Usiminas lucra R$ 243 milhões no 3º trimestre e reverte prejuízo de 2025

Resultado caiu 43% em relação ao segundo trimestre, enquanto receita líquida avançou 1%; mineração registrou retração nas vendas e na produção

A Usiminas registrou lucro líquido de R$ 243 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 3,5 bilhões apurado no mesmo período do ano passado. Apesar da recuperação na comparação anual, o resultado representou uma queda de 43% em relação ao segundo trimestre deste ano, quando a companhia lucrou R$ 428,2 milhões.

A receita líquida, por sua vez, cresceu 1% na comparação com o segundo trimestre, alcançando R$ 6,2 bilhões. Em relação ao mesmo período de 2025, houve recuo de 6%. O resultado foi sustentado pelo mercado interno, onde o faturamento avançou 5%, para R$ 5,3 bilhões. Já a receita com exportações caiu 16%, totalizando R$ 886,2 milhões.

Segundo a companhia, o ambiente de negócios permaneceu desafiador devido aos desequilíbrios na oferta mundial de aço, à volatilidade dos mercados internacionais e às incertezas sobre o crescimento das principais economias. No Brasil, a Usiminas destaca que as importações de aço provenientes de países como Vietnã, Coreia do Sul e Egito, além da entrada indireta de produtos importados, continuam pressionando a indústria nacional.

Na mineração, os indicadores apresentaram retração. As vendas de minério de ferro recuaram 18,4% na comparação com o segundo trimestre, para 2 milhões de toneladas, enquanto a produção caiu 13,1%, totalizando 1,92 milhão de toneladas. Em relação ao mesmo período de 2025, as quedas foram de 19,5% nas vendas e de 20,4% na produção. O Ebitda ajustado somou R$ 19 milhões, ante R$ 71 milhões no trimestre anterior, e a margem recuou de 7,9% para 3%.

A companhia atribuiu o desempenho da mineração à queda dos preços internacionais do minério de ferro e aos elevados custos dos fretes marítimos. Diante desse cenário, decidiu paralisar temporariamente uma das plantas em setembro.

Na siderurgia, o Ebitda ajustado somou R$ 538 milhões, queda de 22% em relação ao segundo trimestre. A margem recuou de 13% para 10%. Embora o volume de vendas tenha avançado 5%, para 1 milhão de toneladas, a receita líquida por tonelada caiu 0,3%, enquanto o custo dos produtos vendidos por tonelada aumentou 2,4%.

O mercado interno respondeu por 979 mil toneladas comercializadas, crescimento de 5% na comparação com o segundo trimestre. As exportações totalizaram 55 mil toneladas, recuo de 7%. Entre as vendas domésticas, o setor automotivo concentrou 38,2% do volume, seguido pela grande rede, com 32%, e pela indústria, com 29,8%.

No consolidado, o Ebitda ajustado alcançou R$ 558 milhões, com margem de 9%, ante 12% no segundo trimestre. Apesar da redução do resultado operacional, a companhia encerrou setembro com posição de caixa líquido de R$ 471 milhões.

Usiminas projeta desafios para o quarto trimestre

Para o quarto trimestre de 2026, a Usiminas projeta aumento das vendas de aço no mercado externo, o que deverá compensar parcialmente a redução sazonal das comercializações no mercado interno. A companhia, entretanto, espera uma piora no mix de vendas, com possível impacto negativo sobre a receita líquida por tonelada.

A companhia também prevê a continuidade das pressões sobre os custos, principalmente de matérias-primas, insumos e energia. Nesse cenário, a expectativa é de redução moderada dos resultados operacionais da divisão de siderurgia.

Na mineração, a projeção também é de retração nas vendas de minério de ferro, diante das condições do mercado internacional e dos custos dos fretes marítimos. A Usiminas afirma que trabalha para otimizar custos e despesas e que está preparada para retomar os níveis de produção com maior eficiência quando as condições de mercado se normalizarem.

Lucro acumulado supera R$ 1,5 bilhão até setembro

De janeiro a setembro de 2026, a Usiminas acumulou lucro líquido de R$ 1,56 bilhão, revertendo o prejuízo de R$ 3,03 bilhões registrado nos mesmos meses de 2025.

No acumulado do ano, o Ebitda ajustado somou R$ 1,97 bilhão, crescimento de 25% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida, por outro lado, recuou 9%, de R$ 20 bilhões para R$ 18,2 bilhões. As vendas no mercado interno geraram R$ 15,3 bilhões, queda de 5%, enquanto a receita com exportações diminuiu 27%, passando de R$ 3,9 bilhões para R$ 2,9 bilhões.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.


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