Segundo semestre concentra principais apostas do varejo de BH para ampliar vendas em 2026, diz CDL
Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday e Natal são datas tradicionais do comércio e costumam representar um alívio para os lojistas de Belo Horizonte. Neste segundo semestre, a expectativa não é diferente. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), a combinação do calendário sazonal, do início da redução da taxa básica de juros e do mercado de trabalho aquecido deve ajudar a manter o crescimento das vendas até dezembro.
No entanto, a entidade pondera que o custo do crédito, a inflação e o cenário internacional ainda exigem cautela dos empresários.
A perspectiva acompanha um cenário de recuperação gradual da atividade comercial no País. Depois de um início de ano marcado por uma expansão mais consistente, o varejo perdeu ritmo em abril, mas voltou a crescer em maio, em um ambiente ainda influenciado pelos juros elevados e pelos reflexos das tensões geopolíticas sobre a inflação e o câmbio.
Na avaliação do presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o comportamento mais cauteloso dos consumidores não altera a tendência de crescimento do setor, mas reflete um momento em que as famílias ainda convivem com elevado comprometimento da renda e adotam maior seletividade nas decisões de compra.
“Esse movimento não representa uma reversão da tendência de crescimento. Trata-se de um ajuste esperado em um cenário no qual o consumidor permanece mais criterioso em suas decisões de compra, principalmente em razão do custo do crédito e do comprometimento da renda com despesas financeiras”, observa.
Segundo ele, Belo Horizonte reúne condições para apresentar desempenho superior ao de outras regiões, principalmente em razão da predominância das atividades de comércio e serviços e da manutenção de indicadores positivos no mercado de trabalho. “Esses fatores contribuem para preservar o consumo das famílias e reforçam a capacidade de recuperação da economia local”, avalia o dirigente.
Calendário comercial é estratégico
A entidade avalia que o calendário comercial deverá exercer papel decisivo nos próximos meses, já que as datas sazonais tradicionalmente elevam o fluxo de consumidores e impulsionam o faturamento das empresas. Para aproveitar esse movimento, a recomendação é que os lojistas antecipem o planejamento das operações, com definição do mix de produtos, reforço dos estoques, negociação com fornecedores e integração entre os canais físicos e digitais.
A CDL/BH também recomenda que os empresários invistam em diferentes meios de pagamento, estratégias de fidelização e ações de marketing baseadas no comportamento dos consumidores.
Além dessas orientações, a entidade mantém, em parceria com o Sebrae Minas, um centro de capacitação voltado a pequenos e médios empresários dos setores de comércio e serviços. A programação prevista para o segundo semestre inclui oficinas e consultorias sobre gestão comercial, inteligência artificial, marketing digital, atendimento, precificação e planejamento para períodos sazonais.
Black Friday e Natal concentram maior parte do faturamento do varejo
A expectativa positiva para o segundo semestre também encontra respaldo na sazonalidade do comércio. Conforme mostrou o Diário do Comércio em reportagem publicada neste mês, o período entre a Black Friday e o Natal é considerado o “supertrimestre” do varejo, por concentrar o maior volume de vendas do ano e ser decisivo para o resultado financeiro de empresas de alguns segmentos.
Segundo o superintendente da Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (Aloshopping/MG), Marcelo Silveira, categorias como brinquedos, eletrônicos, vestuário, calçados e cosméticos podem concentrar até um terço do faturamento anual nos últimos três meses do ano. “O peso real depende do mix de lojas, do perfil do consumidor e do quanto cada shopping depende de compras de presentes e serviços”, afirmou ao Diário do Comércio.
Na ocasião, a economista da CDL/BH, Virgínia Mesquita, destacou que a Black Friday alterou o calendário de consumo ao antecipar parte das compras de Natal e ampliar o período de maior movimentação do varejo. “Ela reorganizou o consumo existente e alongou o quarto trimestre, que hoje concentra o maior faturamento do varejo”, disse.
Segundo a economista, esse intervalo frequentemente compensa os meses de menor movimento ao longo do ano. “Muitas vezes, esse período salva o faturamento do ano. Um mês cobre o outro, ajudando o fluxo de caixa das empresas durante os períodos de menor movimento”, explicou.
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