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Vale estuda cisão da área de metais básicos

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Crédito: REUTERS/Washington Alves
Crédito: REUTERS/Washington Alves

Rio – A Vale avalia a opção de realizar um spin off (cisão) da unidade de metais básicos e uma eventual oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), como forma de agregar valor ao negócio, cuja demanda tem sido alavancada pelo mercado de transição energética.

A companhia já é uma das maiores produtoras globais de metais básicos, como níquel e cobre, importantes matérias-primas para a fabricação de baterias e outros componentes que atendem às indústrias de energias renováveis e carros elétricos.

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O presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, afirmou que a companhia sempre olha as opções que estão ao seu alcance e que atualmente a empresa já trabalha em um rearranjo de ativos, melhoria da produtividade e reposição de capacidade, tendo concluído recentemente a venda do deficitário VNC.

“Existe uma discrepância, que já existia no passado, de não percepção de valor de metais básicos dentro da Vale… claro que a gente olha essa opção (de realizar um spin off). A gente começou a analisar”, afirmou o executivo, ao participar de teleconferência com analistas de mercado sobre o primeiro trimestre.

“Temos que trabalhar nas fundações do negócio e estarmos prontos para as opcionalidades”, afirmou.

“As fundações… são projetos de reposição de capacidade…, que é importantíssimo para o negócio, inclusive se for fazer um IPO; os trabalhos de produtividade, que são obviamente necessários… e claramente a VNC, que a gente considera muito sucesso a saída de um ativo que obviamente não adicionava no portfólio.”

O executivo também destacou que a empresa se “vê de fato como uma das poucas empresas ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), green, com portfólio muito forte de produtos de todos os níveis, de todas as dimensões ligados ao carro elétrico”.

Os estudos vêm após a empresa ter concluído compromissos importantes para reparações e indenizações relacionadas ao rompimento de barragens em Minas Gerais nos últimos anos, com grande número de mortes e de danos ao meio ambiente.

A empresa chegou a avaliar em 2014 a realização de uma cisão da unidade de metais básicos para realizar um IPO, mas o tema perdeu força após o rompimento de barragem da Samarco – joint venture da Vale com a anglo-australiana BHP, em novembro de 2015.

O vice-presidente-executivo de Metais Básicos, Mark Travers, ressaltou que a empresa tem hoje melhor “fundação” e “narrativa” para a realização da cisão do que tinha em 2014.

Venda de ativos – Em meio aos avanços com compromissos ESG, a Vale busca a venda de sua mina de carvão Moatize, em Moçambique. Segundo executivos da mineradora, foram assinados mais de 20 acordos de confidencialidade, e o desinvestimento do empreendimento poderá ser realizado ainda neste ano.

“Há sim muitos interessados… ainda é muito preliminar ver se esse interesse vai se traduzir em real intenção. Mas estamos positivos de que teremos novidades ao longo do segundo semestre, nesse processo de desinvestimento”, disse o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores, Luciano Siani.

Ele destacou ainda que a empresa tem grande expectativa para aumento da produção na mina de Moatize e acredita ser “perfeitamente possível” que o negócio gere caixa positivo já no início de 2022, desde que haja uma recuperação dos preços do carvão.

O objetivo é atingir produção de 15 milhões de toneladas em Moatize no início do segundo semestre. No início de 2022, a produção poderá atingir 18 milhões de toneladas, com a chegada de novos equipamentos já encomendados, segundo Siani. (Reuters)

Empresa programa start-up de barragem

Rio e São Paulo – A Vale projeta que o start-up da barragem de Torto, em sua mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (região Central) deve ocorrer no quarto trimestre deste ano, o que permitiria uma capacidade de produção adicional de 17 milhões de toneladas por ano na unidade, segundo apresentação divulgada a investidores ontem.

Antes, no segundo trimestre, a companhia vê aumento na capacidade das minas de Vargem Grande (+ 6 milhões de toneladas por ano) e Fábrica (+ 4 milhões), em meio a iniciativas de um plano de retomada de operações da companhia.

No terceiro trimestre, a Vale espera nova elevação na capacidade de Vargem Grande (+ 4 milhões de toneladas), com o start-up da barragem Maravilhas III, e em Serra Leste (+2 milhões de toneladas), com a instalação de britadores móveis, ainda segundo a apresentação.

Produção -Executivos da mineradora Vale afirmaram ontem estar confiantes de que a companhia atingirá a meta de produção de minério de ferro para este ano, no intervalo entre 315 milhões e 335 milhões de toneladas, diante dos resultados já alcançados e de perspectivas para o ano.

Em teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre, os executivos também previram que haverá suporte para o prêmio de minério de ferro ao longo do ano, com demanda chinesa firme.

Já a capacidade de produção da mineradora deverá alcançar 350 milhões de toneladas até o fim deste ano, com o retorno de operações que foram paralisadas para aprimorar parâmetros de segurança, após rompimento de barragem em Brumadinho (Região Metropolitana de Belo Horizonte), em janeiro de 2019.

O vice-presidente executivo de Ferrosos, Marcello Spinelli, reiterou ainda que a empresa prevê atingir a capacidade de 400 milhões de toneladas no fim de 2022 e 450 milhões de toneladas no longo prazo.

A capacidade de produção atual é de 327 milhões de toneladas ao ano. (Reuters)

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