Mesmo que não vingue, nova tarifa dos EUA já impacta produção mineira, diz economista
Se a nova tarifa de 25% dos Estados Unidos (EUA) sobre produtos brasileiros for aprovada, a expectativa é que, além de itens já taxados em 10% ficarem ainda mais caros para exportação, o mercado estadunidense amplie restrições à produção brasileira e mineira, com perda de competitividade para o País. Além disso, mesmo que a sobretaxa não vingue, já há impactos no mercado. A análise é do economista, educador financeiro e consultor empresarial Leonardo Baldez Augusto.
“O importador americano passa a comparar o produto brasileiro com alternativas de outros países que podem chegar ao mercado com custos menores. E, em comércio internacional, uma diferença de poucos pontos percentuais já pode alterar decisões de compra. Com uma sobretaxa dessa magnitude, o impacto tende a ser ainda mais relevante”, afirma o especialista.
Com perda de competitividade, segundo ele, não apenas as empresas exportadoras sofrem impactos, como toda a cadeia de fornecedores, logística, serviços e empregos associados.
Como a tarifa já afeta o mercado
A nova tarifa do governo Trump, sugerida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) como uma resposta a “práticas comerciais injustas por parte do Brasil”, incluindo o Pix, passa por consulta pública e pode não ser, de fato, aplicada. A decisão deve sair até 15 de julho. Apesar disso, segundo Augusto, os impactos já começam a ser sentidos.
“O primeiro impacto é a incerteza. E, muitas vezes, a incerteza gera efeitos antes mesmo da tarifa entrar em vigor. Empresas começam a postergar investimentos, revisar contratos e reavaliar projeções de vendas. Em setores exportadores relevantes para Minas, isso pode significar menor disposição para ampliar capacidade produtiva ou contratar novos funcionários”, diz o economista, que já atuou na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e em instituições financeiras, como o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).
Ele completa destacando que, se a medida for efetivamente implementada e permanecer por um período prolongado, poderá ocorrer redução gradual das exportações para os Estados Unidos em alguns segmentos específicos. “Isso não significa necessariamente uma queda imediata da produção, porque parte desse volume pode ser redirecionada para outros mercados. Porém, esse processo leva tempo e nem sempre ocorre sem perdas”, diz.
“Para a economia mineira, o risco está principalmente na desaceleração de cadeias produtivas estratégicas. Menos exportação significa menos receita em dólar, menor geração de riqueza e possível impacto sobre investimentos futuros. Além disso, Minas é um Estado altamente integrado ao comércio exterior. Quando grandes exportadores reduzem o ritmo, o efeito se espalha para transportadoras, prestadores de serviço, fornecedores de insumos e até arrecadação pública”, declara Augusto.
Empresas exportadores devem diversificar mercados
Leonardo Baldez Augusto orienta às empresas exportadoras que busquem a diversificação de mercados. “A principal recomendação é não depender excessivamente de um único destino comercial. Empresas que possuem presença em diferentes regiões do mundo costumam absorver melhor choques geopolíticos e mudanças regulatórias”, afirma.
Conforme ele, há oportunidades relevantes na Ásia, no Oriente Médio, na América Latina e em países europeus que buscam ampliar fornecedores estratégicos. “O momento exige que as empresas mineiras reforcem inteligência comercial, ampliem prospecção internacional e fortaleçam sua presença em novos mercados”, defende.
“Também é fundamental revisar estratégias cambiais, contratos internacionais e planejamento financeiro. Empresas que trabalham com exportação precisam estar preparadas para cenários de maior volatilidade. Do ponto de vista econômico, o maior risco não é apenas a tarifa em si. O maior risco é a imprevisibilidade. Quando o empresário perde visibilidade sobre regras futuras, ele investe menos, assume menos riscos e adota uma postura mais defensiva. Para Minas Gerais, que possui uma economia fortemente exportadora, acompanhar esse processo será fundamental nos próximos meses. Caso a medida avance após as consultas públicas previstas nos Estados Unidos, o Estado pode sentir reflexos relevantes em alguns de seus setores mais estratégicos”, encerra.
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