Economia

Vallourec demonstra resiliência a desafios impostos pela guerra

Clientes mantiveram os pedidos e mercado no Oriente Médio continua atrativo
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Vallourec demonstra resiliência a desafios impostos pela guerra
Companhia tem uma cadeia integrada de produção e importa poucos insumos, o que ajuda a empresa a enfrentar o cenário desafiador ocasionado pelo conflito no Oriente Médio | Foto: Divulgação Vallourec

A guerra no Oriente Médio tem imposto um cenário desafiador para a indústria siderúrgica. No caso da francesa Vallourec, uma das líderes mundiais em soluções tubulares premium, as principais dificuldades estão relacionadas à logística de entrega de produtos.

Apesar dos desafios, o CEO da Vallourec América do Sul, André Lacerda, afirma que nenhum cliente cancelou pedidos. O executivo também diz que o Oriente Médio segue como um mercado atrativo. Conforme ele, o setor de petróleo tende a se aquecer à medida que o preço do barril sobe, especialmente as operações onshore¸ predominantes na região.

O Oriente Médio é um dos destinos dos tubos sem costura que a Vallourec produz em Minas Gerais. A companhia vê o Estado como um hub de exportação. Cerca de metade da produção das usinas da empresa em Belo Horizonte e em Jeceaba, na região Central do Estado, é exportada para países de diferentes partes do mundo.

Enquanto algumas siderúrgicas que atuam no País relatam uma forte pressão nos custos em decorrência das tensões no Oriente Médio, a Vallourec afirma não ter registrado aumentos significativos na operação brasileira. Segundo Lacerda, a estrutura produtiva da companhia ajuda a reduzir a exposição a oscilações externas.

“Os custos no Brasil não mudaram muito com a guerra para a Vallourec. O custo de energia no Brasil, de forma geral, subiu um pouco, mas nada significativo”, observa.

“Temos uma cadeia integrada de produção. Importamos poucos insumos. Controlamos os custos desde o minério até a produção de aço. Compramos gás da Petrobras que, talvez, tenha sofrido uma leve variação, mas nada que pudesse nos preocupar”, pontua. Ele acrescenta que a Vallourec está mais sujeita às variações típicas de uma empresa mineira que concentra compras e contratações do mercado local, como as decorrentes da inflação.

Importações da China não impactam a companhia

Outro obstáculo para a indústria siderúrgica, este já relatado há alguns anos pelo setor, é o aumento das importações de aço no Brasil, sobretudo de origem chinesa. Para a Vallourec, no entanto, esse movimento não afeta os negócios, já que não atua com aço convencional.

De acordo com o CEO da Vallourec América do Sul, a companhia atua com aços especiais para aplicações extremas e não existem produtos equivalentes ao da empresa em países da Ásia. “A China hoje não tem um tubo com a qualidade que chegue perto do nosso. A China não é um concorrente direto no mercado onde nos posicionamos. Nosso concorrente também é ocidental”, observa. Lacerda.

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