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Alta volatilidade do real deve seguir até normalização monetária

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Maior volatilidade veio com avanço do dólar, que já subiu 6,4% desde mínimas abaixo de R$ 4,90 em 25 de junho | Crédito: Fayaz Aziz/ Reuters

São Paulo – O real seguirá com alta volatilidade até que o Banco Central complete o ciclo de normalização monetária, que deve terminar no começo do ano que vem com a Selic a 7,5% ao ano, disse Luca Maia, estrategista de câmbio e juros para América Latina do BNP Paribas.

A diferença média entre máximas e mínimas do dólar futuro em relação a cada fechamento anterior vem em alta desde meados de junho, saindo de cerca de 1,22% para 1,75%. Outra medida de instabilidade, a volatilidade implícita nas opções de dólar/real de três meses desde o começo do mês voltou a ser a mais alta dentre os pares comparáveis do real, estando em 16,6% ao ano, contra 10,3% do peso mexicano.

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A maior volatilidade veio acompanhada de aumento do preço do dólar, que já subiu 6,4% desde que bateu mínimas abaixo de R$ 4,90 em 25 de junho. O real tem nessa base de comparação o pior desempenho entre seus principais rivais.

“Achamos que isso é um movimento mais técnico, já que o real vinha de uma valorização desde março e havia maior carregamento de posições vendidas em dólar quando o mercado começou a discutir mudanças no cenário de crescimento econômico global”, disse Maia.

“Não acredito que seja algo que deva alterar nossa visão de longo prazo… Conforme o Brasil for entregando mais juros, a volatilidade vai reduzir, mas até completar esse ciclo de normalização a volatilidade vai ser mais alta”.

O BNP prevê Selic de 6,5% ao fim deste ano e de 7,5% no término de 2022 – ambas as previsões têm viés de alta e o juro está hoje em 4,25%. Com isso, o dólar cai a R$ 4,75 em 2021 e fecha 2022 a R$ 4,60.

Num exemplo da importância dos diferenciais de juros para um cenário de recuperação da divisa brasileira, o BNP calcula que uma Selic de 7,5% no começo de 2022 num modelo com demais variáveis (risco-país, termos de troca) travadas seria condizente com uma valorização de 21% do real ante o dólar até lá.

Maia lembra, contudo, que há alguns componentes de risco mais difíceis de mensurar, como temas políticos, e que o real continua sentindo os efeitos nos investidores estrangeiros do episódio conhecido como “Joesley Day” – em 18 de maio de 2017 houve pânico nos mercados domésticos um dia após virem a público denúncias de Joesley Batista, um dos donos da J&F, envolvendo diretamente o então presidente Michel Temer.

Na ocasião, o mercado entendeu que os eventos sepultaram a agenda de reformas em curso. Naquele 18 de maio, o dólar disparou 8,15%, maior alta desde março de 2003.

Por ora, a principal posição do BNP em real é contra o euro, escolha, segundo Maia, justificada pela expectativa de que a narrativa de redução de estímulos nos Estados Unidos enfraqueça a moeda comum europeia, o que a tornaria ideal para financiamento. (Reuters)

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