Trump prorroga decreto que mantém sanções ao Brasil, mas medida não deve ter efeito sobre tarifas

Presidente dos EUA renova emergência nacional, preservando base legal para medidas, mas sem criar novas penalidades
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Trump prorroga decreto que mantém sanções ao Brasil, mas medida não deve ter efeito sobre tarifas
Foto: Nathan Howard / Reuters

O presidente Donald Trump renovou por mais um ano a emergência nacional declarada contra o Brasil, preservando a base legal que permite ao governo americano manter sanções adotadas com fundamento na IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional).

A renovação não cria novas penalidades nem amplia as medidas já adotadas contra o Brasil no caso do tarifaço. O uso dessa lei para sobretaxar os países foi derrubado pela Suprema Corte e, por isso, esta renovação não deve ter efeito prático sobre o Brasil no que se refere à exportação de produtos.

A decisão vai ser publicada nesta quarta-feira (29) no Federal Register, o Diário Oficial dos EUA, e atende à exigência da NEA (National Emergencies Act), segundo a qual uma emergência nacional expira automaticamente após um ano.

Ex-diretor da OMC (Organização Mundial do Comércio), Roberto Azêvedo afirmou à Folha que, apesar de a IEEPA não poder ser usada para tarifar outros países, a medida estende a aplicação de sanções financeiras contra autoridades brasileiras sob essa legislação.

“A Suprema Corte derrubou todos os elementos tarifários que estavam sendo aplicados sobre a IEEPA. Agora, tudo que não é tarifa continua”, diz.

Além das tarifas, a IEEPA também é a base legal para sanções econômicas dos EUA, como o congelamento de bens de indivíduos ligados a organizações designadas como terroristas, entre elas o PCC e o Comando Vermelho.

Ao justificar a renovação, Trump reiterou as acusações feitas contra o governo brasileiro no ano passado. Segundo o documento, políticas e ações do Brasil continuam representando uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.

No documento, a Casa Branca relembra que a medida foi adotada para lidar “com a ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”.

Também diz, sem citar o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, que “membros do governo do Brasil estão perseguindo politicamente um ex-presidente do Brasil, sua família e seus seguidores, o que está contribuindo para a deliberada quebra do Estado de Direito no Brasil, para a intimidação politicamente motivada naquele país e para abusos de direitos humanos”.

“Certas atividades, como a censura e a prisão, por parte do Supremo Tribunal Federal do Brasil, de pessoas que exercem sua liberdade de expressão, e a censura de conteúdo online, continuam a representar uma ameaça incomum e extraordinária -com origem, total ou substancialmente, fora dos Estados Unidos- à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”, completa o documento.

Essa lei foi usada no ano passado para que o governo Trump aplicasse uma sobretaxa de 40% sobre os produtos brasileiros, que foi somada à tarifa de 10% anunciada no início da gestão. Ao todo, o Brasil foi sobretaxado em 50% -porém, as tarifas caíram, parte delas após a reaproximação entre Trump e o presidente Lula (PT) e, meses depois, após a Suprema Corte suspender o uso tarifário da IEEPA por Trump.

Apesar disso, o Brasil agora enfrenta outras tarifas, que foram anunciadas ao longo de julho, somam 37,5% de sobretaxas aos produtos brasileiros e são frutos de duas investigações do USTR (Escritório do Comércio dos EUA).

Na primeira delas, o Brasil foi acusado de práticas comerciais desleais, incluindo o Pix e a censura das redes sociais, e por isso foi sancionado com 25% -apesar de ter uma lista extensa de exceções. A outra é a investigação em que o Brasil foi incluído, assim como outras 59 economias, por supostamente falhar no combate ao trabalho forçado.

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Isabella Menon
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