Economia

Tarifaço dos EUA pressiona setores que exportam US$ 234 milhões em Minas, diz Fiemg

Café, ferro-gusa e ferronióbio escaparam da sobretaxa de 25%; indústria, porém, teme novo anúncio que pode elevar cobrança para 37,5%
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Tarifaço dos EUA pressiona setores que exportam US$ 234 milhões em Minas, diz Fiemg
Foto: Cláudio Neves / Porto de Paranaguá

A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras nesta quarta-feira (22) deve atingir um grupo restrito, mas estratégico, de exportações de Minas Gerais. Levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostra que os principais produtos mineiros sujeitos à nova cobrança movimentaram cerca de US$ 234 milhões em exportações para o mercado norte-americano em 2025.

O valor representa apenas uma parcela da pauta exportadora do Estado para os Estados Unidos. Em 2025, segundo dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), as exportações mineiras para o país somaram US$ 4,3 bilhões. Conforme o levantamento da Fiemg, os produtos que permaneceram isentos da medida responderam por aproximadamente US$ 3,3 bilhões no mesmo período, quase 14 vezes o valor dos itens tarifados.

Entre os itens isentos estão alguns dos principais produtos exportados por Minas Gerais, como café verde, ferro-gusa, ferronióbio, ouro, carne bovina e celulose.

Outro ponto relevante é que as cargas embarcadas no Brasil antes da entrada em vigor da tarifa poderão ser dispensadas da cobrança, desde que ingressem no mercado norte-americano até 29 de julho.

O governo brasileiro estuda aplicar a reciprocidade quando achar o “momento oportuno”.

Impacto relevante apesar de limitado

Ainda assim, a avaliação da indústria é de que o impacto pode ser relevante para empresas altamente dependentes do mercado norte-americano. Isso porque vários dos produtos atingidos têm forte concentração da produção nacional em Minas Gerais, o que reduz a margem para redirecionar as vendas a outros mercados no curto prazo.

É o caso dos disjuntores de baixa tensão, das obras de magnesita, dolomita ou cromita, da ardósia trabalhada e de diferentes materiais refratários. Em alguns desses segmentos, Minas Gerais responde por praticamente toda a exportação brasileira.

Entre os produtos que passam a pagar a sobretaxa estão também o sebo bovino, ovino e caprino, pedras preciosas e semipreciosas trabalhadas, preparações capilares e equipamentos médicos. O sebo lidera a lista em valor exportado, com quase US$ 34 milhões em embarques para os Estados Unidos em 2025, seguido pelos disjuntores de baixa tensão, que movimentaram cerca de US$ 33 milhões.

Próximo anúncio amplia preocupação

Apesar de grande parte das exportações mineiras ter ficado fora da lista de produtos tarifados, a Fiemg avalia que o cenário ainda é de incerteza. A entidade acompanha um novo anúncio previsto para quinta-feira (23), quando o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) poderá confirmar uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a uma investigação sobre mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Se a nova cobrança for cumulativa à tarifa que entrou em vigor nesta quarta-feira, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.

“A combinação das medidas pode colocar produtos brasileiros em desvantagem significativa diante dos principais concorrentes internacionais, e essa diferença pode pesar diretamente na escolha do importador. A preocupação não está apenas no tamanho da tarifa, mas na diferença de tratamento entre fornecedores que disputam os mesmos compradores. O momento exige negociação, clareza nas regras e previsibilidade para preservar contratos e mercados estratégicos”, afirma a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN/Fiemg, Verônica Ribeiro Winter.

Veja os produtos mineiros afetados pela tarifa de 25% (clique para ampliar)

Exportações Fiemg
Fonte: Fonte: Centro Internacional de Negócios da FIEMG. Valores referentes a 2025. SH6 corresponde à classificação do Sistema Harmonizado com seis dígitos.
Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG, pós-graduanda em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas