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Reino Unido tem interesse em acordo comercial com Mercosul, diz Itamaraty

A declaração foi dada à imprensa durante briefing sobre a ida do presidente Lula à 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados
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Reino Unido tem interesse em acordo comercial com Mercosul, diz Itamaraty
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, afirmou nesta sexta-feira (26) que o Reino Unido manifestou interesse em firmar um acordo comercial com o Mercosul.

Segundo o embaixador, como o Reino Unido participou das tratativas do acordo de livre comércio com a União Europeia até o Brexit, quando deixou o bloco, em 2020, as negociações não começariam “do zero” e poderiam se aproveitar de parte do que já foi definido com os europeus.

O tratado entre União Europeia e Mercosul entrou em vigor em maio após quase três décadas de negociação. O acordo vigente é temporário. Isso porque, para que passe a valer na totalidade, é necessário que os Legislativos de todos os países do bloco aprovem o texto, algo improvável devido às divergências.

“O Reino Unido manifestou interesse também em começar negociações, mas, na prática, é retomar. Quando estávamos negociando com a União Europeia, na maior parte, eles estavam dentro. Com o Brexit, saiu e agora nós vamos ter que recomeçar em outras bases, obviamente, mas muito do que já foi feito valeria”, disse Gough.

A declaração foi dada à imprensa durante briefing sobre a ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, que será realizada na próxima segunda-feira (29) e terça-feira (30) em Assunção, no Paraguai.

Lula participará apenas do segundo dia da cúpula. O Palácio do Planalto ainda não confirmou se o petista terá reuniões bilaterais. Os presidentes da Argentina, Javier Milei, do Paraguai, Santiago Peña, do Uruguai, Yamandú Orsi, da Bolívia, Rodrigo Paz, do Chile, José Antonio Kast, e do Equador, Daniel Noboa, estarão presentes.

Durante o evento, o Mercosul deve lançar formalmente as negociações do acordo de parceria econômica com o Japão, anunciado neste mês às margens da cúpula do G7, na França. Também há expectativa de que a finalização das tratativas do bloco com o Canadá seja anunciada nos próximos meses.

“Tivemos algumas rodadas de negociação ao longo desse semestre de presidência do Paraguai. A última foi no final de maio em Toronto, em que avançamos bastante na parte normativa, está praticamente fechada. Estamos nos concentrando agora em finalizar as trocas de ofertas com os canadenses”, disse o embaixador brasileiro.

O secretário do Itamaraty afirmou que um possível acordo do Mercosul com os Emirados Árabes Unidos está em um patamar similar ao do Canadá, mas confirmou que a questão da regra de origem, que exige a comprovação de onde o produto é produzido ou fabricado, ainda está em aberto. O país do no Oriente Médio compra do Brasil principalmente carne, açúcar, grãos e produtos minerais.

A embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan, secretária de América Latina e Caribe, também participou do briefing à imprensa. Ela negou que a reversão da suspensão da Venezuela do Mercosul, em vigor desde 2017, esteja em debate pelos membros do bloco ou será discutida durante a cúpula.

Em abril, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que a volta do país ao Mercosul poderia ser debatida, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e de a atual presidente Delcy Rodríguez, então vice do chavista, restabelecer as relações diplomáticas com os americanos. “À medida que está vivendo outro momento agora, isso será rediscutido”, disse Alckmin em entrevista a agências internacionais de notícias.

A cúpula do Mercosul acontece em meio a uma onda da ultradireita e da ampliação da influência do presidente dos EUA, Donald Trump, sob a América do Sul. No último domingo (21), a Colômbia elegeu presidente Abelardo de la Espriella após o primeiro governo de esquerda, com Gustavo Petro.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o cenário isola Lula ideologicamente. Um dos principais rivais do petista e aliado de Trump na região, Milei assinou recentemente um acordo comercial com os EUA. O governo brasileiro reclama de que o tratado com os argentinos pode gerar “distorções” no Mercosul e criar “barreiras regulatórias” para produtos produzidos no bloco.

“Ninguém conhece os detalhes do acordo [entre EUA e Argentina] e as implicações dele para a estrutura do Mercosul”, disse o embaixador brasileiro. Gough afirmou que a discussão sobre o tema não está formalmente na agenda da cúpula em Assunção, mas que isso não impede que ele seja tratado.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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