Reforma tributária redesenha o mercado logístico e favorece atuação da mineira Log

A desenvolvedora e gestora de galpões classe A está presente nas cinco regiões brasileiras, com uma estratégia baseada em praças de consumo relevantes

A reforma tributária, em implementação gradual até 2033, tem um viés considerado “muito positivo” para a atuação da Log Commercial Properties e Participações. O novo modelo de tributação redesenha a logística brasileira, enquanto a empresa mineira, uma das principais desenvolvedoras e gestoras de galpões logísticos classe A do Brasil, já marca presença nas cinco regiões do País, com uma estratégia baseada em praças de consumo relevantes.

Um dos objetivos da reforma é acabar com a guerra fiscal. Para isso, os tributos passam a ser cobrados no local de consumo de bens e serviços, e não mais na origem, o que enfraquece os benefícios oferecidos por estados e municípios para atrair investimentos. A padronização das regras e a unificação de tributos reforçam esse efeito. A expectativa é que as empresas passem a definir onde operar de forma mais estratégica, priorizando infraestrutura, eficiência e proximidade do mercado consumidor.

A avaliação de que a reforma tributária traz benefícios para a companhia é do diretor de finanças e relações com investidores da Log, Henrique Schuffner. O executivo afirma que a diversificação geográfica é um dos pilares da empresa, ao lado da operação verticalizada e da entrega de ativos e serviços de qualidade para os clientes.

“Estamos focados em regiões metropolitanas com mais de um milhão de habitantes, porque é onde está o consumo. A gente constrói e cresce próximo do consumo”, pontua o executivo em entrevista ao Diário do Comércio durante a sétima edição do Encontro de Fornecedores da Log, realizada na Arena MRV, em Belo Horizonte, na sexta-feira (30).

Henrique Schuffner
Foto: Diário do Comércio/Thyago Henrique

“Com a reforma tributária, uma vez que não haverá mais regiões que hoje estão focadas em incentivos fiscais, a tendência é que os grandes players logísticos, de e-commerce e de diversos segmentos que atuam nos condomínios logísticos que produzimos estejam cada vez mais próximos dos centros de consumo. Isso fortalece nossa tese e atuação”, acrescenta.

Empresa ‘nada sozinha’ fora do eixo Rio-São Paulo com avanço do e-commerce

Embora a Log tenha uma carteira diversificada de clientes, a demanda por galpões logísticos é puxada, neste momento, pelas empresas de e-commerce. Schuffner ressalta que o segmento apresenta um crescimento “absurdo”, no entanto, ainda mantém uma baixa taxa de penetração no País, o que revela um enorme potencial de expansão.

“Esse potencial vai estar muito atrelado também à capacidade de crescimento dos condomínios logísticos, que dão todo o suporte à operação das grandes plataformas de e-commerce. Hoje, no Brasil, vemos poucos players atuando como a Log, principalmente fora do eixo Rio-São Paulo”, afirma o diretor.

Segundo o executivo, há empresas construindo galpões logísticos no eixo Rio-São Paulo, mas, fora dele, a Log está “nadando sozinha”. A companhia desenvolve seus ativos sem ter concorrência clara nem empresas estruturadas como ela nas outras regiões.

Com a pujança do e-commerce, fica cada vez maior o descompasso entre a demanda e a oferta de galpões, que são limitadas sobretudo pelo alto custo de capital, de acordo com Schuffner. A situação se reflete no aumento dos preços dos aluguéis. Ele salienta que a Log tem conseguido capturar essa valorização.

Companhia adquire terrenos para concluir plano de expansão

O plano “Log 2 milhões”, que prevê a entrega de dois milhões de metros quadrados (m²) de novos galpões logísticos pela Log entre 2025 e 2028, terá o ritmo de entregas acelerado nos dois últimos anos do ciclo. Dados apresentados no encontro com fornecedores mostram que a companhia entregou 286,9 mil m² em 2025, deve fechar 2026 com 266,3 mil m² entregues e planeja entregar 683,7 mil m² em 2027 e 762,1 mil m² em 2028.

Conforme revela o diretor, a empresa já comprou todos os terrenos necessários para concluir o plano de expansão. As aquisições precisavam acontecer até o fim deste ano para o cumprimento do cronograma do ciclo e foram fechadas antes do prazo, considerando que levam cerca de 24 meses entre a aquisição e a entrega dos ativos.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)


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