Dólar tem leve alta no dia e avança 0,37% em semana de aperto monetário nos EUA
O dólar reduziu bastante o ritmo de alta frente ao real na segunda etapa de negócios desta sexta-feira (18), acompanhando a desaceleração da moeda americana no exterior, em meio à diminuição das perdas do iene. Parte do desconforto eleitoral provocado pelo resultado da pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira à noite, que não mostrou a esperada melhora das intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, preferido da maior parte do mercado financeiro, também se dissipou à tarde, contribuindo para a recuperação da moeda brasileira.
Depois de atingir R$ 5,1662 pela manhã, o dólar à vista terminou o dia a R$ 5,1442, alta de 0,10%. A divisa acumulou ganho de 0,37% nesta semana, marcada pelo fortalecimento global da moeda norte-americana, após a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de elevar os juros, acompanhada de discurso mais duro contra a inflação. Em setembro, o dólar ainda recua 0,69% ante o real, após alta de 2,16% em agosto.
“Apesar do estresse geopolítico e da perspectiva de que o Fed possa promover mais um ou dois aumentos nos juros, o real tem mostrado bastante resiliência. Aquele quadro de reeleição tranquila de Lula em agosto foi substituído pela perspectiva de transição de governo e mudança da política fiscal”, afirma o head de câmbio da EQI Investimentos, Alexandre Viotto.
Termômetro do comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operava aos 100,196 pontos por volta das 17h00, em queda de 0,05%, após atingir 100,564 pela manhã, maior nível em sete semanas. Na semana, o Dollar Index acumula ganho de pouco mais de 1% e, no ano, de quase 2%.
O iene sofreu perdas expressivas pela manhã mesmo com o aperto monetário promovido pelo Banco do Japão (BoJ), que elevou a taxa de juros em 25 pontos-base, para 1,25%, maior nível desde 1995. A decisão foi dividida, o que foi interpretado como um sinal “dovish” pelos investidores. Rumores de possível intervenção de autoridades japonesas, porém, reduziram as perdas da divisa, que ainda recuou mais de 0,40% ante o dólar.
O economista-chefe da Franklin Templeton Brasil, Adauto Lima, observa que a moeda norte-americana, apesar da alta em setembro, ainda mostra fôlego limitado, o que contribui para manter a taxa de câmbio comportada. “Os termos de troca também, com a alta do petróleo, ajudam o real, enquanto a volatilidade eleitoral prejudica. O dólar está oscilando entre R$ 5,00 e R$ 5,20. É um movimento bem contido”, afirma.
Lima também destaca a manutenção de um diferencial de juros ainda elevado, apesar da direção oposta das políticas monetárias brasileira e americana, embora ressalte que a melhora dos termos de troca é mais relevante para o real. “Os BCs desenvolvidos precisam minimizar a pressão inflacionária, mas não há a percepção de que o Fed vai subir os juros como se não houvesse amanhã”, afirma.
Pela manhã, o Banco Central vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista em leilão de linha (venda com compromisso de recompra), ajudando a melhorar a liquidez em meio à forte pressão por remessas de divisas ao exterior. O BC já realizou dois casadões neste mês – venda simultânea de moeda à vista com compra no segmento futuro, via contratos de swaps cambiais reversos -, no total de US$ 2 bilhões.
“No fim do trimestre, há uma descontinuidade da oferta de linhas pelos bancos estrangeiros, por questões de regulação. E o Banco Central entra com leilões para prover liquidez e evitar distorções, sem pretensão de mudar a dinâmica do câmbio”, afirma Lima, da Franklin Templeton.
Para Viotto, da EQI Investimentos, além da pressão de fim de trimestre, há sinais de aumento das remessas de divisas ao exterior em razão da corrida presidencial. O movimento tem motivado uma atuação mais firme do BC neste mês, com dois casadões e o leilão de linha. “Podemos ver novas operações desse tipo se não houver uma melhora da liquidez”, afirma.
Conteúdo distribuído por Agência Estadão
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