Economia

Taxa de condomínio em Belo Horizonte sobe 20% em um ano, aponta Loft

Levantamento da Loft aponta que o valor médio mensal da cobrança fechou em R$ 794 em abril
Atualizado em 19 de maio de 2026 • 16:41
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Taxa de condomínio em Belo Horizonte sobe 20% em um ano, aponta Loft
Foto: Reprodução Adobe Stock

A taxa média de condomínio em Belo Horizonte aumentou 20% nos quatro primeiros meses deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. O levantamento feito pela Loft mostra que o valor médio mensal da cobrança fechou em R$ 794 em abril.

O gerente de dados da Loft, Fábio Takahashi, explica que o condomínio é um custo fixo relevante e tende a crescer acima da inflação em períodos de pressão sobre os custos de manutenção, segurança e serviços. “Em Belo Horizonte, a alta reflete tanto a chegada de novos empreendimentos com padrão mais elevado quanto o reajuste em empreendimentos mais antigos, que começam a incorporar mais serviços”, afirma.

O especialista avalia que um dos fatores que mais impactam na taxa de condomínio é o custo da mão de obra. Ele relata que o cenário atual é de mercado de trabalho aquecido e índice de desemprego com um dos patamares mais baixos da série histórica. “Isso gera pressão nos salários e na taxa de condomínio”, avalia.

Outro ponto mencionado é a valorização no mercado imobiliário da Capital. Segundo Takahashi, as pessoas estão pagando cada vez mais pelos imóveis e, portanto, exigem serviços ainda melhores nos condomínios onde moram. A melhoria nos serviços prestados, como segurança e manutenção, pressiona as taxas praticadas na capital mineira.

A pesquisa destaca que os maiores crescimentos percentuais se concentram em bairros de renda média, onde a chegada de novos empreendimentos eleva o patamar médio dos condomínios. O bairro Ipiranga, na região Nordeste da Capital, registrou a maior variação no período, com alta de 83%.

Além dele, os bairros Palmares (67%), também na região Nordeste, e Carmo (53%), na região Centro-Sul, foram outros destaques, com resultados acima de 50%. No caso do Carmo, o bairro figura tanto entre os que mais valorizaram quanto entre os mais caros da capital mineira, com condomínio médio de R$ 996.

Takahashi pontua que esses aumentos costumam refletir mudanças na composição dos anúncios na região. “A entrada de novos empreendimentos, especialmente condomínios-clube, pode elevar rapidamente a média, mesmo quando o valor final ainda é relativamente acessível”, afirma.

Confira os bairros de BH com as maiores valorizações na taxa de condomínio:

  • Ipiranga (83%);
  • Palmares (67%);
  • Carmo (53%);
  • Calafate (50%);
  • Centro (50%);
  • Paquetá (50%);
  • Novo São Lucas (50%);
  • Jaraguá (47%);
  • União (43%);
  • Comiteco (40%).

Por outro lado, o bairro Camargos, na região Oeste, lidera a lista de desvalorização, com retração de 12%, sendo o único com variação negativa de dois dígitos. Em seguida, aparecem Nova Floresta (-8%), na região Noroeste, e Graça (-2%), na região Nordeste. Já o Alto Barroca, também na região Oeste, apresentou estabilidade.

Condomínios mais caros

Vista aérea de Belo Horizonte.
Foto: Reprodução Adobe Stock

O estudo da Loft mostra que o Belvedere, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, registrou a taxa de condomínio mais elevada da capital, atingindo R$ 2.749 após alta de 25% em um ano. O bairro é o único com valor médio na casa dos R$ 2 mil.

O Belvedere também é o único representante da cidade entre os dez bairros com as maiores taxas de condomínio entre as capitais brasileiras monitoradas, ficando em segundo lugar, atrás apenas do Jardim Europa, em São Paulo (SP), onde a taxa mensal custa, em média, R$ 3.085.

“Belvedere reúne imóveis de alto padrão com metragens maiores, o que eleva o custo de manutenção”, explica Takahashi.

Além dele, os demais destaques da capital mineira são os bairros Comiteco e Luxemburgo, na região Centro-Sul, com taxas médias de R$ 1.538 e R$ 1.350, respectivamente. Em seguida, aparecem bairros tradicionais como Funcionários (R$ 1.300), Lourdes (R$ 1.265) e Savassi (R$ 1.100), também na região Centro-Sul.

Veja os bairros de Belo Horizonte com as maiores taxas de condomínio:

  • Belvedere (R$ 2.749);
  • Comiteco (R$ 1.538);
  • Luxemburgo (R$ 1.350);
  • Funcionários (R$ 1.300);
  • Lourdes (R$ 1.265);
  • Savassi (R$ 1.100);
  • Santa Lúcia (R$ 1.100);
  • Boa Viagem (R$ 1.082);
  • Sion (R$ 1.000);
  • Santo Agostinho (R$ 1.000).

Projeções para os próximos meses

O gerente de dados da Loft esclarece que o aumento na taxa de condomínio pode ser observado em todas as capitais analisadas pelo estudo. No Rio de Janeiro, por exemplo, o avanço foi de 16% frente ao primeiro quadrimestre do ano passado e em São Paulo, o avanço foi de 9%. Porém, Belo Horizonte tem apresentado resultados mais expressivos que as demais cidades.

Para o especialista, um dos fatores que pode explicar esse cenário são os valores mais baixos praticados na capital mineira. “Quando os preços são mais baixos, temos mais margem para aumentar mais rapidamente. Essa é uma possível explicação para o aumento mais forte em Belo Horizonte”, completa.

Takahashi avalia que a tendência para os próximos meses na Capital é de manutenção desse aumento, porém, como possibilidade de desaceleração após esse resultado mais expressivo. Ele ressalta que é difícil manter o desempenho em patamares muito elevados, mesmo com o cenário macroeconômico oferecendo as condições ideais para a continuação do crescimento.

O gerente de dados relata que os dois principais fatores que influenciam a taxa não devem apresentar grandes mudanças, com o mercado de trabalho ainda aquecido e a valorização no mercado imobiliário firme nos próximos meses.

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