Crédito: Alisson J. Silva

Apesar de ainda apresentar números negativos em relação ao período pré-pandemia, o transporte rodoviário de cargas começou a mostrar recuperação em Minas Gerais.

A queda no mês de junho em relação à época antes da disseminação do Covid-19 foi de 30,6%. Porém, em abril, a retração chegou a 41% e em maio a 38,67%. Os dados foram divulgados pela NTC&Logística.

De acordo com o assessor técnico da empresa e responsável pela pesquisa, Lauro Valdivia, os números menos negativos do mês passado estão relacionados à reabertura gradual da economia.

O Estado chegou a avançar nesse sentido, embora algumas cidades tenham recuado posteriormente, inclusive a capital mineira, que voltou a permitir a abertura apenas dos serviços considerados essenciais. Isso, inclusive, poderá resultar em uma queda mais acentuada do setor de transporte rodoviário de cargas em julho, segundo Valdivia.

“Em abril, a queda foi maior porque muitos estabelecimentos fecharam totalmente. Apesar de a retração média ter sido de 41%, muitos segmentos chegaram a cair 70% ou 80%. Depois, além de alguns estabelecimentos terem reaberto em maio, o próprio mercado foi se adaptando, passando a vender mais pela internet, por exemplo, o que ajudou a elevar um pouco os números”, diz o responsável técnico pela pesquisa.
No entanto, salienta Valdivia, mesmo com um pequeno fôlego, a retração ainda é alta no setor. “Uma queda de 30,6% é bastante representativa. É muito difícil se adaptar a ela”, salienta.

O que muitos têm feito é, por exemplo, segundo Valdivia, diminuir o número de vezes que se faz uma determinada rota, por causa do volume menor, o que, inclusive, resulta em uma ampliação de prazos.

Expectativas – Apesar das reduções dos números, o assessor técnico da NTC&Logística afirma que as perspectivas são de que o setor se recupere gradativamente, mesmo com os retrocessos eventuais na abertura do comércio, como ocorreu em Belo Horizonte. No entanto, o ano deve mesmo fechar em queda.

“O transporte depende do comércio e da indústria. Porém, muita coisa já foi perdida. Muita gente perdeu o emprego e vai consumir menos”, destaca.

De acordo com ele, o recuo no transporte poderá ser o dobro ou o triplo do Produto Interno Bruto (PIB). Projeções mais recentes do mercado financeiro dão conta de que a retração do PIB será em torno de 6,5% neste ano.

Portanto, a queda no transporte pode ser de aproximadamente 13% ou mesmo um pouco mais. “Porém, a tendência é que não seja algo como esses 30,6% de agora”, ressalta Valdivia.