possui infraestrutura de qualidade e um ecossistema de inovação, com empresas de tecnologia e startups, além de um ecossistema de educação, com instituições preparadas para gerar mão de obra para o setor.

“Em 2025, fizemos uma parceria com todas as faculdades e universidades, por meio de um chamamento público, para que pudessem criar cursos de graduação em inteligência artificial e cibersegurança. Hoje, temos seis cursos em andamento, que é um requisito extremamente importante para um data center e empresas de tecnologia”, detalha.

Outra região mineira, ainda não citada, que pode atrair data centers com o Redata é o Norte, sobretudo Montes Claros. O prefeito Guilherme Guimarães (União Brasil) aponta o regime especial de tributação como um grande atrativo nacional que se soma aos atrativos do município, que incluem ampla oferta de energia limpa, posição estratégica, mão de obra qualificada para os empreendimentos e benefícios diferenciados para as empresas.

“Estamos na área da Sudene [Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste], ou seja, com toda essa possibilidade de incentivos, ainda temos o incentivo dos recursos com taxas menores do Banco do Nordeste. Dessa forma, nós apresentamos uma das melhores condições para instalação dos data centers”, sublinha.

Segundo o prefeito, a prefeitura atua já há algum tempo no tema data centers, analisando possíveis interessados em investir em Montes Claros. Guimarães afirma que o município segue prospectando e dialogando com que tenha esse interesse nesse sentido.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)

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