Finanças

Mineiros já pagaram mais de R$ 145 bilhões em impostos no primeiro semestre de 2026

Volume representa 7% da arrecadação nacional, que projeta ultrapassar os R$ 2 trilhões ainda neste mês
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Mineiros já pagaram mais de R$ 145 bilhões em impostos no primeiro semestre de 2026
Impostos pagos por empresas e consumidores mantêm trajetória de alta em Minas Gerais e no restante do País | Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Os mineiros já pagaram R$ 145,5 bilhões em impostos, taxas e contribuições neste ano. O volume representa 7% da arrecadação nacional, que projeta ultrapassar R$ 2 trilhões ainda neste mês. Os dados são do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que simula em tempo real o volume arrecadado pela União.

O valor reúne impostos, taxas e contribuições recolhidos pelos governos federal, estadual e municipal, incluindo multas, juros e correção monetária. A maior parte desses recursos provém de tributos como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), o Imposto de Renda (IR), o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e as contribuições previdenciárias, além da arrecadação proveniente do comércio exterior.

Na comparação com o primeiro semestre do ano passado, quando foram arrecadados R$ 141 bilhões, houve aumento de cerca de R$ 4,5 bilhões na arrecadação de impostos em Minas Gerais. No País, a marca de R$ 2 trilhões será atingida seis dias antes do registrado em 2025.

Segundo a associação, há dez anos o País chegou à mesma marca de R$ 2 trilhões apenas em 9 de dezembro. Isso indica que o Brasil praticamente dobrou o montante arrecadado desde então, reflexo do crescimento contínuo da carga tributária sobre a economia.

O economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da ACSP, Ulisses Gamboa, avalia que o crescimento acelerado ao longo do ano é resultado de uma série de fatores econômicos. “O aquecimento da atividade econômica amplia a base de arrecadação. Ao mesmo tempo, a inflação pressiona os preços de bens e serviços e, como grande parte dos impostos incide sobre os preços, a arrecadação acompanha esse movimento”, pontua.

Além disso, a tributação de fundos exclusivos e offshores, alterações na tributação de subvenções estaduais, a retomada da tributação sobre combustíveis, a reoneração da folha de pagamentos e o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre juros e câmbio contribuíram para acelerar a elevação da arrecadação. A maior tributação sobre juros sobre capital próprio, o fim dos benefícios para o setor de eventos e a incidência sobre apostas esportivas também pesaram no indicador.

Gastos públicos já superaram arrecadação

Entretanto, Gamboa chama atenção para as despesas do setor público, que já superaram a arrecadação estimada para o período. Em 2025, quando a arrecadação de impostos alcançou R$ 2 trilhões no País, os gastos públicos já haviam ultrapassado R$ 2,5 trilhões. Neste ano, o montante se aproxima de R$ 2,7 trilhões.

O presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, comenta que há um descompasso crescente entre arrecadação e gasto público. “Esse descompasso é o nó central das dificuldades fiscais do País e explica, em grande medida, por que a carga tributária continua pressionando famílias e empresas sem que haja uma contrapartida equivalente em serviços públicos de qualidade”, argumenta.

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