Samarco e MPMG firmam acordo para indenização de vítimas

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Samarco e MPMG firmam acordo para indenização de vítimas
Acerto entre as partes ocorre quase três anos após o rompimento da barragem de Fundão - Foro: Antonio Cruz/ABr

Quase três anos após o rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (região Central do Estado), a Samarco e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) firmaram acordo para assegurar a indenização à população atingida. A expectativa é de que as negociações sejam iniciadas nos próximos meses e as primeiras compensações sejam pagas no primeiro semestre do ano que vem.

As informações são do promotor de Justiça de Mariana, Guilherme de Sá Meneghin. Segundo ele, o acordo firmado na última terça-feira (2) entre o MPMG e as acionistas da Samarco – Vale e BHP Billiton – surpreendeu positivamente.

“Considerando a proporção do ocorrido e os envolvidos, podemos dizer que o acordo ocorreu num prazo razoável e com decisões satisfatórias. Os impasses eram grandes, mas conseguimos garantir os direitos dos atingidos”, avaliou.

Meneghin destacou que o acordo prevê a reparação integral de todos os prejuízos sofridos pela comunidade, incluindo danos morais. As empresas terão três meses para fazer as propostas com os valores de indenização para cada família afetada e o valor proposto deverá ser avaliado individualmente. Caso o atingido discorde da proposta apresentada pela mineradora, poderá recorrer, indicando a quantia que acredite ser justa.

“Mas um dos maiores ganhos do acordo diz respeito ao novo prazo que as vítimas terão para acertar o valor de indenização: três anos a contar do dia 2 de outubro de 2018. E não mais em 5 de novembro, quando completará três anos do rompimento e da tragédia”, explicou.

Além disso, segundo ele, o acordo pôs à disposição das vítimas advogados cujos honorários serão cobertos por contas da Samarco bloqueadas judicialmente, agregando uma maior segurança jurídica aos processos.

Afetados – Um levantamento inicial, produzido pela Assessoria Técnica Cáritas, identificou mais de 3 mil pessoas afetadas em Mariana que deverão ser indenizadas. “O acordo garante reparação legal. E colocamos, ainda, uma cláusula específica, onde as empresas reconhecem a vulnerabilidade das vítimas. Então, se, eventualmente, um juiz tiver que julgar, ele tenderá a ser mais favorável à defesa das vítimas”, ressaltou Meneghin.

Conforme o promotor, ainda não é possível estimar o valor a ser pago pela Samarco.
Por meio de nota, a Fundação Renova disse que, até o momento, do município de Barra Longa até a Foz, mais de 7 mil famílias cadastradas já receberam suas indenizações finais.

De acordo a representante da Samarco, em 2016, foram realizadas reuniões para levantar dados e elaborar o que chama de Matriz de Danos. A proposta do cadastro integrado segue em curso nos municípios de Barra Longa até a Foz, com exceção de Mariana (Bento Rodrigues), que solicitou reformulação no modelo apresentado. Em outubro de 2017, foi decidido em uma ação civil pública que o cadastro em Mariana passasse a ser conduzido pela Cáritas.

A mineradora interrompeu suas atividades no dia do rompimento da barragem, há quase três anos, e ainda não voltou a operar. A empresa iniciou esta semana obras de adaptação do local que substituirá a barragem de Fundão e que receberá o rejeito quando a produção for retomada.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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