O impacto do fechamento do comércio e de outras atividades preocupa o governador Zema | Crédito: Manoel Evandro

Alguns setores da economia mineira poderão voltar a funcionar a qualquer momento, após terem sido paralisados no combate à disseminação do novo coronavírus (Covid-19). O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou, na sexta-feira (27), que a partir da semana que vem começará a ser realizado um estudo para verificar o que é possível fazer nesse sentido em todo o Estado.

No entanto, ele não definiu datas, quais segmentos poderão regressar às atividades e nem discriminou quais municípios deverão entrar nessa medida. “Isso será feito com o maior critério, estando sujeito a ser desfeito caso a gente perceba que os índices de novo infectados pelo coronavírus estejam aumentando”, disse ele, salientando que “será algo no condicional, não é uma via de caminho único”.

De acordo com o governador, há um otimismo em relação à possibilidade de liberar algumas atividades em determinadas regiões do Estado. Além disso, ele frisou que está havendo um custo social muito grande com a questão do isolamento e com a suspensão de vários ramos do comércio.

“Minas Gerais, por ser um Estado muito grande, por ter realidades muito distintas, o coronavírus se espalhou de forma muito desigual. Não seria justo todas as cidades receberem o mesmo tratamento. Seria como se tivéssemos pessoas com 42, 40 e 38 graus de febre e nós estivéssemos dando a mesma dosagem de medicamento para todos. Então, a dosagem pode mudar”, disse ele.

Medidas de segurança – De acordo com Romeu Zema, já será solicitado na próxima semana aos sindicatos patronais e de trabalhadores que comecem a estabelecer medidas de segurança para os empregados voltarem às atividades que poderão ser reativadas. “Não queremos nenhum funcionário exposto a riscos”, falou ele, que lembrou, ainda, que “a vida humana é em primeiro lugar”.

O governador de Minas Gerais garantiu que toda ação passará pelo crivo da Secretaria da Saúde e será alinhada com os prefeitos. “A Secretaria da Saúde e os prefeitos serão peças fundamentais neste momento. Se o prefeito julgar que a cidade dele não deve ser liberada porque está havendo um foco, isso vai ser, é lógico, levado em conta aqui por nós. Não faremos nada descabido, sem análise profunda, nada que coloque em risco a vida das pessoas”.

Romeu Zema também ressaltou que haverá todo um acompanhamento dos casos de coronavírus no Estado para o alinhamento das ações. “Vamos acompanhar a curva de novos casos. Se essa curva estiver dentro de uma normalidade, esse processo de reabertura continuará. Se observarmos que essa curva está muito inclinada para cima, que está acelerando a incidência de novos casos, nós vamos, talvez, até reverter esse processo”, mencionou.

Prefeitura – Enquanto isso, em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil (PSB) tem defendido frequentemente nas redes sociais a importância do isolamento social. No Twitter, no último dia 26, ele postou: “Estão relaxando??? Segundo os técnicos e especialistas, o pior começa na quarta-feira”. Ele acrescentou, ainda, que “no ritmo atual, se não levarem o isolamento a sério, o número de mortes crescerá entre quarta-feira e sábado da semana que vem. Já são 1.500 mortes por dia na Europa. Não vamos brincar”.

Distanciamento – Ainda ao mencionar o retorno de algumas atividades, Romeu Zema destacou uma espécie de momento de transição: do isolamento para o que ele chamou de “situação de distanciamento”. “Aquele comércio que vier a funcionar, com certeza nós vamos exigir que o cliente, por uma questão de segurança, mantenha uma distância de quem o estiver atendendo. Funcionários também deverão manter distanciamento”, disse.

Recursos – Sobre o combate ao novo coronavírus no Estado, o secretário de Estado da Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral, anunciou a publicação da distribuição de R$ 60 milhões, através de uma nova portaria.

Os recursos serão alocados para os municípios, com objetivo de aquisição de insumos, equipamentos de proteção individual, ampliação dos leitos clínicos e reforço de custeio. Além disso, ele afirmou que toda a malha laboratorial está sendo recrutada para a realização de exames para comprovação do Covid-19, sendo que o Hemominas passará a compor essa malha.