Dados da ANP apontam que foram comercializados 1,14 milhão de metros cúbicos no Estado | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

As vendas de combustíveis derivados de petróleo e de etanol hidratado pelas distribuidoras em Minas Gerais caíram 4,18% em março. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), no terceiro mês deste exercício foram comercializados 1,144 milhão de metros cúbicos contra 1,194 milhão de metros cúbicos no mesmo mês de 2019.

Os números foram impactados pelas primeiras medidas de distanciamento social em combate ao novo coronavírus (Covid-19) em todo o Estado e o menor volume de pessoas circulando pelas cidades a partir da segunda quinzena do terceiro mês deste exercício. A expectativa, conforme o órgão, é que o desempenho seja ainda pior em abril, já que o mês todo terá sido afetado.

Além disso, com o resultado, a comercialização no primeiro trimestre deste ano também caiu. Neste caso, com baixa de 2,13% sobre a mesma época do ano passado. Ao todo foram 3,477 milhões de metros cúbicos vendidos de janeiro a março de 2020 na comparação com os 3,553 milhões de metros cúbicos comercializados pelas distribuidoras em igual período do exercício anterior.

O óleo diesel puxou o desempenho das vendas no mês de março, com 541 mil metros cúbicos vendidos. Houve queda de 3,39% sobre igual mês de 2019 quando foram vendidos 560 mil metros cúbicos.

Logo em seguida veio a gasolina C, com 243 mil metros cúbicos. Na comparação com a mesma época do ano anterior foi registrada queda de 10,66%, já que naquele mês as vendas de gasolina C pelas distribuidoras somaram 272 mil metros cúbicos no Estado.

Já as vendas de etanol hidratado chegaram a 196 mil metros cúbicos em março, contra 240 mil metros cúbicos no terceiro mês do exercício passado. Assim, houve recuo de 18,33%.

Por outro lado, o gás liquefeito de petróleo (GLP) somou 117 mil metros cúbicos comercializados pelas distribuidoras em Minas em março deste ano. Em 2019 foram 104 mil metros cúbicos, indicando aumento de 12,5% na comercialização.

Acumulado – No acumulado do primeiro trimestre, o óleo diesel também liderou as vendas das distribuidoras de combustíveis no Estado. Porém, ao todo foram 1,585 milhão de metros cúbicos. No mesmo período do ano passado foram comercializados 1,601 milhão de metros cúbicos. Isso significa leve recuo de aproximadamente 1% entre os períodos.

De gasolina C foram vendidos 784 mil metros cúbicos entre janeiro e março deste exercício, volume 2,12% menor que os 801 mil metros cúbicos do acumulado dos três meses do ano anterior.

Também no acumulado de 2020, a venda de etanol hidratado no Estado somou 698 mil metros cúbicos, enquanto que nos mesmos meses de 2019 chegou a 734 mil metros cúbicos. Logo, foi registrada baixa de 4,9% entre os períodos.

Por fim, o GLP somou 318 mil metros cúbicos vendidos pelas distribuidoras no primeiro trimestre. Nos três primeiros meses do ano anterior foram 308 mil metros cúbicos, o que significa aumento de 3,24% na comercialização.

Petrobras reajusta preço da gasolina em 12% nas refinarias

Rio – A Petrobras elevará o preço médio da gasolina cobrado das distribuidoras nas refinarias em 12% a partir desta quinta-feira (7), na primeira alta do combustível fóssil desde 20 de fevereiro, reduzindo uma defasagem na comparação com o produto importado após ganhos no mercado de petróleo, informou companhia ontem.

Ainda assim, a gasolina da petroleira estatal – responsável por quase 100% da capacidade de refino do País – acumula queda de 46,5% neste ano, impactada por uma diminuição dos preços do petróleo e de seus derivados diante da propagação do novo coronavírus, que reduziu a demanda global.

O reajuste da Petrobras, no entanto, ocorre após uma recuperação recente dos preços do barril do petróleo, à medida que alguns países da Europa e da Ásia, assim como diversos estados norte-americanos, começaram a flexibilizar medidas de isolamento tomadas em função da pandemia.

“O ajuste vem em linha com o que aconteceu no mercado internacional nas últimas semanas. Precisava mesmo, a gente estava com defasagem com relação à importação já faz mais de semana…”, disse o chefe da área de óleo e gás da consultoria INTL FCStone, Thadeu Silva.

“Eu acredito que a Petrobras esperou para ver se o preço não devolvia, a volatilidade está muito grande no mercado internacional.”

O barril de petróleo Brent – referência internacional – fechou na véspera com alta de 13,9%, acumulando ganhos pelo sexto dia consecutivo, enquanto o petróleo nos EUA (WTI) subiu 20,5% na terça-feira (5), tendo também cinco dias seguidos de alta.

A Petrobras manteve o preço do diesel, o combustível mais consumido no País. No caso desse produto, a queda acumulada nas refinarias no ano é de 44%.

Competitividade – O avanço do preço da gasolina ocorre após o setor sucroenergético ter pedido ao governo federal um aumento da Cide no combustível fóssil, como forma de ajuda ao segmento em meio aos impactos do coronavírus na economia do País e no preço do combustível.

A demanda desse setor, no entanto, encontra forte resistência de outros segmentos do mercado, como da própria Petrobras, dos revendedores e dos importadores de combustíveis.

Notícias veiculadas recentemente apontaram que o Ministério da Economia deveria elevar a Cide da gasolina de R$ 0,10 para R$ 0,30 por litro e impor um imposto de importação de 15% sobre o combustível fóssil. O governo não comentou.

O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, afirmou à Reuters que o aumento anunciado ontem pela Petrobras sinaliza que a estatal está buscando acompanhar os preços do mercado internacional.
No entanto, ponderou que “devido à alta volatilidade do câmbio e das commodities, os preços ainda se encontram com importantes defasagens”.

“O alinhamento dos preços à paridade internacional pode devolver a competitividade para o etanol e eliminar definitivamente a necessidade de imposto de importação, como sugerido”, destacou.

Para o Credit Suisse, a alta do preço da Petrobras é um sinal positivo, mas a gasolina e o diesel da empresa ainda estão 6% e 9% abaixo da paridade de importação.

A política de preços da Petrobras busca seguir valores de paridade de importação, que leva em conta preços no mercado internacional mais os custos de importadores, como transporte e taxas portuárias, com impacto também do câmbio. No entanto, a empresa tem evitado repassar volatilidade ao mercado interno.

O repasse de ajustes em valores da gasolina cobrados nas refinarias aos consumidores finais, nos postos, não é imediato e depende de uma série de questões, como margem da distribuição e revenda, impostos e adição obrigatória de etanol anidro.

A queda acumulada da gasolina nas bombas somou 13,8% neste ano, segundo dados da reguladora ANP. (Reuters)