Banco Central liquida Sefer, distribuidora de títulos envolvida no caso Master
O Banco Central decretou nesta sexta-feira (26) a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos, administradora de títulos financeiros em São Paulo. A distribuidora foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do caso do Banco Master.
Segundo a autoridade monetária, a empresa sediada em São Paulo está no segmento S4, ou seja, é considerada de pequeno porte. Tem baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional, com menos de 0,0004% do ativo total e 0,17% dos recursos administrados de terceiros.
A Sefer Investimentos tinha em maio R$ 12,9 bilhões sob administração, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. A autarquia atribui a liquidação ao “comprometimento da situação econômico-financeira da distribuidora, sujeitando seus credores quirografários a risco anormal, bem como por graves violações às normas legais que disciplinam a atividade da instituição”.
A Sefer Investimentos foi procurada pela reportagem na manhã desta sexta por email e telefone, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
O Banco Central também ressalta a indisponibilidade, a partir desta sexta, de bens dos controladores e ex-administradores da empresa. A nota do órgão afirma que o resultado de investigações sobre a situação da administradora de títulos pode levar à aplicação de medidas cabíveis na lei.
Segundo decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli, então relator do caso Master, na Operação Compliance Zero, a administradora de títulos gerenciou diversos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) envolvidos nas fraudes do banco de Daniel Vorcaro.
O magistrado aponta que a empresa, controlada pelo empresário Benjamin Botelho, administrava títulos para a circulação de ativos sem liquidez, com preços inflados artificialmente. A Sefer também teria atuado em transações entre partes que visavam desviar recursos do Master.
À época da segunda fase da operação, Toffoli determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal da empresa entre 2020 e 2025, e bloqueio de bens de R$ 5,7 bilhões.
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