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Andréia Barreto*

As mulheres vão dominar o mundo. Quantas vezes ouvimos essa frase? O que parece uma brincadeira inofensiva, contribui para estereotipar o lugar das mulheres na sociedade e no mercado de trabalho.

Para além das importantes lutas pela igualdade de gênero e políticas de diversidade nas empresas, as pesquisas mostram que as mulheres estão cada vez mais demonstrando capacidade de gestão, liderança e inovação. O mercado começa a perceber que ações em direção à equidade de gênero é uma pauta sem volta.

Um estudo realizado pelo Instituto Peterson de Economia Internacional, com mais de 20 mil empresas de 91 países, identificou que as organizações com até 30% de liderança feminina tiveram um aumento de 15% em rentabilidade. Os dados da pesquisa evidenciam a competência das mulheres e as múltiplas tarefas que elas têm assumido nas últimas décadas.

O mundo do trabalho está exigindo do novo profissional, competências que perpassam por habilidades técnicas e socioemocionais, combinação que se destaca nas pesquisas com mulheres que ocupam cargos de alta gestão ou que são líderes empreendedoras.
As mulheres têm superado os homens nos indicadores educacionais, saindo na frente também nos cursos de especialização e MBA.

Dados do Censo da Educação Superior (2016) revelam que as mulheres representam 57,2% dos estudantes matriculados em cursos de graduação. Mesmo com todas as ressalvas que se possa fazer ao modo como ainda ocorre a inserção da mulher no mercado de trabalho, e as grandes diferenças de salários se comparadas a dos homens, a preparação técnica e emocional é um fator para a valorização das mulheres.

Nesse mês de março saiu a edição especial da revista Forbes Brasil com as 20 mulheres mais poderosas do País. Na capa, uma mulher grávida e de destaque no cenário financeiro. A edição da revista reforça que mulheres, mães, e profissionais apesar das discriminações e grandes dificuldades, conciliam a tripla jornada.

Ainda assim, falta representatividade. As mulheres negras estão em nítida desvantagem. A pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça do IBGE (2019) aponta que homens brancos ocupam o topo da pirâmide de salários do país. As mulheres pretas ou pardas recebem menos da metade do que os homens brancos.

Para falar sobre mulheres, é preciso olhar para os dados, não para os estereótipos. As estatísticas são um elemento a mais em um debate complexo, que envolve preconceitos, desigualdades e um legado patriarcal.

Mesmo diante de todos os avanços apontados nas pesquisas, precisamos solidificar a presença da mulher no mercado com igualdade salarial com os homens, e rever pensamentos e atitudes de uma sociedade ainda machista. Não precisamos dominar o mundo, precisamos de respeito, valorização, e igualdade no mercado de trabalho.

*Coordenadora Estratégica da Pós-Graduação da Una