Foi observada retração de 9,4% nos serviços de transporte no Estado, segundo o IBGE - CRÉDITO:ALISSON J. SILVA/Arquivo DC

O setor de serviços em Minas Gerais apresentou, em abril, um avanço de 0,3% frente a março de 2019, na série com ajuste sazonal. Porém, em relação ao mesmo intervalo de 2018, foi apurada queda de 0,6%, conforme mostrou os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O fraco desempenho do setor é justificado pela economia enfraquecida, pela alta taxa de desemprego e pelo comprometimento da renda das famílias.

A analista do IBGE Minas Gerais, Cláudia Pinelli, explica que o resultado positivo verificado na comparação de abril com março acompanhou a tendência nacional, que também apresentou aumento de 0,3%.
Já na comparação mensal (abril 2019/abril 2018), houve queda de 0,6%. No período, foi observada retração no volume de serviços de transporte, serviços auxiliares de transporte e correio (9,4%) e serviços prestados às famílias (2,9%).

“A retração na comparação mensal está atrelada, principalmente, aos serviços prestados às famílias, que vem acumulando quedas nos últimos meses. A redução está fortemente relacionada ao fraco desempenho do mercado de trabalho, à alta taxa de desemprego e do comprometimento da renda das famílias. No setor de transporte, que também apresentou queda, o desempenho baixo da indústria justifica o resultado negativo”, explicou.

Ainda na comparação mensal, em Minas Gerais, foi registrada elevação de 4% no índice de volume de serviços de informação e comunicação. O serviço de profissionais, administrativos e complementares cresceu 4,2% e outros serviços 24,8%.

Acumulado – No acumulado do ano até abril, frente igual intervalo de 2018, o setor de serviços em Minas Gerais cresceu 0,5%. Influência que veio dos resultados positivos de serviços de informação e comunicação (3,8%), serviços profissionais, administrativos e complementares (2,6%) e outros serviços (20,9%).

Ainda em relação aos quatro primeiros meses do ano, o índice de volume de serviços retraiu 2,5% em serviços prestados às famílias e apresentou queda de 5,1% em serviços de transporte, serviços auxiliares de transporte e correio.

Em relação aos últimos 12 meses, a variação ficou 0,5% maior quando comparada com igual período de 2018. Nesta base de comparação, foram verificados resultados positivos nos índices de volume de serviços de informação e comunicação (1%), serviços de transporte, serviços auxiliares de transporte e correio (0,6) e outros serviços (16,3%).

No período, assim como nas demais bases de comparação, os serviços prestados às famílias retraíram 2,2%. Queda também em serviços profissionais, administrativos e complementares (2%).

Resultado ficou positivo no País

Rio e São Paulo – O volume de serviços no Brasil teve alta em abril pela primeira vez no ano com destaque para serviços de informação e comunicação, e iniciou o segundo trimestre com leve força em meio à perspectiva de fraqueza da economia do País neste ano.

Em abril, o volume do setor cresceu 0,3% na comparação com o mês anterior, de acordo com os dados divulgados ontem pelo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos quatro primeiros meses do ano, o volume de serviços no Brasil acumulou perdas de 1,8%. Em relação ao mesmo período de 2018, o volume apresentou recuo de 0,7%, na segunda taxa negativa seguida.

As expectativas em pesquisa da Reuters eram de alta de 0,4% na comparação mensal e queda de 0,5% na base anual.

“Não dá para dizer que estamos num início de recuperação ou de uma nova tendência. A variação de 0,3% não elimina a perda dos demais meses”, afirmou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Os dados do IBGE mostram que os serviços de informação e comunicação aumentaram em abril 0,7%, recuperando com isso parte da perda de 1,8% registrada no mês anterior.

“O que puxou o resultado foi informação e comunicação, que é o que mais pesa, com 33%. Houve um aumento de TV aberta e de empresas de TI”, disse Lobo.

Outras duas atividades apresentaram ganhos no mês – serviços profissionais, administrativos e complementares, de 0,2%; e serviços prestados às famílias, de 0,1%.

De acordo com o IBGE, shows e espetáculos realizados em abril – com destaque para o Lollapalooza em São Paulo e o Cirque du Soleil, no Rio de Janeiro – ajudaram no resultado positivo do setor em abril. Hospedagem, alimentação e gestão de espaços para eventos ajudaram os serviços prestados às famílias a manterem a tendência positiva do mês anterior.

Por outro lado, os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio contraíram 0,6%; enquanto outros serviços tiveram queda de 0,7%.

Em meio à inflação baixa, mas diante de um cenário de desemprego ainda elevado no país, o setor de serviços foi em abril na contramão das vendas varejistas, que tiveram o primeiro resultado negativo para o mês.

Já a produção industrial teve alta abaixo do esperado em abril, de 0,3%.
No primeiro trimestre, os serviços cresceram apenas 0,2% na comparação com os três meses anteriores, em uma economia que apresentou no período recuo de 0,2%, a primeira queda trimestral desde o fim de 2016. (Reuters)