Com Rodoanel na Justiça, Simões propõe usar verba para expansão do metrô até Betim
Travado na Justiça, o Rodoanel Metropolitano pode ter os recursos direcionados para a expansão do metrô até Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Diante do impasse, o governo de Minas propõe redirecionar os recursos, que vêm do acordo de Brumadinho, na mesma região, já que a obra deve passar para a próxima gestão sem definição e sem data para sair do papel.
A avaliação é do governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), que apresentou o cenário das obras de infraestrutura à equipe de transição do próximo governo nesta segunda-feira (26). Segundo ele, o Estado concluiu todas as etapas preparatórias exigidas por um projeto dessa magnitude, mas a obra esbarra em uma ação judicial ainda sem julgamento.
Simões fez duras críticas duras ao juiz responsável pelo caso. Segundo o governador, o magistrado optou por não decidir e manifestou a intenção de conversar com a nova equipe de Cleitinho (Republicanos). “Ele perdeu completamente o senso do papel dele, que é julgar, e não ficar conversando com quem está assumindo a política do Estado. Até porque a nossa opinião é a mesma: de iniciar a obra”, destaca.
De acordo com o chefe do Executivo estadual, o último despacho foi dado depois da eleição e indica que o jurista aguarda a transição. Além disso, ainda há um impasse com as comunidades quilombolas, que exige a realização de 150 consultas aos povos impactados, número que também é questionado pelo gestor. “Todos os municípios cortados estão de acordo com a implantação da obra. Infelizmente, estamos entregando um judicializado”, relata.
Durante a apresentação, Simões afirmou ter pedido uma reunião com os compromitentes do acordo de Brumadinho para deixar registrada a preocupação do governo com o recurso parado. Segundo ele, abandonar o Rodoanel e deslocar o dinheiro para outro investimento é possível, mas só em caráter excepcional e com a concordância de todas as partes, incluindo a Vale.
A condição exigida é que o novo investimento precisa permanecer dentro do anexo de mobilidade da região atingida pelo rompimento da barragem. “É por isso que seria possível deslocar o recurso do Rodoanel para a expansão do metrô entre Contagem e Betim”, argumenta.
O governador descartou alternativas frequentemente mencionadas em debates sobre a ampliação do metrô em Belo Horizonte. Ele salienta que a expansão do modal Savassi-Belvedere e o Anel Rodoviário estão fora da região atingida, impossibilitando qualquer tipo de acordo.
“Esse dinheiro é de Brumadinho. Betim é parte do desastre de Brumadinho, já Belo Horizonte e a região Centro-Sul, não. Uma intervenção que só atenda à região Centro-Sul não é viável”, completa.
Obra de R$ 5 bilhões completa um ano de atraso
O Rodoanel é considerado um dos projetos de infraestrutura mais ambiciosos da história de Minas Gerais. O traçado previsto tem cerca de 70 quilômetros (km) e corta oito municípios da RMBH, entre eles Contagem, Betim, Ribeirão das Neves e Santa Luzia. O investimento total é de R$ 5 bilhões. Desse valor, R$ 3 bilhões vêm do acordo de reparação de Brumadinho e R$ 2 bilhões vêm da concessionária.
As obras estavam previstas para começar em outubro do ano passado, mas foram adiadas por entraves no licenciamento ambiental. O caso foi levado a um processo de conciliação na Justiça, que já teve audiências realizadas, mas ainda não avançou.
Transição apresenta R$ 13 bilhões previstos em concessões para 2027-2030
O governo de Minas também apresentou à equipe de transição uma carteira de 27 contratos de concessão e parceria em execução, que somam R$ 33 bilhões em investimentos. Entre os projetos estão rodovias como a MG-050, a BR-135, os lotes Triângulo e Sul de Minas, a Via Liberdade e o próprio Rodoanel, além de aeroportos, balsas, terminais metropolitanos, parques e equipamentos públicos.
Para o período de 2027 a 2030, a previsão é de R$ 13 bilhões em investimentos. Em 2025, as concessões rodoviárias receberam R$ 405,5 milhões em obras e melhorias. Segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), outros 12 projetos estão em estruturação para o período de 2026 a 2030, entre eles as futuras linhas 3 e 4 do metrô de Belo Horizonte.
Publicidade Legal
Impresso
Ver outras datasDigital
Ver outras datasOuça a rádio de Minas